sábado 17 2015

Não só não me arrependo das críticas ao papa como as reitero. Não entendi as críticas. Queriam o quê?

Apanhei pra caramba por causa das coisas que escrevi e disse sobre o papa Francisco. Não entendi a razão da indignação. Vejam na home o vídeo que gravei ontem. Afirmei ali que o Vaticano certamente viria a público para tentar consertar a burrada. E, como se pode constatar, foi exatamente o que aconteceu. Horas depois de a fala infeliz do papa ganhar o mundo, a Santa Sé teve de explicar o que o papa tentou dizer.
Caras e caros, sou católico, sim. Não tenho simpatia especial por esse papa — o “cardeal” Azevedo jamais teria votado nele —, mas isso nada tem a ver com a minha crítica. As palavras fazem sentido, e o papa acabou, na prática, vamos dizer, compreendendo os atos terroristas. Eu poderia até perdoar a ambiguidade em alguém com menos importância do que Francisco. Nele, nem pensar.
De resto, não está em debate se existe ou não a liberdade de ofender quem e o que quer que seja. Esse não é o debate. Até porque desconheço regime democrático que faça da ofensa um instrumento aceitável. É claro que não é. O busílis é saber se aquela reação é aceitável. Sim, eu sei, o papa afirmou que não se pode matar ninguém, mas deu um exemplo infeliz e ambíguo. Ora, ele não é um mero cronista de fatos do cotidiano. Aquele é o Trono de Pedro.
Não me arrependo do que disse e escrevi. Ao contrário: reitero as críticas que fiz, inclusive a outras ambiguidades do Sumo Pontífice. Francisco que pense antes de fazer declarações. Não fica bem o Vaticano ser obrigado a traduzir o que quis dizer a cada entrevista que concede.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Ritchie - A Vida Tem Dessas Coisas (v.2.009)





Ser de esquerda deleuze





sexta-feira 16 2015

Nota 1.000: estudante conta segredo da redação perfeita

Enem 2014

Apenas 250 estudantes conseguiram atingir a nota máxima na redação do Enem 2014. Para jovem que atingiu a pontuação, o segredo é o treino

Bianca Bibiano
Vanessa Feijó Andrade: treino de redação ao longo do ano garantiu nota 1.000 no Enem 2014
Vanessa Feijó Andrade: treino de redação ao longo do ano garantiu nota 1.000 no Enem 2014 (Acervo pessoal/VEJA)
Apenas 250 pessoas entre os 6,2 milhões de participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014 conseguiram tirar a nota máxima, de 1.000 pontos, na redação. Uma dessas pessoas foi Vanessa Feijó Andrade, de 20 anos de idade. "O segredo foi o treino antes da prova", revela a estudante.
Moradora de Fortaleza, no Ceará, Vanessa é aluna do cursinho preparatório Ari de Sá e já fez o Enem quatro vezes para realizar um sonho: entrar no curso de medicina. "Acredito que a nota deste ano seja suficiente para eu conseguir uma vaga", diz. O principal alvo da jovem é a Universidade Federal do Ceará.

No Enem 2013, Vanessa diz que não foi bem na prova de redação e decidiu pegar ‘mais firme nos estudos’ no ano seguinte. "Ao longo de 2014, eu fazia redações toda semana. Escrevia e levava para os professores corrigirem até aprimorar a escrita. Outra tática foi ler as melhores redações dos anos anteriores", diz. O Ministério da Educação (MEC) divulga anualmente as redações que tiraram nota 1.000 em seu portal.
Na hora do exame, realizado nos dias 8 e 9 de novembro de 2014, Vanessa diz que optou por responder uma parte das questões objetivas e, só depois, começou a redação. "Quando cheguei na sala de prova, estava um pouco dispersa. Depois das questões, fiquei mais concentrada e parti para o texto."

Como já havia praticado ao longo do ano, a jovem disse que só precisou fazer uma redação no dia da prova. "Deixei na folha de rascunho e terminei as questões da prova objetiva. Quando terminei, li minuciosamente o texto, corrigi erros e passei a limpo na folha de prova. Não entreguei antes de ler uma última vez." O cuidado final foi assegurar que não haveria erros de ortografia e pontuação, que poderiam tirar pontos.

De acordo com o MEC, a nota 1.000 na redação depende de um conjunto de cinco fatores, entre eles adequação à proposta do texto e o uso correto da língua portuguesa. Confira a seguir as competências avaliadas no exame:

Domínio da norma padrão da língua escrita

Nessa competência, o avaliador espera que o candidato demonstre conhecimento da modalidade escrita formal da língua. Em outras palavras, que ele saiba que existe diferença entre a fala e a escrita. 
“Existem algumas palavras que usamos no dia a dia que a norma culta não reconhece na escrita padrão”, diz Díran Ferreira, professor de língua portuguesa e redação do Cursinho da Poli. Como exemplo podemos citar o verbo “ter” no sentido de “existir”, que é muito usado em conversas informais, mas que na redação deve dar lugar a “existir” ou “haver”.
O texto dissertativo-argumentativo precisa ser claro, objetivo e direto. “É preciso ficar atento principalmente à obediência às regras de concordância nominal e verbal, pontuação, flexão de nomes e verbos e grafia das palavras”, diz Francisco Platão Savioli, supervisor de português do Anglo Vestibulares.

Compreensão da proposta e escrita de um texto dissertativo

Nessa segunda competência, o aluno é avaliado de acordo com a compreensão da proposta de redação – esta exige que o candidato escreva um texto dissertativo-argumentativo, um tipo de texto que demonstra a verdade de uma ideia ou uma tese.
“A 'fuga do tema' é um dos erros mais comuns e pode render nota zero na redação”, diz Francisco Platão Savioli, supervisor de português do Anglo Vestibulares. O professor conta que a maioria dos alunos falha em dois aspectos: não lê por completo todos os textos de apoio ou a proposta e se concentra apenas em um dos itens pedidos.
Os textos de apoio servem apenas para despertar uma reflexão sobre o tema. É preciso evitar ficar preso às ideias apresentadas neles. “Pense bem sobre o tema que foi proposto e decida como abordá-lo, qual será seu ponto de vista e como irá defendê-lo”, diz Savioli. 

Defender um ponto de vista e argumentar bem

O terceiro aspecto a ser avaliado é a forma como o participante da prova seleciona, relaciona, organiza e interpreta informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa do seu ponto de vista. A ideia a ser defendida precisa estar clara no texto e é necessário trazer argumentos que justifiquem a sua posição em relação à temática proposta na redação.
"O estudante deve trazer um repertório amplo para que consiga sustentar seus argumentos", diz Francisco Platão Savioli, supervisor de português do Anglo Vestibulares.  “A ideia é que a redação não desperte nenhum tipo de contestação ao leitor”, diz Savioli.

Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos


Nessa competência, o avaliador irá julgar a estrutura do texto e apresentação da argumentação. Os mecanismos linguísticos, que são basicamente palavras que conectam as declarações, são essenciais para desenvolver as ideias sobre o tema proposto de maneira clara e lógica.
As frases e os parágrafos devem estabelecer uma relação entre si e garantir uma sequência coerente do texto. “Nesse caso, os conectivos como 'e', 'também', 'mas' e 'porque' são grandes aliados”, diz Díran Ferreira, professor de língua portuguesa e redação do Cursinho da Poli.
Para garantir a coerência do texto, também é preciso ficar atento à utilização de preposições, conjunções, advérbios e locuções adverbiais. Esses recursos possibilitam uma correlação entre orações, frases e parágrafos. 

Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado

A última competência avalia se o candidato apresenta uma proposta de intervenção ao problema em questão. Nessa parte, é fundamental detalhar meios que respeitem os direitos humanos, o que implica em não romper com valores como cidadania, liberdade, solidariedade e diversidade cultural.
“Muitos candidatos resumem essa parte do texto em um desejo ou um aconselhamento, sugerindo que o governo ou a sociedade faça algo, entretanto esse procedimento não é suficiente.”, diz Francisco Platão Savioli, supervisor de português do Anglo Vestibulares.
O professor alerta que é importante que o candidato trabalhe detalhadamente alguns aspectos: escrever exatamente o que deve ser feito, por quem deve ser feito, como deve ser feito, para quem deve ser feito e para que deve ser feito.

Políticos na Suécia:sem luxos e sem mordomias! Quero o Brasil Assim!!





quinta-feira 15 2015

Congresso não vota as contas do governo há 14 anos

Legislativo


Constituição atribui ao Parlamento tarefa de apreciar anualmente as contas da administração pública, mas desde 2002 deputados e senadores ignoram esse dever e deixam a porta escancarada para o uso da "contabilidade criativa"

Laryssa Borges e Gabriel Castro
Relatórios do TCU sobre as contas dos governos federais são ignorados desde 2002 pelo Congresso
Relatórios do TCU sobre as contas dos governos federais são ignorados desde 2002 pelo Congresso (Ueslei Marcelino/Reuters)
Em todo o mundo democrático, uma das tarefas primordiais do poder Legislativo é a fiscalização dos gastos do Executivo. No Brasil, a Constituição prevê que cabe ao governo “prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior”. O texto estabelece que os parlamentares devem julgar se aprovam ou rejeitam a prestação de contas. Para essa tarefa, deputados e senadores deveriam se basear no parecer emitido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), um órgão auxiliar do Legislativo. Mas a última vez em que isso ocorreu foi em 2002, quando o Congresso aprovou as contas do ano anterior.

A exemplo dos vetos presidenciais, que por anos a fio ficaram sem votação no Congresso Nacional, a análise da prestação de contas dos governos federais é um tema pouco afeito ao interesse dos parlamentares. Desde 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, deputados e senadores não concluem a votação de nenhum relatório sobre críticas do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre deficiências na execução do Orçamento, em demonstrações contábeis e ou inconformidade da receita pública. Em parte, a análise das contas não ocorre por falta de interesse dos presidentes da Câmara e do Senado de colocarem os temas em efetiva votação; em parte porque os congressistas consideram que a aprovação ou reprovação de contas de um governo que já terminou seria apenas “simbólico” – mesmo que os últimos três presidentes da República tenham sido reeleitos.
Em entrevista a TVEJA, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, criticou a omissão do Congresso e apontou como um dos seus efeitos o fato de que rombos, como os 2,3 trilhões de reais do passivo atuarial, permanecerem ocultos do público.

O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que assumirá uma vaga no Senado em 1º de fevereiro, diz que o desprezo pelo assunto é mais um sinal de que o Congresso tem perdido sua autonomia nos últimos anos.  “Isso é extremamente importante. Não é simbólico. O Congresso tem transformado em simbólico o que é prerrogativa do Parlamento, como as sabatinas, a apreciação de vetos e as convocações de ministros”, diz o parlamentar.

Apesar de terem entre suas funções a fiscalização do Poder Executivo, o Congresso minimiza a importância de apreciar as contas do governo. E o desprezo persiste ainda que o TCU tenha detectado situações de possível maquiagem de dados, um recurso amplamente utilizado pelo Tesouro Nacional na chamada “contabilidade criativa”. Em 2013, por exemplo, o tribunal de contas contestou os dados apresentados pelo governo no programa Minha Casa Minha Vida depois de constatar que há conflito de números de moradias nas notas explicativas do Ministério das Cidades e na tabela publicada na prestação de contas da presidente Dilma Rousseff. Mais grave ainda: o TCU afirmou que naquele ano não foi possível acompanhar e mensurar os efeitos das recorrentes renúncias fiscais do governo – 80,3 bilhões de reais apenas em 2013.

Levantamento feito pelo site de VEJA no Congresso aponta que a falta de aprovação de contas de governo não se limita ao governo Dilma. Estão pendentes de votação contas desde 2002, último ano de FHC. Em casos extremos, como o próprio ano de 2002, o projeto só ficou pronto para apreciação em Plenário em fevereiro de 2011. E nunca foi a votação. No governo Lula, nenhuma das contas dos oito anos de sua gestão foi votada. A partir de 2009, os dados sequer saíram da Comissão Mista de Orçamento (CMO), colegiado que analisa previamente o parecer do Tribunal de Contas da União (TCU).

Um dos grandes gargalos para a votação, de acordo com a Mesa do Congresso, é a demora para os processos saírem da Comissão Mista de Orçamento (CMO) e depois uma nova demora para serem votados. As contas de 2002 e 2003, por exemplo, estão em um projeto aberto apenas em 2011. E nada se vota. Em 2012, após pressão do então presidente do tribunal Benjamin Zymler, o senador José Sarney (PMDB-AP), que presidia o Congresso na época, havia se comprometido a colocar em votação as sete contas dos governos dos ex-presidentes da República Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva que estavam prontas para análise do Plenário. A promessa acabou esquecida e segue insistentemente ignorada pelos presidentes Renan Calheiros (PMDB-AL) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).​
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/congresso-nao-vota-as-contas-do-governo-ha-14-anos

quarta-feira 14 2015

Cerveró é preso no Rio, ao desembarcar de um voo vindo de Londres; MP o acusa de cometer novos crimes. Ou: O que Dilma nunca explicou sobre este senhor


CERVERÓ- Dilma nunca explicou por que o recontratou em 2011 se sabia da bagunça de Pasadena fazia tempo
CERVERÓ- Dilma nunca explicou por que o recontratou em 2011 se sabia da bagunça de Pasadena fazia tempo
Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras e um dos principais investigados na Operação Lava Jato, foi preso no começo da madrugada desta quarta, pouco depois da 0h30, no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio, ao desembarcar de um voo vindo de Londres — segundo outros passageiros, ele estava na primeira classe. Sabem como é… Ninguém é de ferro. A operação foi realizada pela Polícia Federal, cumprindo ordem de prisão preventiva expedida pela Justiça. Em nota, o Ministério Público afirma haver “indícios de que o ex-diretor continua a praticar crimes”.
O MP informa ainda que, nesta terça, realizaram-se mandados de busca e apreensão na casa de Cerveró e de parentes. Atenção! Essa operação foi motivada, diz a nota, por “seu envolvimento em novos fatos ilícitos relacionados aos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro”. O que se conclui é que os documentos recolhidos nessa ação justificaram o pedido e o mandado de prisão preventiva. Para o Ministério Público, “a custódia cautelar é necessária, também, para resguardar as ordens pública e econômica, diante da dimensão dos crimes e de sua continuidade até o presente momento, o que tem amparo em circunstâncias e provas concretas do caso”.
Com base em informações fornecidas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), o MP constatou que, tão logo a Justiça acatou a denúncia contra Cerveró, o ex-diretor tentou transferir R$ 500 mil para a conta de sua filha — 20% da uma aplicação financeira —, a quem doou, recentemente, três apartamentos. Comprados por R$ 560 mil, o MP garante que eles valem pelo menos R$ 7 milhões.
Cerveró era um peixão da Operação Lava Jato que estava fora da cadeia. O MP o acusa de ter recebido US$ 40 milhões de propina em 2006 e 2007 ao intermediar a contratação de navios-sonda da Petrobras. Ele é ainda protagonista, como se sabe, de outro caso rumoroso, que não está sendo investigado nessa operação: a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, que, segundo o TCU, rendeu à estatal brasileira um prejuízo de US$ 792 milhões. Quando estava tentando se livrar do abacaxi, a presidente Dilma Rousseff disse que Cerveró fez um memorial omisso sobre a aquisição, ocultando a cláusula que impunha à empresa brasileira a compra da outra metade da refinaria americana.
Muito bem! Cerveró deixou a área Internacional da Petrobras em 2008. O que Dilma nunca explicou é por que ela própria o reconduziu a uma subsidiária da empresa: no dia 16 de junho de 2011, ele foi nomeado diretor financeiro da poderosa BR Distribuidora, de onde só foi demitido no dia 21 de março do ano passado, quando o caso Pasadena já estava fervendo.
Cerveró, tudo indica, tem muitas explicações a dar. Mas Dilma também.
Texto publicado originalmente às 3h19
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/cervereo-e-preso-no-rio-ao-desembarcar-de-um-voo-vindo-de-londres-mp-o-acusa-de-cometer-novos-crimes-ou-o-que-dilma-nunca-explicou-sobre-este-senhor/