sexta-feira 27 2015
quinta-feira 26 2015
Grã-Bretanha autoriza reprodução assistida com 'três pais'
A nação é a primeira a legalizar a técnica que pode prevenir doenças herdadas geneticamente
A Câmara dos Lordes aprovou na terça-feira a reprodução assistida com genes de três pessoas. No começo do mês a medida já havia sido aprovada pela Câmara dos Comuns, e agora o Estado se torna o primeiro a legalizar a técnica. A denominada doação mitocondrial tem como objetivo evitar a transmissão de doenças genéticas.
O tratamento é conhecido como fertilização in vitro com "três progenitores" porque os bebês, nascidos a partir de embriões geneticamente modificados, carregariam o DNA de uma terceira doadora, além dos da mãe e do pai.
A técnica mistura o DNA mitocondrial de uma doadora saudável com o núcleo do óvulo da mãe, que contém o DNA comum e é responsável por nossas características físicas e a maior parte das condições de saúde. Com isso, espera-se evitar doenças como problemas cardíacos, insuficiência hepática, distúrbios cerebrais, cegueira e distrofia muscular hereditária.
Mayana Zatz, geneticista da Universidade de São Paulo, explica que o DNA da mitocôndria corresponde a apenas 0,02% dos genes de uma pessoa, enquanto os demais 99,8% são o DNA que está no núcleo das nossas células. Por isso, não é correto dizer que a criança terá duas mães. "O DNA está quase todo no núcleo. É o mesmo que dizer isso de uma pessoa que passou por um transplante, por exemplo", afirma Mayana.
Avanço - Embora a técnica ainda esteja em fase de pesquisa na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, os especialistas acreditam que, agora que os obstáculos legais foram superados, o primeiro bebê de "três pais" nasça na Grã-Bretanha em 2016.
"A decisão garantirá que mães que carregam mitocôndrias defeituosas possam ter filhos saudáveis, livres das condições devastadoras", comemorou Mark Downs, presidente da Sociedade de Biologia.
Estima-se que doenças mitocondriais leves afetem uma a cada 200 crianças nascidas, e os casos mais severos, uma a cada 6 000.
(Da redação de VEJA.com)
quarta-feira 25 2015
Moody's rebaixa a nota da Petrobras para grau especulativo
Mercado
Com o rebaixamento, ações da empresa deixam de ser compra segura para investidores

Petrobras perde o grau de investimento dado pela agência Moody's (Vanderlei Almeida/AFP)
A agência de classificação de risco Moody's rebaixou na noite desta terça-feira a nota da Petrobras para grau especulativo. Isso significa que as ações da empresa não são mais consideradas um investimento seguro para investidores. O rebaixamento ocorre após investigações da Polícia Federal apontarem um esquema bilionário de desvio de dinheiro por meio de contratos da estatal, no âmbito da Operação Lava Jato. Em decorrência da descoberta dos desvios, a empresa tem dificuldades em contabilizá-los em seu balanço e, até agora, não conseguiu concluir a divulgação de seus resultados financeiros do ano passado. A nota da dívida da Petrobras foi rebaixada em dois degraus para Ba2, ante Baa3. A Moody's manteve a classificação da estatal em revisão para novo rebaixamento.
Segundo a Moody's, o rebaixamento reflete a crescente preocupação com as investigações da Operação Lava Jato e as pressões sobre a capacidade da estatal de honrar suas dívidas. A agência aponta que a atual situação financeira da Petrobras, cujo endividamento ultrapassa 300 bilhões de reais, pode levar ao calote de alguns de seus credores. Por isso a empresa não deve permanecer no rol de companhias com grau de investimento, diz a agência. "O rebaixamento também reflete a expectativa da Moody's de que a empresa será obrigada a fazer reduções significativas na estrutura de sua dívida nos próximo ano", afirma a nota emitida pela Moody's.
O rebaixamento era aguardado pelo mercado não só pelo alto endividamento da estatal, mas também pela necessidade que a empresa terá de reduzir seu plano de investimentos ao longo dos próximos anos. As perdas contábeis decorrentes da corrupção que se alastrou sobre a companhia pesam sobre a decisão da agência. Mas a dificuldade maior está na incerteza se a Petrobras conseguirá ou não honrar os compromissos de sua dívida com credores, já que, com menos projetos, consequentemente gerará menos caixa. A Moody's foi a primeira das três grandes agências (as outras são Fitch e Standard and Poor's) a rebaixar a nota da Petrobras.
Para se ter uma ideia do peso do rebaixamento, nem quando a General Motors passou por seu pior momento, durante a crise financeira de 2008, e teve de ser resgatada pelo governo americano, sua nota foi rebaixada pelas agências a grau especulativo.
A Moody's afirmou, em nota, que tem acompanhado as informações de que a Petrobras deve divulgar seu balanço auditado pela consultoria PriceWaterhouseCoopers no final de maio. Contudo, afirma que não há indícios suficientes de que a data se cumprirá. "A Moody's entende que a empresa está direcionando seus esforços para trabalhar com auditores e divulgar os balanços assim que possível, e que também está agindo para melhorar sua liquidez. Contudo, a Moody's não enxerga, ainda, nenhum sinal confiável de que os balanços estarão disponíveis em nenhuma data próxima", afirma a nota.
Num processo truculento, a estatal trocou, no início deste mês, toda a sua diretoria — incluindo a presidente Graça Foster, que foi substituída pelo então presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. O novo chefe da estatal assumiu o compromisso de rever o cálculo das baixas contábeis decorrentes dos desvios e publicar o balanço de 2014 com o aval de uma auditoria.
terça-feira 24 2015
segunda-feira 23 2015
Levy admite "escorregadinha" no controle das contas públicas
Conjuntura
Em São Paulo, ministro da Fazenda voltou a defender ajuste fiscal e disse que não há nada de problemático na economia

"O ajuste que vamos fazer agora está absolutamente dentro da nossa capacidade", disse Levy (Ueslei Marcelino/Reuters)
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admitiu que o governo pode ter falhado no compromisso de zelar pela estabilidade fiscal do país nos últimos anos. "Pode ter tido uma 'escorregadinha', mas a realidade aflora", afirmou, durante palestra da Câmara de Comércio França-Brasil, em São Paulo. O ministro ponderou, no entanto, que nos últimos quinze anos o controle das contas públicas passou a ser percebido como "extremamente importante".
Levy também disse que o ajuste fiscal que o país precisa exigirá "certa imaginação" e "esforço", mas salientou que não há nada de problemático na economia. "O ajuste que vamos fazer agora está absolutamente dentro da nossa capacidade", disse. "Tenho certeza que temos capacidade de fazer reengenharia da nossa economia sem grande dificuldade", afirmou.
O ministro também reafirmou a importância de rever alguns benefícios fiscais – 100 bilhões de reais de benefícios fiscais por ano é muito dinheiro, disse. Para o ministro, o seguro-desemprego, por exemplo, é uma proteção contra o inesperado, não um sistema de suporte. "Mudanças foram feitas para tornar estes instrumentos mais focados e mais fortes."
Desde que se assumiu a liderança da equipe econômica, Levy começou a reverter desonerações tributárias, que em 2014 atingiram 104 bilhões de reais. Uma das medidas foi o retorno da cobrança da Cide Combustível, do PIS/Cofins sobre produtos importados e a volta da cobrança do IOF em operações de crédito a pessoas físicas. Na palestra, Levy sinalizou mais mudanças no PIS, Cofins e ICMS. "Estamos com intenção de fazer ajustes, começando pelo PIS/Cofins", disse Levy, sem dar mais detalhes.
O ministro da Fazenda reiterou que o desequilíbrio fiscal de 2014 tem sido corrigido. Disse que déficit fiscal de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) não é sustentável e que 2% do PIB de superávit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) é um nível aceitável. Para este ano, a meta de superávit é de 1,2% do PIB. Para os próximos, a intenção é alcançar 2%.
(Com Estadão Conteúdo e agência Reuters)
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