quarta-feira 05 2015

Collor recebeu R$ 26 milhões em propina, segundo MPF


Esquema envolvia assessores, colaboradores e empresas ligadas ao senador e utilizava contratos de troca de bandeira de postos de combustível celebrados com a Petrobras

Reviravolta: de inimigo visceral do PT nos anos 90, Fernando Collor converteu-se em um de seus mais fieis aliados
Ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB - AL)(Cristiano Mariz/VEJA)
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que os carros de luxo do senador Fernando Collor (PTB-AL), apreendidos na Operação Politeia, não sejam devolvidos ao parlamentar. No documento, o procurador-geral narra que os veículos são possivelmente produto de crime e que as investigações apontam que Collor recebeu 26 milhões de reais em propina, entre os anos de 2010 e 2014, por meio de um "sofisticado esquema de lavagem de dinheiro".
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o propinoduto era oriundo do esquema do petrolão. Os repasses eram feitos por meio de contratos de troca de bandeira de postos de combustível, celebrados entre a Petrobras Distribuidora e a DVBR Derivados do Brasil. Estão ligados ao esquema assessores do Senado, colaboradores, empresas em atividade e empresas suspeitas de serem de fachada.
Entre 2011 e 2013, Collor teria recebido cerca de 800.000 reais em depósitos "fracionados", o que levantou suspeita do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O relatório das investigações enviado ao STF menciona ainda pagamentos de altos valores em espécie para o parlamentar, como depósito de 249.000 reais feito pela TV Gazeta da Alagoas, da qual o senador é sócio.
Além da TV, outras duas empresas de Collor aparecem nas investigações da PGR: a Água Branca Participações e a Gazeta de Alagoas. Há depósitos feitos em nome de uma empresa em favor de outra, com operação realizada por um assessor de Collor no Senado desde 2007. A suspeita dos investigadores é de que a Água Branca é uma empresa de fachada - não tem empregados, sede e nem participação em outras empresas. "Mas estranhamente tem a propriedade de três carros de luxo", escreve o procurador-geral.
Os investigadores relatam transferências para pagamento de um dos veículos feitas por empresa que já recebeu mais de 900.000 reais, no mesmo ano da aquisição do carro, de negócios vinculados ao doleiro Alberto Youssef, delator da Lava Jato.
Janot sustenta que a maior parte dos veículos - Lamborghini, Ferrari, Bentley e Land Rover - está registrada em nome da empresa Água Branca Participações. Já o Porsche está em nome da GM Comércio de Combustíveis. Para o procurador-geral, as empresas é que deveriam solicitar a devolução e não Collor, a menos que fosse apresentada uma justificativa que apontasse o motivo de o senador se considerar proprietário dos automóveis. Além disso, o procurador-geral afirma que não cabe restituição de produto de crime, pedindo que o STF negue a solicitação do senador.
A compra da Lamborghini, explica Janot, foi feita com entrega de um veículo no valor de 400.000 reais, mais financiamento de 1,6 milhão de reais, além de pagamento de parcelas em dinheiro no total de 1,2 milhão de reais. Na peça enviada ao STF, Janot revela que o financiamento da Lamborghini está "inadimplente", provavelmente em razão do "fim do fluxo de propina" pela deflagração da Lava Jato.
No documento, Janot aponta indícios de que os veículos foram usados para lavagem de dinheiro. O caso será analisado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no STF. O senador Fernando Collor não foi encontrado para comentar o assunto.
(Com Estadão Conteúdo)

Câmara acelera apreciação de contas presidenciais antigas

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), antes da sessão para a votação da MP 665, que restringe o acesso ao seguro-desemprego, no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)(Marcelo Camargo/Agência Brasil/Divulgação)
Na primeira votação no retorno do recesso, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), colocou em prática uma de suas armas para constranger o governo: iniciou a análise das contas de governo antigas aprovando a urgência da apreciação de quatro delas, referentes a 1992, 2002, 2006 e 2008. Embora seja prerrogativa do Congresso analisar a prestação de contas de governo, a medida é ignorada pelos parlamentares há mais de uma década. Cunha, no entanto, decidiu retomar a prática às vésperas de o Tribunal de Contas da União (TCU) avaliar as prestações de presidente Dilma Rousseff de 2014 - a tendência é que a corte rejeite e encaminhe o parecer para o Legislativo. (Marcela Mattos e Gabriel Castro, de Brasília)

Dirceu divide cela com contrabandistas em Curitiba


Também estão na ala da Polícia Federal com o petista os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Jorge Zelada e o doleiro Alberto Youssef

Chegada do ex-ministro José Dirceu, na sede da Polícia Federal em Curitiba, PR, nesta terça-feira (04)
Chegada do ex-ministro José Dirceu, na sede da Polícia Federal em Curitiba, PR, nesta terça-feira (04)(Félix R. /Futura Press/Folhapress)
O ex-ministro José Dirceu passou hoje a dividir uma cela na carceragem da Polícia Federal em Curitiba com dois contrabandistas. Preso na 17ª fase da Operação Lava Jato, Dirceu chegou por volta das 17 horas à capital paranaense e foi recebido por um grupo de manifestantes, em frente à Polícia Federal, com palavras hostis e provocação (Assista ao vídeo abaixo). Ao contrário dos demais detidos na Lava Jato, incluindo o empreiteiro Marcelo Odebrecht, Dirceu teve de abandonar a tradicional van da PF e entrar em outra viatura para evitar o protesto. Para o delegado Igor Romário de Paula, que atua na Lava Jato, havia uma concreta "preocupação de agressão" contra o petista.
Na tarde de hoje, o ex-chefe da Casa Civil foi levado para a área de custódia da Polícia e alojado na mesma ala em que também estão os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Jorge Zelada e o doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores do petrolão. Nenhum deles, porém, compartilha a cela com outros suspeitos da Lava Jato para evitar a combinação de versões e atrapalhar o curso das investigações.
Por ora, a principal preocupação dos investigadores é analisar a farta documentação apreendida na casa do irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, em Ribeirão Preto (SP). Entre o material apreendido há manuscritos de reuniões e documentos produzidos pelo próprio ex-ministro. A urgência na avaliação dos dados é importante porque Luiz Eduardo está em prisão temporária de cinco dias, e os policiais precisam decidir até sexta-feira, com base nas apreensões, se solicitam ou não a conversão da prisão em preventiva, quando não há prazo definido para a duração da detenção. Os documentos são cruciais também para embasar a provável denúncia a ser apresentada contra o petista nas próximas semanas.
Nesta quinta-feira, a defesa terá a primeira oportunidade de se encontrar com o ex-ministro na Polícia Federal. Para os policiais, apesar das negativas dos advogados, não há dúvidas de que José Dirceu atuou ativamente no escândalo do petrolão em benefício próprio, recolhendo propina para si e para a família.

terça-feira 04 2015

Dirceu: maus antecedentes e reincidência

José Dirceu é visto dentro do carro da polícia federal enquanto é transferido para Curitiba - 04/08/2015
José Dirceu é visto dentro do carro da polícia federal enquanto é transferido para Curitiba - 04/08/2015(Marcello Casal/Agencia Brasil/Handout/Reuters)
A prisão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu nesta segunda-feira deve trazer efeitos imediatos para a condição jurídica do petista no petrolão. Delatores da Operação Lava Jato apontam que Dirceu recebeu propina antes, durante e depois do julgamento do mensalão, que impôs a ele pena de sete anos e onze meses de cadeia. E é aí que a situação do petista se complica. Se for condenado pelo juiz Sergio Moro, ele será considerado detentor de maus antecedentes - porque recebeu propina antes da condenação do mensalão - e reincidente - porque voltou a praticar crimes depois de já penalizado. Como não é mais réu primário, a eventual condenação do ex-ministro ainda dificultaria uma futura progressão de regime e ampliaria prazos de prescrição. (Laryssa Borges, de Brasília)

Justiça britânica rejeita recurso de empresas ligadas a Maluf


Procuradoria-Geral do Município de São Paulo tem vitória histórica para repatriar 10,5 milhões de dólares desviados na gestão do ex-prefeito

Paulo Salim Maluf
Paulo Salim Maluf(Ivan Pacheco/VEJA.com)
A Corte de Apelação do Reino Unido sepultou definitivamente as pretensões de empresas ligadas ao deputado Paulo Maluf (PP/-SP) que pretendiam se livrar de condenação imposta pela Ilha de Jersey, paraíso fiscal onde o ex-prefeito (1992/1996) teria mantido valores supostamente desviados de obras emblemáticas de sua gestão, como o Túnel Ayrton Senna e a Avenida Água Espraiada.
Os magistrados do Privy Council rejeitaram recurso da Durant e Kildare, pelas quais circularam dinheiro que o Ministério Público de São Paulo afirma ter tido origem em propinas na administração Maluf.
A Kildare e a Durant possuem ações da Eucatex, grupo que pertence à família Maluf. Por conta bancária dessas empresas, Kildare e Durant, segundo o Ministério Público de São Paulo, passaram dinheiro desviado do Tesouro paulistano.
Na apelação ao Privy Council, sediado em Londres, Kildare e Durant pretendiam rastreamento dos dados da conta Chanani, controlada por um doleiro de São Paulo acusado de ter enviado dinheiro dos Maluf para Nova York.
O argumento central das empresas é a suposta conexão entre os ativos delas confiscados e a conta Chanani, usada para a lavagem de dinheiro desviado das obras de Maluf.
O rastreamento, segundo as empresas, provaria que a conta Chanani não pertencia a elas, mas ao doleiro. O Privy Council julga exclusivamente casos cercados de relevância, como no Brasil o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal.
A decisão definitiva da Corte londrina representa uma vitória histórica da Procuradoria-Geral do Município e o Ministério Público de São Paulo.
O ponto central do recurso das empresas ligadas a Maluf é que entre os 10,5 milhões de dólares que a Corte de Jersey reconheceu fraudatórios e mandou repatriar, apenas 7,7 milhões de dólares tinham a origem comprovada.
Para a Kildare e a Durant, os outros 2,3 milhões de dólares não poderiam ser atribuídos ao esquema e deveriam ser liberados, porque o Município de São Paulo não teria conseguido realizar a prova do caminho do capital.
Na prática, as empresas sustentaram que a Chanani não era uma conta usada por elas, mas que abrigava ativos de outras fontes. A decisão do Privy Council foi recebida com empolgação pelos advogados que a prefeitura de São Paulo contratou em Londres para acompanhar o caso. Os advogados estavam apreensivos.
Para a prefeitura, embora os valores envolvidos sejam bastante inferiores ao de atos de corrupção recentemente identificados, o resultado é juridicamente significante. O Privy Council se refere a vários precedentes negativos, que porém não aplicou a este caso, em que o "desaparecimento" do capital e seu surgimento em contas estrangeiras é inerente aos métodos de lavagem internacionais.
No julgamento, os advogados da prefeitura e os das empresas ligadas a Maluf realizaram explanações orais de suas razões e o resultado era incerto. A condenação definitiva resulta no bloqueio de recursos da Kildare e da Durant. Se esses valores não forem suficientes para cobrir as consequências da sanção, ativos das empresas serão liquidados.
Paulo Maluf sempre negou, desde o início das investigações sobre valores a ele atribuídos na Ilha de Jersey, envolvimento em desvios em sua gestão na prefeitura de São Paulo. A assessoria do ex-prefeito afirma que Maluf não tem conta em Jersey.
(Com Estadão Conteúdo)

STF autoriza transferência de Dirceu para Curitiba


Ministro Luís Roberto Barroso atende pedido de Sergio Moro e determina que petista seja levado para cidade da Lava Jato

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, é preso pela PF na 17ª fase da operação da Lava Jato
O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, é preso pela PF na 17ª fase da operação da Lava Jato(Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, relator do processo do mensalão, autorizou na noite desta segunda-feira a transferência do ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, de Brasília (DF) para Curitiba (PR). Dirceu foi preso na 17ª fase da Operação Lava Jato e levado para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Os demais presos, incluindo o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, já foram levados para a capital paranaense.
Apesar da decisão do ministro Barroso, Dirceu vai passar a noite na capital federal. O deslocamento será realizado nesta terça-feira - ainda não há um horário previsto. De acordo com o delegado responsável pela prisão do ex-ministro, Luciano Flores de Lima, não havia mais condições logísticas para a transferência na noite desta segunda.
O delegado disse que Dirceu chegou à PF se queixando de mal-estar. Um médico da confiança do ex-ministro constatou pressão alta. Lima informou também que Dirceu se alimentou como os demais presos, com a diferença de que sua comida estava sem sal, devido ao diagnóstico. Segundo o delegado, não foi preciso realizar o exame de corpo de delito, porque o médico que examinou Dirceu emitiu um atestado que substitui o exame. O ex-chefe da Casa Civil de Lula recebeu a visita de sua companheira, Simone Patricia Tristão Pereira, que levou roupas, inclusive de cama.
Prisão domiciliar - A transferência de Dirceu precisou de aval do STF porque ele cumpria em regime domiciliar a pena a que foi condenado por corrupção ativa no julgamento do mensalão. A exemplo do que já havia acontecido com o ex-deputado Pedro Correa (PP-PE), penalizado no mensalão e investigado na Lava Jato, Barroso entendeu que o ex-homem forte do governo Lula pode ser levado para o Paraná, onde tramitam os processos de investigados sem direito a foro privilegiado. "Entendo que a concentração dos atos de apuração criminal no foro do juízo que supervisiona o inquérito é perfeitamente justificável, na medida em que é lá que se encontram em curso as investigações", disse Barroso em seu despacho.
Nove meses após deixar o presídio da Papuda para cumprir prisão domiciliar, o ex-ministro-chefe da Casa Civil e mensaleiro condenado foi preso preventivamente pela Polícia Federal. O nome desta fase da Lava Jato - "Pixuleco" - faz referência justamente ao termo que o então tesoureiro do PT João Vaccari Neto usava para se referir ao dinheiro de propina com que a empreiteira UTC abastecia o caixa do PT. Foram presos também o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, na cidade paulista de Ribeirão Preto, e o carregador de malas do petista, Bob Marques .
A já complicada situação de José Dirceu se deteriorou ainda mais depois que os ex-companheiros do petista, que por anos o abasteceram com dinheiro, acabaram como delatores do petrolão e reforçaram os indícios de participação do petista no esquema que fraudou mais de 6 bilhões de reais em contratos. Além de Pascowitch ter apontado o caminho que levou à prisão do ex-ministro, outros depoimentos sobre os tentáculos do PT não deixam de ser menos espantosos: o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco estimou que o PT recebeu até 200 milhões de dólares em dinheiro sujo do esquema, enquanto o ex-vice-presidente comercial da gigante Camargo Corrêa, Eduardo Leite, afirmou às autoridades que a empresa pagou 63 milhões de reais para a diretoria de Serviços, então comandada por Renato Duque, aliado de Dirceu, e outros 47 milhões de reais para a Diretoria de Abastecimento da Petrobras.
Luiz Eduardo Oliveira e Silva, irmão do ex-ministro José Dirceu, preso na 17ª fase da Operação Lava Jato, chega à sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR) - 03/08/2015
Luiz Eduardo Oliveira e Silva, irmão do ex-ministro José Dirceu, preso na 17ª fase da Operação Lava Jato, chega à sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR) - 03/08/2015(Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/stf-autoriza-transferencia-de-dirceu-para-curitiba

Moro determina bloqueio de até R$ 20 mi de José Dirceu

José Dirceu, em imagem de 2005
José Dirceu: preso pela Lava Jato(Mauricio Lima/AFP)
O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, determinou o bloqueio de até 20 milhões de reais do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o principal alvo da 17ª fase da Operação Lava Jato. A ordem de bloqueio, também no valor de 20 milhões de reais, é extensiva também ao irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, ao assessor Bob Marques, à empresa JD Consultoria, apontada pelo Ministério Público como o mais frequente mecanismo de lavagem de dinheiro do petista, aos lobistas Olavo Hourneaux de Moura Filho, Fernando Hourneaux de Moura, Julio Cesar dos Santos e à empresa TGS Consultoria. Quatro outras pessoas, que de acordo com a acusação serviram como intermediários do pagamento de dinheiro sujo ao ex-chefe da Casa Civil, tiveram ordem de bloqueio de 2 milhões de reais cada. A interdição dos valores, praxe nos despachos da Lava Jato, servem para garantir recursos caso os suspeitos sejam condenados e tenham de ressarcir os cofres públicos. O Banco Central foi informado nesta segunda-feira do bloqueio. (Laryssa Borges, de Brasília)