quarta-feira 10 2016

Moro decide que documentos da Suíça poderão ser usados em processo contra Odebrecht


Juiz deu razão ao MPF e manteve documentos referentes a offshores controladas pela empreiteira nos autos que investigam corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa


O JUIZ SERGIO FERNANDO MORO: seu mundo discreto começou a virar pelo avesso em 11 de julho de 2013, quando ele autorizou a polícia federal a fazer “escuta telefônica e telemática” contra um obscuro doleiro
Moro observou em seu despacho que a Odebrecht busca "ganhar tempo"(Laílson Santos/VEJA)
O juiz Sergio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato em Curitiba, decidiu hoje que as provas coletadas via acordo de cooperação com a Justiça suíça poderão ser utilizadas no processo que investiga pagamento de propinas pela Odebrecht no exterior. Os pagamentos foram feitos por meio de empresas offshore controladas pela empreiteira e se destinavam a diretores da Petrobras, que também usavam offshores para receber os valores. O ex-executivo da Odebrecht Márcio Faria, preso na 14ª fase da Lava Jato, pleiteava a retirada dos documentos referentes às contas e depósitos bancários do processo que investiga corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa, enquanto o Ministério Público Federal defende o uso das provas.
Em seu despacho, o juiz federal questionou retoricamente se "há ou não decisão da Corte Suíça obstaculizando a utilização dos documentos?", respondendo negativamente em seguida. Sergio Moro ressalta que, apesar de reconhecer um erro procedimental do Ministério Público suíço, a "Corte suíça não proibiu as autoridades brasileiras de utilizar os documentos, nem solicitou a sua devolução. Pelo contrário, denegou expressamente pedido nesse sentido da Havinsur/Odebrecht". Segundo o juiz, "o erro procedimental não é suficiente para determinar a ilicitude da prova" porque ela não foi produzida por meio de "violação de direitos fundamentais do investigado ou do acusado".
Moro ainda observou que a Odebrecht busca, por meio de seus executivos e advogados, "apenas ganhar mais tempo", e restabeleceu o prazo para as alegações finais da defesa da empreiteira no processo, suspenso na terça-feira da semana passada. A partir de amanhã, a Odebrecht terá dez dias para tomar conhecimento da decisão de Moro e, depois da ciência, mais sete dias para apresentar sua defesa final a respeito das provas obtidas via Suíça.
Na semana passada, por considerar a questão "relativamente complexa", Moro havia suspendido o processo para que o MPF se manifestasse. A decisão do magistrado havia ocorrido após a Justiça suíça ter considerado "irregular" o procedimento de envio de provas obtidas no país europeu contra a Odebrecht à Procuradoria brasileira. Embora tenha apontado a falha, a corte suíça entendeu que o Brasil não tinha de devolver os documentos bancários enviados, conforme havia pedido a Odebrecht na intenção de anular as provas levantadas no exterior.
O recurso que motivou a decisão da Justiça suíça foi impetrado pela Hanvisur S/A, offshore por meio da qual a Odebrecht pagou, em março de 2010, 565.000 dólares à Milzart Overseas Holdings, sediada em Mônaco e controlada pelo ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Além de Duque, o MPF informou que receberam propina da empreiteira os ex-diretores de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, da área Internacional, Jorge Zelada e Nestor Cerveró, e o ex-gerente da Diretoria de Serviços, Pedro Barusco.

terça-feira 09 2016

Dez dicas para administrar o tempo segundo Leandro Karnal





Leandro Karnal é professor Doutor na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) , desde 1996. Graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (RS) e Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Possui pós doutorados pela UNAM, México, e pelo CNRS de Paris. Sua formação cruza História Cultural, Antropologia e Filosofia. É autor de livros que tratam sobre a história dos países, como História dos Estados Unidos (Contexto, 2007) e sobre o ensino de História, como História na sala de aula – conceitos, práticas e propostas (Contexto, 2003) e Conversas com um jovem professor (Contexto, 2012). É membro do conselho editorial das principais publicações acadêmicas da área na UNICAMP (revistas Ideias, Cadernos Pagu e História Social) e da UNISINOS (revista História).




"ANDRÉ" É O ELO DA TRIPLO X COM O PETROLÃO

Brasil  11:55



André Luiz de Souza, que avalizou a compra das debêntures que financiaram o Solaris e o Altos do Butantã, foi o pivô da prisão de Marcelo Odebrecht.
Ele é o "André" citado em mensagens de Marcelo com executivos da Odebrecht que mencionam sobrepreço no contrato de operação de sondas da Petrobras.
Foi por causa dessas mensagens que Sérgio Moro mandou prender MO.
A PF achava que "André" era funcionário da empreiteira ou o banqueiro André Esteves, mas a Odebrecht confirmou à Folha, em matéria publicada no ano passado, que o "André" dos e-mails é André Luiz de Souza.
Além da Sscore, que atuou no FGTS, André é dono da Ask Capital, consultoria com atuação na área de petróleo e gás.
Eis o que disse a reportagem: "Essa consultoria, na versão da empreiteira, representava grandes empresas interessadas em se instalar num polo industrial na Bahia ao redor do estaleiro Enseada Paraguaçu, que pertence a Odebrecht, UTC e OAS."
Quando os e-mails foram escritos, em março de 2011, André ainda fazia parte do comitê de investimentos do FI-FGTS. Ele batalhava para liberar o dinheiro para o estaleiro, mas o negócio miou após a troca de diretoria promovida já no governo Dilma.

Esquema movimentou R$ 3 bilhões

Brasil  11:36


A Sscore Soluções foi alvo em 2012 de investigação da CGU sobre a compra de R$ 3 bilhões em títulos emitidos por incorporadoras imobiliárias, como a OAS.
A empresa que analisava as garantias oferecidas pelas empreiteiras pertence a André Luiz de Souza, ligado à CUT e ao PT. Souza foi o coordenador do projeto "Moradia" do Instituto da Cidadania, de Lula.
André Luiz de Souza chegou ao conselho curador do FGTS por indicação da CUT e participou da criação do FI-FGTS. São seus sócios na Sscore a ex-funcionária da Caixa Marcelina Marinho e Celso Petrucci, ligado ao Sindicato da Habitação de São Paulo.

EMBAIXADOR QUE CAIU DO 11º ANDAR ERA SÓCIO DE OPERADOR DO FGTS

Brasil  13:26


Como O Antagonista mostrou nos posts anteriores, a OAS levantou recursos para a construção do Solaris, do Guarujá, junto ao FGTS com ajuda do petista André Luiz de Souza, ligado a Lula e à CUT.
André Luiz de Souza era sócio do embaixador aposentado Sebastião do Rego Barros Netto na Ask Capital, citada na Lava Jato.
Rego Barros morreu em novembro passado em circunstâncias que estão sendo investigadas. Ele caiu do 11º andar do prédio onde morava em Copacabana, segundo familiares, ao tentar pegar um livro na estante.

Embaixador Sebastião do Rego morre ao cair do 11º andar de prédio no Rio


Sebastião do Rego Barros: embaixador caiu do 11º andar do prédio onde morava, na Av. Atlântica / foto: reprodução do Facebook
O embaixador Sebastião do Rego, de 75 anos, caiu da janela do apartamento onde morava no 11º andar de um prédio em Copacabana, nesta segunda-feira (9). No momento da queda, Sebastião do Rego estava lendo um livro próximo à janela e se desequilibrou.
De acordo com a Polícia Civil, a queda ocorreu por volta das 13h. A 12ª Delegacia Policial, em Copacabana, informou que um inquérito foi instaurado para apurar as circunstâncias da morte. A perícia de local foi solicitada e o corpo encaminhado ao Instituto Médico-Legal.
Os parentes serão ouvidos e agentes estão em diligências em busca de testemunhas e informações que ajudem nas investigações.
Sebastião do Rego era ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e ocupou cargos de destaque na área diplomática brasileira. Foi embaixador do Brasil na extinta União Soviética na década de 1990 e, com a criação da Rússia, até dezembro de 1994. Também foi embaixador do Brasil na Argentina entre 1999 e 2001. Liderou ainda missões do Brasil na ONU, na União Europeia e na Organização dos Estados Americanos.
Ele deixa a viúva, Maria Cristina de Lamare Rego Barros, além de três filhos.
* Com informações da Agência Brasil

Leandro Karnal | Hamlet é o anti-facebook



GOLPE NO FGTS BANCOU SOLARIS


A Operação Triplo X investiga a liberação irregular de recursos do FGTS para a OAS erguer o edifício Solaris, no Guarujá, onde está o triplex de Lula.
A OAS Empreendimentos, subsidiária que começou a operar em 2006, emitiu R$ 300 milhões em debêntures para financiar várias obras que eram da Bancoop.
Esses títulos foram adquiridos pela Caixa com recursos do FGTS, ou seja, dinheiro do trabalhador.
A empreiteira deu como garantia os recebíveis dos empreendimentos e os terrenos dos edifícios. Quem avaliava essas garantias? A Sscore Soluções, que pertence a André Luiz de Souza, então representante da CUT no conselho curador do... FGTS.
Essas debêntures financiaram, até 2013, R$ 58,4 milhões em empreendimentos da Bancoop, sendo R$ 43,5 milhões para o Altos do Butantã - onde o presidente da CUT ganhou seu apartamento - e outros R$ 14,9 milhões foram investidos no Solaris.