domingo 28 2014

Aprenda a investir em dólares

A experiência das últimas duas décadas mostra que, via de regra, o investidor brasileiro precisa aprender a avaliar oportunidades gringas quando a economia doméstica patina.
Trata-se ainda de uma barreira cultural por aqui.
Podemos aprender com os vizinhos mais próximos. Argentinos e chilenos aplicam habitualmente em produtos financeiros denominados em dólares. Uruguaios fazem o mesmo, aproveitando-se de uma legislação bastante flexível nesse sentido.
No entanto, nós brasileiros continuamos viciados nas soluções caseiras, mesmo quando elas perdem para a inflação e para os impostos excessivos.
A desculpa de ignorância está sempre à mão, mas ela só serve para prejudicar nossos próprios bolsos. Ademais, não podemos sequer alegar desconhecimento do assunto: investir em moeda forte é muito mais fácil do que parece à primeira vista.
Por que os analistas da Empiricus recomendam aplicações em moeda forte?
Primeiramente, entendemos que o posicionamento em dólares deve ser religioso dentro de sua carteira, independente do momento econômico.
Ao ter parte de sua riqueza em USD, você diversifica a exposição de seu patrimônio, amenizando o risco-Brasil.
Um exemplo simples dos benefícios dessa diversificação: a inflação brasileira roda sistematicamente acima da inflação global. Isso faz com que – tudo o mais constante – o real perca valor em relação às moedas internacionais, sendo o dólar a principal delas.
De forma a impedir essa perda rotineira de valor, temos que oferecer taxas de juros muito superiores às do restante do mundo. Em condições normalizadas, isso não é tanto um problema, pois conseguimos pagar os juros com algum esforço. Mas quando a economia doméstica sai do prumo ou ocorre uma crise externa, nossa credibilidade afunda rapidamente e, por conseguinte, o dólar dispara em relação ao real.
Atenta à conjuntura que se desenha neste fim de 2014, a Empiricus calcula grandes chances de um evento de estresse cambial ao longo dos próximos meses, associado à possível reeleição de Dilma e à contração monetária esboçada nos EUA. Em tal cenário, os analistas da consultoria fazem projeções preocupantes para o real, e ambiciosas para o dólar, bem acima do patamar atual.
Desta vez, ao contrário das outras, você poderá se beneficiar diretamente da valorização do USD. Basta saber para onde ele vai, e como investir.

Bolsonaro e Alexandre Garcia falam sobre a Comissão da Verdade









Exagerou na ceia? Conheça 7 alimentos para desinchar

Dieta

Retenção de líquido, causada pelo consumo de alimentos comuns nas festas de fim de ano, pode elevar o peso em até 2 quilos

Patricia Orlando
Sódio em excesso pode aumentar em dois quilos o peso corporal por reter líquido no organismo
Sódio em excesso pode aumentar em dois quilos o peso corporal por reter líquido no organismo (Thinkstock/VEJA)
Não se surpreenda se você acordou depois da ceia com 2 quilos a mais na balança. Trata-se de retenção de líquido, decorrente dos excessos alimentares e da ingestão elevada de sódio. Apenas 1 grama de sal pode reter até 200 ml de água no organismo. 
De acordo com o nutrólogo Daniel Magnoni, do Hospital do Coração - HCor, em São Paulo, quando se consome muito sal, o volume dos vasos sanguíneos tende a aumentar para que o sódio seja diluído e, assim, excretado com mais facilidade. “Esse é o mecanismo que causa a sensação de inchaço. Mas é momentâneo”, explica. O sódio demora, em média, três dias para ser eliminado pelo organismo.
A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é ingerir até 2 gramas de sódio por dia, equivalentes a 5 gramas de sal. É fácil ultrapassar esse limite consumindo enlatados e embutidos, sempre presentes nas festas de fim de ano. Em duas fatias de presunto cozido, por exemplo, há 467 mg de sódio. A mesma quantidade de tender tem 445 mg. “Embutidos e produtos industrializados correspondem a cerca de 70% do nosso consumo diário de sal”, diz Tarissa Petry, endocrinologista do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.
Alimentos que desincham

Mamão

O mamão contém a enzima papaína, que ajuda na digestão ao auxiliar a quebra das moléculas de proteína. Ao facilitar a digestão, o sódio é excretado pelo organismo com mais facilidade.

Abacaxi

O abacaxi tem a enzima bromelina, semelhante à papaína presente no mamão. Com a mesma ação de auxiliar a quebra de proteínas, a enzima ajuda na excreção do sódio. “O importante é comer a fruta em si. O suco de abacaxi é muito calórico”, diz o endocrinologista João Eduardo Nunes Salles, vice-presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), comer abacaxi logo após a refeição é ideal. Não jogue as cascas fora. Elas carregam tanta bromelina quanto a polpa e servem para fazer chá.

Água

Para remover o excesso de líquido do organismo, é essencial tomar água. Ela estimulará o trabalho dos rins e ajudará a diluir o sódio. “Beber mais água faz o sistema urinário aumentar o seu funcionamento e a eliminar mais rapidamente os líquidos e os eletrólitos do sódio”, diz o nutrólogo Daniel Magnoni. A recomendação é tomar de 1,5 litro a 2 litros por dia, não mais do que isso. 

Banana

A banana é uma fruta rica em potássio, nutriente que auxilia na remoção do sódio pelo organismo por contrabalancear os efeitos do sódio. “Além disso, algumas pesquisas mostram que o consumo de potássio associado à baixa ingestão de sódio está relacionado com a diminuição da pressão arterial”, diz Tarissa Petry, endocrinologista do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

Chás

Além de estimularem os rins, como a água, os chás contêm fenólicos, compostos que reduzem o acúmulo de líquido na parede das artérias e são antioxidantes. “Se você conseguir diluir o excesso de sódio, a excreção será mais fácil”, aponta João Eduardo Nunes Salles.

Abacate

O abacate é uma das frutas que mais contêm potássio: 485 miligramas para cada 100 gramas. Assim como a banana, o abacate ajudará na excreção de sódio. Consumir frutas ricas em potássio é, ao lado da ingestão de água, uma das formas mais eficientes de desinchar.

Vegetais

Os vegetais possuem grandes quantidades de potássio e são alimentos de fácil digestão, características que ajudam na excreção de sódio. Por esses motivos, os vegetais devem ser os principais componentes das refeições no dia seguinte à ingestão exagerada de sódio. Mas cuidado com molhos prontos: eles são ricos em sódio.
Fontes: João Eduardo Nunes Salles, endocrinologista e vice-presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM); Tarissa Petry, endocrinologista do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo; Daniel Magnoni, nutrólogo do Hospital do Coração - HCor, em São Paulo.

sábado 27 2014

Racha no clube do bilhão: Camargo Corrêa negocia acordo

Em VEJA desta semana

Empreiteira negocia um acordo de leniência com o MP e pode ser a primeira das grandes a abrir o jogo sobre o esquema de corrupção na Petrobras

Bela Megale e Alexandre Hisayasu
Natal no xadrez - Familiares visitam executivos na carceragem da PF em Curitiba no dia 23.
Natal no xadrez - Familiares visitam executivos na carceragem da PF em Curitiba no dia 23. (Estelita Hass Carazzai/Folhapress)
A Camargo Corrêa está negociando com o Ministério Público a possibilidade de fechar um acordo de leniência com a Justiça. O acordo de leniência equivale à delação premiada para pessoas jurídicas — empresas envolvidas em crimes decidem contar o que sabem em troca de benefícios e atenuantes penais. Dois advogados da empreiteira confirmaram a VEJA que as conversas nesse sentido com os procuradores responsáveis pela Operação Lava-Jato estão em curso e devem ser retomadas logo depois do Ano-No­vo. Se elas derem resultado, a Camargo Corrêa será a primeira dissidente do clube do bilhão, grupo formado pelas maiores empreiteiras do país que, segundo o doleiro Alberto Youssef, combinava o resultado de licitações da Petrobras, superfaturava os preços e pagava a propina destinada a subornar políticos e funcionários da estatal. Três executivos da empresa estão presos desde a segunda semana de novembro: Dalton Avancini, diretor­presidente, João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração, e Eduardo Leite, vice-presidente.
Junto com eles, a Polícia Federal prendeu naquela data outros dezoito altos executivos de grandes empreiteiras — onze, incluindo os funcionários da Camargo Corrêa, continuam detidos na carceragem da PF em Curitiba (PR). Logo depois das prisões, as construtoras chegaram a conversar sobre a possibilidade de fechar um acordo coletivo de colaboração com a Procuradoria, mas a iniciativa foi rechaçada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que considerou a proposta um “cartel da leniência”. Desde então, os advogados indicavam ter desistido do acerto. Mas, há duas semanas, um dos advogados da Camargo Corrêa voltou a se reunir com os procuradores para discutir os termos de um acordo. A empresa já concordou em fazer a admissão de culpa, uma das exigências do Ministério Público que o grupo que tentou fazer o acordo coletivo não aceitava.

Petrolão: delivery de propina fazia entrega até no exterior

Em VEJA desta semana

Investigações revelam conexões no exterior do esquema de corrupção da Petrobras. A OAS, uma das empreiteiras envolvidas, mantinha uma “conta-corrente” usada, entre outras coisas, para enviar dinheiro sujo a vários países

Robson Bonin
O entregador - Rafael  ngulo Lopez era o responsável na quadrilha pela distribuição de dinheiro dentro e fora do Brasil
O entregador - Rafael Ângulo Lopez era o responsável na quadrilha pela distribuição de dinheiro dentro e fora do Brasil(Jefferson Coppola/VEJA)
Há duas semanas, VEJA revelou em detalhes como funcionava a entrega de propina em domicílio, o já imortalizado “money delivery” do petrolão, um serviço inovador em matéria de corrupção criado pelo doleiro Alberto Youssef para agradar a “clientes especiais” da quadrilha que desviou bilhões da Petrobras. Rafael Ângulo Lopez, braço-direito do doleiro, era quem comandava esse setor. Durante a última década, ele cruzou o país de norte a sul em voos comerciais com fortunas em cédulas escondidas sob as roupas que eram entregues aos figurões da República em hotéis, apartamentos, escritórios, estacionamentos, postos de gasolina e aeroportos. Rafael aprimorou o trabalho do clássico “homem da mala”. Em vez de valise, ele cumpria suas missões mais delicadas com o corpo coberto por camadas de notas fixadas com fita adesiva e filme plástico, daquele usado para embalar alimentos. Ciente da influência e do prestígio dos destinatários de suas “encomendas”, Rafael registrou o dia, o local e o montante de cada entrega que realizou a políticos. Um arquivo valioso que, para desespero dos corruptos, ele resolveu entregar à Justiça em troca de um acordo de delação premiada. Isso era o que se sabia até agora. Detalhes inéditos do arquivo em poder da Polícia Federal mostram que, além de implantar a entrega de propina em domicílio em todo o território nacional, a quadrilha estendeu o serviço de remessas a outros países.
Destacado nos últimos anos para fazer a entrega de quantias que variavam de 50 000 a 900 000 reais a figuras importantes da República, como o ex-presidente e senador Fernando Collor, o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, governadores (Roseana Sarney), ministros do governo Dilma Rousseff (Mário Negromonte) e deputados federais (Nelson Meurer, Luiz Argôlo e André Vargas), o “homem das boas notícias”, como o carregador de dinheiro era conhecido, também cumpria missões para as grandes empreiteiras do cartel da Petrobras. Uma delas, a Construtora OAS, com 10 bilhões de reais em contratos com a estatal, usava os serviços de Rafael Ângulo para levar dinheiro sujo a pelo menos três destinos da América Latina, Panamá, Peru e Trinidad e Tobago, todos países onde a Petrobras e a OAS mantêm escritórios e negócios milionários com governos locais. Com quantias que variavam de 300 000 a 500 000 reais presas ao próprio corpo, o braço-direito do doleiro deixava o Brasil pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. A porta de saída do país era estratégica, porque lá ele contava com a cobertura de outro comparsa da quadrilha, o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o “Careca”, que, infiltrado no aeroporto, conseguia garantir a passagem tranquila de Rafael pela fiscalização.
Uma vez alojado na sala de embarque, Rafael Ângulo alternava as entregas em três principais destinos: Lima, Cidade do Panamá e Porto de Espanha. No arquivo em poder dos investigadores, o entregador de dinheiro narra em detalhes o roteiro de cada “serviço” internacional. A missão começava no escritório central da OAS em São Paulo. A empreiteira tinha uma espécie de “conta-corrente” que era administrada pelo doleiro. Rafael retirava o dinheiro na sala do executivo José Ricardo Nogueira Breghirolli, preso e apontado como o elo financeiro entre a empreiteira e o esquema de corrupção que atuava na Petrobras. Alojados em grandes sacolas pretas, os pacotes de cédulas, divididos — dependendo da ocasião — em euros, dólares e reais, eram levados do escritório da OAS para o escritório de Alberto Youssef, em São Paulo. Depois, com a passagem comprada e o dia da viagem definido, Rafael Ângulo viajava para o Rio de Janeiro, onde iniciava a parte mais arriscada do trabalho. Em Lima, a capital do Peru, Rafael entregava o dinheiro ao gerente de contratos da OAS Alexandre Mendonça. O ponto de encontro era em uma universidade. O estilo reservado e a aparência europeia do carregador — um senhor de 61 anos com dupla nacionalidade, brasileira e espanhola — ajudavam Rafael a se passar por um provável acadêmico — ninguém desconfiaria de sua “bagagem cultural” no campus.  

Vinicius De Moraes e Toquinho - Para Viver Um Grande Amor





Para Viver Um Grande Amor - Vinicius de Moraes