As alegações finais do MPF contra Marcelo Odebrecht e os seus miquinhos amestrados, mais o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, são devastadoras.
De acordo com os procuradores, eles são elementos de tamanha periculosidade, que devem começar a cumprir as penas a serem impostas por Sergio Moro em regime fechado desde já.
O capo Marcelo Odebrecht foi denunciado por corrupção ativa (56 vezes), lavagem de dinheiro (136 vezes) e organização criminosa.
Dizem os procuradores: “Se queremos ter um país livre de corrupção, esse deve ser um crime de alto risco e firme punição, o que depende de uma atuação consistente do Poder Judiciário nesse sentido, afastando a timidez judiciária na aplicação das penas quando julgados casos que merecem punição significativa, como este.”
Enquanto o governo prepara uma série de medidas para tentar destravar investimentos, uma espécie de 'novo PAC', obras anunciadas ainda no primeiro, em 2007, e que já deveriam ter sido entregues há anos, continuam inacabadas
Em 2010, as obras ainda em andamento foram reembaladas, juntadas a outras e o governo Dilma lançou o PAC 2(Ricardo Stuckert/Presidência/VEJA)
Para tentar estimular a economia, em meio a uma profunda recessão, o governo prepara uma série de medidas para destravar investimentos, um plano tratado internamente como uma espécie de "novo PAC". Mas obras anunciadas ainda no primeiro PAC, em 2007, e que já deveriam ter sido entregues há anos, continuam inacabadas.
Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra que, das 10 maiores obras anunciadas pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva no lançamento do Programa de Aceleração de Crescimento, há nove anos, apenas duas, na área de petróleo, foram totalmente concluídas. Outras três usinas de energia e uma refinaria até entraram em operação, mas de forma parcial - e ainda estão em obras.
A maior obra anunciada em 2007, a refinaria Premium 1, no Maranhão, com projeção de investimentos de R$ 41 bilhões, foi simplesmente abandonada, com prejuízo de R$ 2,1 bilhões para a Petrobras.
O PAC foi lançado no governo Lula, em tempos de bonança econômica, com o objetivo declarado de "estimular o aumento do investimento privado e do investimento público, principalmente na área de infraestrutura" e "desobstruir os gargalos que impedem os investimentos", nas palavras do então ministro da Fazenda, Guido Mantega.
O programa previa um total de R$ 503,9 bilhões em investimentos em mais de mil projetos. Em 2010, as obras ainda em andamento foram reembaladas, juntadas a outras e o governo lançou o PAC 2, com projeção de investimentos de R$ 1 trilhão. No início do seu segundo mandato, no ano passado, a presidente Dilma Rousseff disse que lançaria a terceira fase do programa, que ainda não saiu do papel.
Apesar de ter sido criado para destravar a infraestrutura, dados compilados pela organização Contas Abertas mostram que, de 2007 a 2014, 34% de tudo que foi considerado investimento dentro do PAC se referiam a financiamentos habitacionais tomados pelos cidadãos em bancos públicos, a preços de mercado. Se incluídos os financiamentos subsidiados do programa Minha Casa Minha Vida, essa conta chega a 40%.
No complexo de favelas do Alemão, no Rio, onde Dilma foi batizada em 2008 por Lula de "mãe do PAC", só 53% das unidades habitacionais prometidas foram entregues. O teleférico é a obra na região que mais chama a atenção - apesar de ter sido fechado só no ano passado 11 vezes, em função de tiroteios.
O ministro de segurança de Dubai sugeriu aos seus mais de 1 milhão de seguidores no Twitter que as “raízes xiitas” de Obama o ajudaram na aproximação entre Irã e EUA
Papa Francisco conversa com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na chegada à Base Aérea de Maryland(Chip Somodevilla/Getty Images/AFP)
Ao longo dos dois mandatos de Barack Obama, os americanos convivem com boatos de que o presidente dos Estados Unidos é muçulmano. Embora Obama já tenha reiterado inúmeras vezes ser praticante do cristianismo, o rumor se mantém vivo no país - uma pesquisa realizada em 2015 mostrou que 54% dos republicanos acreditam que, "lá no fundo", o primeiro presidente negro dos EUA é muçulmano. A teoria da conspiração sobre a religião secreta de Obama ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos e ganhou detalhes que ajudariam a provar sua "veracidade" e, assim, justificar decisões da política externa americana, como o acordo nuclear com o Irã que resultou no fim das sanções contra o país islâmico.
Uma das versões estrangeiras do boato diz que o presidente americano não só é muçulmano como pertence ao grupo xiita, a segunda maior vertente do islamismo. Recentemente, Dhahi Khalfan Tamim, ministro de segurança de Dubai, sugeriu que as "raízes xiitas" de Barack Obama ajudaram a elegê-lo para que ele pudesse promover a aproximação entre Irã e Estados Unidos. Tamim, que tem mais de 1,2 milhão de seguidores no Twitter, postou diversas mensagens na rede social associando Obama aos xiitas que foram retuitadas centenas de vezes, disseminando ainda mais o boato.
Em julho do ano passado, o ex-parlamentar iraquiano Taha al-Lahibi deu uma entrevista a uma emissora do país explicando que a aproximação entre Obama e os "xiitas iranianos" se dava pelo "passado xiita" dos pais do presidente americano, e citou o nome do meio de Obama, Hussein, como prova - Hussein é o nome de um mártir sagrado da tradição xiita, mas é comumente adotado também por sunitas e não-muçulmanos. No mesmo mês, o escritor sírio Muhydin Lazikani disse em outra entrevista que Obama era "filho de um queniano xiita", de acordo com o jornal Washington Post.
Boato antigo - O rumor se espalhou antes da vitória de Obama nas urnas, quando jornais estatais do Iraque já se referiam ao então candidato como muçulmano. Quando ele venceu as eleições presidenciais, em novembro de 2008, redutos xiitas no Iraque comemoraram sua vitória. "Agora temos um irmão na Casa Branca", disse à época um iraquiano morador de Sadr, bairro xiita de Bagdá, à revista Time.
Uma segunda versão da teoria de que Obama é muçulmano afirma que ele apoia os sunitas, maior vertente do Islã. No Iraque, muitos militares acreditam que o governo americano fornece armas ao grupo extremista sunita Estado Islâmico. "Não há dúvidas disso", disse Mustafa Saadi, membro de uma milícia xiita iraquiana, ao jornal Washington Post.
Os boatos de que o presidente dos Estados Unidos esconde sua verdadeira religião se baseiam, provavelmente, no passado de Obama. Seu pai, filho de muçulmanos que se tornou ateu, nasceu no Quênia, um país islâmico, de maioria sunita. Na infância, durante o segundo casamento de sua mãe com um indonésio muçulmano sunita, Obama morou dos 6 aos 10 anos em Jacarta, onde frequentou duas escolas: uma católica e uma instituição pública, ao lado de alunos islâmicos. Porém, em diversas entrevistas o presidente americano já afirmou que as maiores influências religiosas em sua vida vieram de sua mãe e avós maternos, cristãos.
Cara chega em casa do futebol, depois de ter sido a BOLA do campo, com o pé todo FERRADO... Mas aí tem uma super surpresa com seus quatro cãozinhos, que o deixa feliz da vida!
Investigação apura conluio de empreiteiras em obras de três complexos de favelas
O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato(Heitor Feitosa/VEJA.com)
A Polícia Federal no Rio de Janeiro pediu auxílio da Operação Lava Jato para levantar informações sobre uma possível fraude em licitação de obras de urbanização de três complexos de favelas - Alemão, Manguinhos e Rocinha - realizadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a partir de 2008.
Os investigadores apuram se houve conluio entre as empresas líderes dos consórcios vencedores dos contratos, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão - as três acusadas de cartel em obras da Petrobras.
O delegado da PF do Rio, Helcio William Assenheimer, que apura o caso, solicitou aos delegados da Lava Jato, em Curitiba, informações sobre as empresas e compartilhamento de provas que possam ajudar nas investigações sobre as fraudes nas obras do PAC.
Memorando anexado aos autos da Lava Jato nesta quarta-feira informa que tramita no Rio o inquérito policial. O processo de concorrência nacional para a realização de obras públicas de urbanização nas favelas do Complexo do Alemão, Manguinhos e Rocinha foi conduzido pela Secretaria de Estado de Obras do Rio de Janeiro.
O inquérito da PF no Rio foi aberto em 2013 e a concorrência vencida pelas empresas em 2008. Além do Ministério das Cidades e da Caixa Econômica Federal, o governo do Rio investiu nas obras. O Consórcio Rio Melhor, liderado pela Odebrecht, em parceria com a OAS e a Delta, venceu o contrato de 493 milhões de reais para realizar obras no Complexo do Alemão.
Já o Consórcio Manguinhos, liderado pela Andrade Gutierrez, em parceria com a EIT e Camter, venceu o contrato de 232 milhões de reais para executar os serviços no Complexo de Manguinhos.
O Consórcio Novos Tempos, encabeçado pela Queiroz Galvão, em sociedade com a Caenge e Carioca Engenharia, assumiu o contrato de 175,6 milhões de reais para as obras da da Rocinha.
Irregularidades - A Construcap, uma das companhias que participou da concorrência na época, denunciou direcionamento da licitação em acerto prévio. Um dos pontos investigados é o uso de um mesmo documento pelas três empresas.
No memorando, o delegado do Rio afirma que considerando que é de conhecimento público que as investigações da Lava Jato têm "logrado desvendar um amplo esquema de corrupção e direcionamento de contratações públicas, incluindo conluios entre as empresas citadas", o compartilhamento de informações pode ajudar no inquérito sobre o PAC.
Defesas - Procuradas, as empreiteiras Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão informaram, via assessoria de imprensa, que não comentariam o caso. A Secretaria de Obras do Rio deve ser pronunciar nesta quinta-feira.
Em nota, a Odebrecht informou que "não tomou conhecimento da investigação e se pronunciará no momento oportuno". A construtora afirmou, ainda, "que nunca participou de cartel para contratação com qualquer cliente público ou privado, e que todos os seus contratos foram celebrados na mais estrita conformidade com a lei".