sexta-feira 10 2014

Petrolão envolvia gente 'de cima', diz Youssef à Justiça

Justiça

Em depoimento, doleiro disse que o esquema de desvios de dinheiro na Petrobras começou em 2005, com o mensaleiro José Janene, já morto

Rodrigo Rangel e Hugo Marques, de Brasília
O doleiro Alberto Youssef em depoimento
O doleiro Alberto Youssef em depoimento (VEJA)
(atualizada às 20h21)
O doleiro Alberto Youssef também prestou depoimento à Justiça – e também fez revelações surpreendentes. Disse que o esquema de desvios de dinheiro na Petrobras começou em 2005, comandado pelo o ex-deputado federal José Janene. O parlamentar, já morto, também foi envolvido no esquema do mensalão.

Aliados pressionaram Lula para garantir nomeação de Costa
  A força do grupo político que comandava o esquema não era pequena. Paulo Roberto Conta que os parlamentares da quadrilha trancaram a pauta de votações no Congresso Nacional por 90 dias, até que a Presidência da República nomeasse um diretor da confiança do grupo na Petrobras. “Na época o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou louco, teve que ceder e realmente empossar Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento”, disse Youssef. O doleiro diz que a cobrança de comissão nos contratos acontecia em todas as diretorias da Petrobras. Segundo ele, Paulo Roberto Costa ficava com 30% do dinheiro da propina, o agente político ficava com 60%. Os 10% restantes eram divididos entre o doleiro Youssef e o mensaleiro João Cláudio Genu, que ficou conhecido como o “homem da mala”. Corrupção na Petrobras tinha 'ata' da quadrilha – A quadrilha que desviou dinheiro por 9 anos na Petrobras chegou a tal nível de sofisticação que era confeccionada uma ata paralela a cada reunião do grupo criminoso para dividir propinas de contratos públicos. O doleiro Alberto Youssef prometeu entregar as cópias dessas atas à Justiça nos próximos dias. Ele guardou as atas paralelas com uma pessoa de sua confiança. “Essas reuniões eram feitas às vezes com empresas, individualmente, e às vezes com as empresas junto com o diretor Paulo Roberto e o próprio agente político que estava comandando a situação, para discutir exatamente questões de valores, questão de quem ia participar do certame e outro tipo de situação. E outros problemas que se encontravam nas obras, que pediam para solucionar. Isso era feito uma ata nessa reunião. Participava o agente político, o Genu (João Cláudio Genu), eu, o Paulo Roberto”, disse o doleiro. Estarrecido, o juiz Sérgio Moro perguntou ao doleiro se nessas atas paralelas constavam os detalhamentos do negócio. “Constavam os detalhamentos, vossa excelência”, respondeu Youssef. O doleiro afirmou que as empresas não tinham como correr do pagamento de propina para a quadrilha. “As empresas, principalmente as grandes, ficavam reféns desse esquema porque: ‘ou participa ou não tem obra’”, disse Youssef. As reuniões do grupo eram feitas geralmente em hotéis no Rio e em São Paulo ou na residência do “agente político” que comandava o contrato e que iria se beneficiar do desvio. “Todo mundo sabia o que estava acontecendo”, disse Youssef.
Empresas dividiam pacote de obras – O doleiro revelou como funcionava a divisão de grandes obras da Petrobras. Ele informou que participou diretamente de várias dessas reuniões com as grandes empreiteiras, antes mesmo da licitação. "O conhecimento que tenho é que existia um acerto entre as empresas, não na questão das licitações, mas sim quando saía um pacote de obras na Petrobras. As empresas, elas entre elas, tratavam de se relacionarem e obterem quem ia ser o ganhador daquela obra", disse Youssef.
1% para o PP – A empresa que não topasse pagar 1% para o PP, segundo Youssef, não assinava o contrato. "Ela ganhava a obra. Se não pagasse, tinha ingerência política e do próprio diretor", disse o doleiro.
Doleiro aponta as empresas – O doleiro também confirmou os nomes de todas as empresas e dos diretores com quem negociou. A lista do doleiro inclui as empresas OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Engevix, Odebrecht, UTC, Jaraguá, Odebrecht e Tomé Engenharia, entre outras.
"Havia muitas pessoas acima de Costa" – Youssef afirmou que havia muitas pessoas no esquema acima de Paulo Roberto Costa na organização criminosa, incluindo “agentes públicos”. Advertido pelo juiz de que não poderia citar nomes de pessoas com foro privilegiado (deputados, senadores, ministros, presidente da República), ele não pode identificar a quem se referia. Na hierarquia da empresa, a diretoria de Abastecimento está subordinada à presidência da estatal, que responde ao ministro das Minas e Energia e, acima deste, o presidente da República.
“Em primeiro lugar quero deixar claro que não sou o mentor nem o chefe desse esquema. Na acusação diz que sou mentor e chefe da organização criminosa. Eu não sou. Eu sou apenas uma engrenagem desse assunto que ocorria na Petrobras. Tinha gente muito mais elevada acima disso, inclusive acima de Paulo Roberto Costa, no caso agentes públicos. Esse assunto ocorria nas obras da Petrobras e eu era um dos operadores”, disse Youssef

Em depoimento à Justiça, Costa desvenda engrenagem do petrolão

Lava Jato

Justiça do Paraná liberou a íntegra do depoimento do ex-diretor da Petrobras. Nele, o delator do petrolão aponta as empresas, partidos e operadores do esquema. Só não revela os nomes de políticos com foro privilegiado, como determina a lei

Rodrigo Rangel e Hugo Marques, de Brasília
CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014
CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014 (Ueslei Marcelino/Reuters)
(atualizado às 15h03)
Esquema operava em todo o governo – Paulo Roberto Costa disse à Justiça que o esquema de loteamento político está espalhado por todos os órgãos de governo. Por isso, as empreiteiras nunca se recusaram a pagar propina.  “Essas empresas tinham interesses em outros ministérios capitaneados por partidos. E, como falei, essas empresas são as mesmas que participam de várias outras obras, quer sejam ferrovias, rodovias, aeroportos, portos, usinas hidrelétricas, etc. etc.. saneamento básico, Minha Casa Minha Vida... Ou seja, todos os programas, nos ministérios, têm políticos de partidos. Se você cria um problema de um lado, pode-se criar problema do outro. No meu tempo lá, eu não lembro de nenhuma empresa ter deixado de pagar. Houve alguns atrasos das empresas do cartel, mas deixar de pagar nunca deixaram.”

Candidato ao governo do RJ pediu dinheiro a Costa - 
A pedido do Ministério Público, Paulo Roberto deu explicações sobre uma planilha apreendida pela Polícia Federal em que aparecia uma lista de empreiteiras que, por meio dele, ajudariam nas eleições. Ele diz que a planilha se referia, especificamente, a empresas que poderiam fazer doações para a campanha de um candidato ao governo do Rio de Janeiro nas eleições deste ano.  O nome do candidato não foi citado.Tesoureiro do PT administrava a propina – Costa deu o nome dos operadores dos partidos que recebiam e administravam o dinheiro desviado da estatal. Ele afirma que a propina do PT era administrada pelo tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, que tratava diretamente com o então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque. O operador da propina que cabia ao PMDB era o lobista Fernando Soares, também conhecido como Fernando Baiano. “Dentro do PT a ligação que o diretor de serviços tinha era com o tesoureiro na época do PT, o senhor João Vaccari. A ligação era diretamente com ele. Do PMDB, da Diretoria Internacional (comandada por Nestor Cerveró), o nome que fazia essa articulação toda chama Fernando Soares.”
“Teve um candidato ao governo do Rio de Janeiro que me procurou, eu já tinha saído da Petrobras. Foi no início de 2014 e o objetivo era que eu preparasse pra ele um programa de governo na área de energia e infraestrutura de um modo geral. Participei de umas três reuniões com esse candidato e foi listada uma série de empresas que poderiam contribuir com a campanha que ele estava concorrendo. Ele me contratou para fazer o programa de energia e infraestrutura de modo geral. Listou uma série de empresas. Algumas que eu tinha contato e outras, não. Hope RH não conheço. Mendes Júnior conheço, UTC conheço, Constran nunca tive contato, Engevix conheço, IESA conheço e Toyo Setal conheço. Foi solicitado que houvesse a possibilidade de essas empresas participarem da campanha (...) Era uma candidatura para o Rio de Janeiro.”
Tentáculos na Transpetro - O ex-diretor  afirma que o esquema também funcionava em pelo menos uma das subsidiárias da Petrobras, a Transpetro, cujo presidente, Sergio Machado, é indicado do PMDB. Paulo Roberto diz ter recebido das mãos do próprio Sergio Machado 500.000 reais, a título de propina pela contratação de navios – ele diz que recebeu porque se tratava de um negócio que precisava também do aval de sua diretoria. Sergio Machado preside a Transpetro até hoje. “A Transpetro tem alguns casos de repasse para políticos (...) Recebi uma parcela da Transpetro. Recebi, se eu não me engano, 500.000 reais. (Quem pagou) foi o presidente da Transpetro, Sergio Machado (...) Foi devido à contratação de alguns navios e essa contratação depois tinha que passar pela Diretoria de Abastecimento (...) Esse valor me foi entregue diretamente por ele (Sérgio Machado) no apartamento dele, no Rio de Janeiro.”  
PT liderava rateio da propina - Costa também afirmou que a maior parte da propina cobrada na Diretoria de Abastecimento era dividida entre o PP e o PT. Ela afirma que dos 3% pagos pelas grandes empreiteiras por contratos fechadas com a Diretoria de Abastecimento, 1% ia para o PP e 2% iam para o PT. O ex-diretor revelou que a parcela que cabia ao caixa petista era administrada pela Diretoria de Serviços, encarregada de organizar as principais licitações da Petrobras, e comandada por Renato Duque, indicado do PT, que tinha como padrinho o mensaleiro José Dirceu.
“Dos contratos da área de Abastecimento, dos 3%, 2% eram para atender o PT através da diretoria de serviço. Outras diretorias, como Gás e Energia e como Exploração e Produção, também eram (do) PT. Então se tinha PT na Exploração e Produção, PT na Diretoria de Gás e Energia e PT na área de Serviços. O comentário que pautava lá dentro da companhia é que nesse caso os 3% ficavam diretamente para o PT. O que rezava dentro da companhia é que esse valor seria integral para o PT. A Diretoria Internacional tinha indicação do PMDB. Então tinha recursos que eram repassados para o PMDB na diretoria Internacional.”
Cartel de empreiteiras - O ex-diretor informou ainda que  a organização criminosa que operava na estatal era muito mais sofisticada do que parecia. Segundo ele, havia um cartel de grandes empreiteiras que escolhia as obras, decidia quem as executaria e fixava os preços.  Era como se a companhia tivesse uma administração paraestatal. 
Costa listou oito empreiteiras envolvidas no cartel: Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Iesa, Engevix, Mendes Junior e UTC – e os nomes de seus interlocutores em cada uma delas. As empreiteiras superfaturavam os custos e repassavam até 3% do valor dos contratos para os “agentes políticos”. No caso da diretoria de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto Costa,o dinheiro desviado era dividido entre o PT, o PMDB e o PP. “Na realidade o que acontecia dentro da Petrobras, principalmente a partir de 2006 para frente, era um processo de cartelização", afirmou.
“Ficou claro para mim esse, entre aspas, acordo prévio entre as companhias em relação às obras. Existia claramente e isso me foi dito pelas empresas que havia uma escolha de obras dentro da Petrobras e fora da Petrobras. Por exemplo, usina hidrelétrica de tal lugar, neste momento qual empresa  está mais disponível para fazer? E essa cartelização obviamente resulta num delta preço (diferença de preço) excedente", prosseguiu. “Na área de petróleo e gás, essas empresas, normalmente, entre os custos indiretos e seu lucro, o chamado BDI, elas normalmente colocam algo entre 10 e 20%. O que acontecia especificamente nas obras da Petrobras? Por hipótese, o BDI era 15%? Então se colocava em média 3% a mais. E esses 3% eram alocados para agentes políticos. Em média, 3% de ajuste político.”
Esquema financiou 'várias' campanhas em 2010 - Segundo Paulo Roberto, as “empresas do cartel” tinham pleno conhecimento de que a propina servia para abastecer políticos e campanhas eleitorais. O ex-diretor da Petrobras afirmou que, nas eleições de 2010, o esquema financiou “várias” campanhas. Por impedimento legal,  o ex-diretor não pode revelar quais.
A propina do PP - Indicado pelo PP para a diretoria de Abastecimento, Paulo Roberto ficou milionário. Em apenas uma de suas contas no exterior foram encontrados 26 milhões de dólares.  Ele e o doleiro Alberto Youssef ficavam com um pedaço da cota de propina destinada ao partido. “Do 1% que era para o PP, em média, obviamente que dependendo do contrato podia ser um pouco mais um pouco menos, 60% iam para o partido, 20% era para despesas, nota fiscal, envio, etc., e os 20% restantes eram repassados 70% pra mim e 30% para Janene ou Alberto Youssef (...) Eu recebia em espécie, normalmente na minha casa ou no shopping, ou no escritório depois que eu abri a companhia minha de consultoria (...) Normalmente (quem entregava era) ou Alberto Youssef ou Janene.”

quinta-feira 09 2014

Em São Paulo, Dilma foi campeã de votos. Nos presídios

Maquiavel

Veja.Com

A presidente da república e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, durante reunião com governadores e senadores, nesta terça-feira (07), em Brasília
A presidente da república e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, durante reunião com governadores e senadores, nesta terça-feira (07), em Brasília (Evaristo SA/AFP)
Em ao menos um segmento do eleitorado no Estado de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff (PT) e o candidato petista ao governo, Alexandre Padilha, foram campeões de votos: entre os presidiários. Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral, a petista recebeu 51% dos votos válidos (460 votos) contra 9% (81 votos) do tucano Aécio Neves — a candidata derrotada Marina Silva (PSB) teve 22% (203 votos). Para se ter uma ideia, em todo o Estado, Dilma conseguiu 25,82% dos votos (5.927.503 votos), enquanto Aécio angariou 44,22% (10.152.688 votos). Marina ficou com 23,09% (5.761.174 votos). O desempenho petista se manteve na disputa estadual. O candidato derrotado Padilha arrebanhou 42% dos votos válidos (382 votos), ante 13% (118 votos) de Geraldo Alckmin — Paulo Skaf (PMDB) ficou com 16% (150 votos).


O levantamento também mostrou que o ex-palhaço Tiririca foi o candidato a deputado mais votado (333 votos) nos presídios paulistas. Ao todo, 897 presos votaram nessas eleições em quatorze unidades prisionais do Estado. Apenas as prisões que tinham mais de cinquenta eleitores receberam urnas no último domingo. (Eduardo Gonçalves, de São Paulo)

PGR arquiva parte de representação do PT contra Aécio sobre aeroporto

Eleição 2014

Janot afirma em parecer que não há indícios suficientes para abertura de investigação criminal

Rodrigo Janot, procurador-geral da República
Rodrigo Janot, procurador-geral da República (Sergio Lima/Folhapress/VEJA)
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, arquivou parte de uma representação que o PT fez contra o candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB) devido à construção do aeroporto de Cláudio, em Minas Gerais. A construção do aeroporto foi realizada em uma área desapropriada pelo Estado na terra do tio-avô do tucano. A decisão anunciada por Janot aponta que não há indícios suficientes para justificar uma abertura de investigação criminal. 
O procurador determinou, no entanto, que a representação fosse encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais para a avaliação de casos de improbidade administrativa.
A decisão sobre a abertura de investigações para apurar supostos casos de improbidade cabe agora ao MPF em Minas. Procurada pela reportagem, a assessoria da campanha de Aécio Neves confirmou o arquivamento da parte criminal e disse que o caso agora está na instância competente do Ministério Público.
A construção do aeroporto foi realizada no final do segundo mandato de Aécio no governo mineiro e custou 14 milhões de reais. Além de operar sem homologação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Múcio Guimarães Tolentino, tio-avô de Aécio, é quem guarda as chaves do local. O caso foi revelado pelo jornal Folha de S.Paulo em julho. 
Na representação, o PT pediu a abertura de investigações pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), prevaricação, emprego irregular de verbas públicas e exposição de aeronave ao perigo, uma vez que pista opera sem homologação.
De acordo com o PT, fora as questões criminais, o fato do tio-avô guardar as chaves do aeroporto, a falta de homologação da Anac, a escolha do local para construção e o custo da obra configuram casos de improbidade.
(Com Estadão Conteúdo) 

Como escolher uma cuia de chimarrão

por 
em 23/06/2012 às 19:05 |
Entre todos os elementos regionais que compõe a rotina dos grandes líderes latinos em imagens históricas, um destaca-se pela presença constante em momentos de reflexão: o chimarrão. Não por se tratar de uma bebia típica da América do Sul, berço de revolucionários. Mas porque o sentimento de beber chimarrão se confunde com o sentimento de ser cisplatino.
O chimarrão tem origens indígenas. Um hábito legado pelas culturas quíchuas, aimarás e guaranis. O primeiro homem branco a provar o mate, de acordo com o livro A História do Chimarrão, de Barbosa Lessa , foi o General Domingo Martínez de Irala, em 1554. Ele teria gostado da sensação de relaxamento causado pelas ervas e prestigiado a cultura difundindo o mate entre colonizadores na Argentina e Uruguai.
A bebida quente feita com ervas foi caindo no gosto dos fazendeiros do pago gaúcho. A partir de adaptações na bomba, porongo e hábitos que geraram etiquetas na divisão de um mate, a partilha da água quente tornou-se uma cerimônia. O chimarrão passou do status de bebida para um espírito democrático. O afago refletido em dividir uma cuia reflete a união, confiança e coletividade.
Por isso a importância de encontrar a cuia perfeita.

Che Guevara e Getúlio Vargas: adeptos do mate
O material utilizado para a produção da cuia é o porongo. A primeira colheita se faz no mês de janeiro, quando o porongo está ficando maduro e pronto para ser raspado manualmente. Deve-se ter uma atenção redobrada no processo de secagem para não xuringar o fruto, permitindo a secagem uniforme e homogenia. Começa aí o processo de beneficiamento do porongo para transformá-lo em cuia.
Já extraída do porongo, a cuia fica no estaleiro que circula corrente de ar. A ideia é não rachar e perder o cheiro bastante próprio. Após isso, fura-se o centro da cuia retirando do interior o bagaço mole até chegar na parede dura da cuia.
A parte do acabamento fica por conta de uma boa cera de polir e um motor de alta rotação para dar brilho uniforme. Surge assim uma cuia lisa e polida. Independente do formato.
Pois engana-se quem acha que cuia é igual

Cuia uruguaia: coquinho, gajeta e torpedo


Três tipos de cuias propícias ao matear sozinho
Esse formato de cuia coquinho é o tradicionalmente utilizado pelo gaúcho solitário do campo. Destaca-se por ser mais, digamos, estilosa e popular entre os mais jovens. O tamanho do bocal de inox varia de acordo com a região. No Uruguai, por exemplo, é bastante discreto. Na Argentina o detalhe ganha contornos mais chamativos.
A gajeta, produzida com o porongo grosso, é feita basicamente para quem consome o chimarrão solito. Por ser bastante curta, tem vantagem de possibilitar o consumo rápido e antes que a água esfrie. Foi criada pelos índios e é muito encontrada no interior do Paraná e oeste do Paraguai. Não necessita de suporte e tem um manuseio muito prático.
Já a torpedo não possui muitas diferenças quando comparada com a chamada coquinho, o primeiro exemplo. O grande avanço dela é não necessitar de suporte móvel. O formato quadricular permite o apoio sem quaisquer riscos de queda. O ponto fraco é meramente estético, uma vez que esse estilo perde-se um pouco no padrão das outras cuias.

Cuia gaúcha


Cuias a venda na Semana Farroupilha, em Porto Alegre (RS)
A cuia gaúcha tem como principal ponto o diferenciado tamanho. Com uma curva ao centro que desconstrói o modelo redondo imortalizado pelos uruguaios e argentinos, torna-se ideal para quem visa compartilhar o chimarrão em rodas. Não que seja uma bobagem para quem deseja ficar sozinho, mas esse espaço de abastecimento cabe ao usuário que necessita de uma cuia para tomar em grupo.
Não há uma questão lógica no tamanho na cuia. É como escolher um cachimbo. Vai do perfil do consumidor. Das mais trabalhadas e personalizadas até as rústicas e clássicas, a cuia deve servir para te identificar dentro de uma sociedade. Como se fosse uma extensão da sua personalidade charrua imortalizada por meio de rituais que sobreviveram centenas de anos.
Bó.
Me puxei agora.

"Quem não tem Parcão caça com Ibirapuera", já dizia o verso
Com a cuia perfeita, aquela adquirida após você analisar todos os bons momentos que vai compartilhar – ou não – o chimarrão, é hora de algo mais importante ainda: o preparo. Trata-se de uma cerimônia única. Algo que deveria ser ensinado em escolas do sul do  Brasil. Deixar a cuia perfeitamente preparada para receber a água quente é um ritual que envolve paciência, técnica e bons minutos de saudosismo.
Como bem explica nesse artigo o nosso autor Luiz Mindium, na roda de chimarrão a figura principal é a do mateador. Além de preparar, é o primeiro a beber, em sinal de educação, já que o primeiro chimarrão é o mais amargo. Também é de praxe o que fica com a chaleira ou a térmica, para encher e passar para as mãos de outra pessoa, iniciando a roda. Ele também alerta aos iniciantes que devem tomar o chimarrão totalmente, fazendo a “cuia roncar”, pois assim toda a água é sorvida e o próximo vivente pode tomar um mate zerado.
Outros importantes lembretes para você que vai curtir um mate:
  • Água não é fervendo. Apenas esquente a água. Água fervendo queima a erva e modifica o gosto.
  • Acabou o chimarrão? Passa pra frente. Mas não antes de encher a cuia de novo. Quanto mais o chimarrão roda, mas ele fica melhor.
  • O dono da casa faz o primeiro mate. Isso significa um gesto de amizade, boas vindas e receptividade. Sem contar que o primeiro é sempre o pior. Então o dono da casa que se vire.
  • Chimarrão se passa com a mão direita. Entregar a cuia para o amigo com a mão esquerda significa falta de educação.
  • Faça roncar a bomba. Não passe o chimarrão antes da bomba roncar. Isso significa que ainda há água e você está negando. Se há água, você deve bebe-la.
Partiu chimas na redença?
Nota do editor: fonte e referência: Chimarrão.com

Meire Poza, o chantagista e a mala de dinheiro

Operação Lava Jato

Em depoimento à CPI da Petrobras, a contadora da quadrilha do doleiro Alberto Youssef confirmou que o PT pagou com dólares o mensaleiro Enivaldo Quadrado, e que o esquema de seu patrão movimentava grandes quantias de dinheiro – inclusive em malas

Robson Bonin e Adriano Ceolin
Meire Poza na CPI Mista da Petrobras, em 08/10/2014
Meire Poza na CPI Mista da Petrobras, em 08/10/2014 (Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
Meire Poza, a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef,  revelou nesta quarta-feira à CPI da Petrobras que foi três vezes, em maio, junho e julho deste ano, pegar dinheiro com um militante do PT a pedido de Enivaldo Quadrado, um dos condenados no escândalo do mensalão. Em duas ocasiões, recebeu um pacote de reais. Em outra, dólares.
No mês passado, VEJA revelou que o mensaleiro Enivaldo Quadrado estava chantageando o PT. Ele ameaçava revelar que, em 2004, o partido comprara por 6 milhões de reais o silêncio do empresário Ronan Maria Pinto, que — em outra chantagem — ameaçava envolver o ex-presidente Lula, o ministro Gilberto Carvalho e o ex-ministro José Dirceu no assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santa André.
O que assustava os petistas era a possibilidade de Enivaldo desvendar para a Polícia Federal todo o significado de um documento apreendido no escritório do doleiro — um contrato mostrando que os tais 6 milhões de reais exigidos em troca do silêncio foram efetivamente transferidos para Ronan Maria Pinto em 2004. 
Meire Poza contou que foi três vezes à casa do jornalista Breno Altman, militante do PT e amigo do também mensaleiro José Dirceu, buscar “parcelas” equivalentes a 15.000 reais mensais. O dinheiro, de acordo com o depoimento prestado nesta quarta pela contadora, teria sido usado por Quadrado para quitar a multa imposta pela Justiça pelo seu envolvimento no escândalo do mensalão.
Reprodução/VEJA
Dólares entregues pelo PT à contadora Meire Poza para que ela os encaminhasse ao mensaleiro Enivaldo Quadrado
A VEJA, no entanto, Meire Poza disse que Enivaldo Quadrado, seu amigo e parceiro de negócios, revelou que o contrato dos 6 milhões “era seu seguro de vida contra o PT”. Quando a polícia desencadeou a operação Lava Jato e apreendeu o documento com Alberto Youssef, ele viu a chance de ganhar um pouco mais com seu silêncio.  A foto do maço de dólares (veja ao lado), dinheiro entregue por Breno Altman a Meire Poza no último encontro entre os dois, foi tirada por um dos envolvidos na transação como garantia de que o compromisso fora de fato cumprido.
O tesoureiro do PT, João Vaccari, segundo a contadora, era o encarregado de administra o silêncio de Enivaldo Quadrado.
Na primeira vez que esteve na casa de Breno Altman, Meire Poza conta que nem chegou a entrar. O envelope com dinheiro foi repassado ainda no portão. Depois, no segundo encontro, o próprio Breno recebeu a contadora na sala da casa dele para fazer o pagamento. A conversa, segundo a contadora, foi gravada. Nela, preocupado, Breno disse que seria preciso encontrar uma forma de forjar uma operação financeira para esquentar os pagamentos. A sugestão do petista foi simular a venda de um carro. Enivaldo Quadrado tem uma revenda de veículos em Assis (SP).
As chantagens assombram o PT há tempos. Em 2012, o publicitário Marcos Valério prestou um depoimento à Procuradoria da República, em que revelou que Ronan Maria Pinto chantageou a cúpula do PT. Ele queria, segundo Valério, 6 milhões de reais para não comprometer Lula, o ministro Gilberto Carvalho e José Dirceu na morte do ex-prefeito de Santo André. Valério, então operador do mensalão, contou que  foi procurado pelos petistas para providenciar o dinheiro. 
O contrato apreendido com Youssef em 2014 mostra que Marcos Valério ajudou a levantar a quantia – e dá veracidade às informações prestadas por ele aos procuradores dois anos antes.
Malas — Meire Poza também falou sobre o esquema montado pelo doleiro para recolher dinheiro das empreiteiras que tinham contratos com a Petrobras e distribuir a políticos. Na entrevista a VEJA, ela deu detalhes de como funcionava a engrenagem de corrupção. Foram horas de conversas, entrevistas gravadas e mensagens trocadas, nas quais ela confirma que malas e malas de dinheiro circulavam nas mãos de Youssef.
Indagada por parlamentares sobre essa intensa movimentação de dinheiro, primeiro ela disse que não havia falado isso. Na sequência, porém, confirmou a circulação de grandes quantias e o repasse aos políticos, exatamente como estava descrito na entrevista — e em malas.
A contadora relatou  um episódio em que Youssef a convidou para fazer uma entrega: "Virei para olhar e tinha uma mala no banco do carro." Na entrevista a VEJA, a contadora calculou que havia algo entre 2 e 3 milhões de reais dentro do carro.
A contadora disse que o doleiro guardava grandes quantidades de dinheiro em seu escritório, em São Paulo. Relatou, ainda, que  aos deputados André Vargas, ex-PT, e Luiz Argôlo, SDD, receberam pagamentos do esquema. Ambos estão respondendo a processo de cassação de mandato na Câmara.
A seguir, a transcrição do trecho do depoimento de Meire Poza que fala da traficância de dinheiro em malas: 
O SR. MARCO MAIA (PT - RS) – A revista Veja atribuiu a seguinte frase à senhora: "O Beto lavava o dinheiro para as empreiteiras e repassava depois aos políticos e aos partidos. Era mala de dinheiro para lá e para cá o tempo todo". A senhora disse isso?
A SRª MEIRE BONFIM DA SILVA POZA – Não.
O SR. MARCO MAIA (PT - RS) – Se sim, quem eram os políticos envolvidos, quais eram as empreiteiras e de onde viriam os recursos repassados?
A SRª MEIRE BONFIM DA SILVA POZA – Talvez exista um exagero de colocação na frase. Isso não foi dito. Algumas situações que vi,que presenciei foram, por exemplo, numa determinada situação... Eu sei precisar a data porque existe outro fato ligado a isso, que foi em janeiro de 2014, eu estava indo para a GFD quando o Sr. Alberto estava saindo da empresa de carro e me pediu para que o acompanhasse. Ele falou: "Eu vou só até ali". Eu falei: "Está bom". Entrei no carro e falei: "Até ali aonde?" Ele falou: "Vou até ali, na Avenida Angélica". Nós estávamos no Itaim Bibi, eu falei: "Poxa". E eu tinha outro compromisso, que é realmente o que me faz recordar disso. Aí falei: "Não, mas não posso ir lá com você. Você vai demorar?" Ele falou: "Não, só vou entregar isso aqui". Virei para olhar e tinha uma mala no banco do carro. Falei: "O que que é isso?" Ele falou: "É um dinheiro que tenho que levar na OAS, mas é rapidinho. Só vou entrar, entregar o dinheiro e sair". Na ocasião, não fui com ele, pedi para que ele me deixasse no Conjunto Nacional, na Rua Augusta, em São Paulo, resolvi os meus problemas, ele foi até lá, na volta ele me pegou na Rua Haddock Lobo e retornei com ele. Então, isso é fato. Eu via muita movimentação de dinheiro a partir de 2013, que é quando ele se mudou para a GFD. Antes disso, não. Então, existia movimentação de dinheiro lá dentro da GFD. Era dinheiro que chegava e era colocado no cofre, era dinheiro que saía...

Duas chantagens — e o elo entre a Lava Jato e o menslão

Em 2012, Marcos Valério, o operador do mensalão, prestou um depoimento em que revelou que o PT usou a Petrobras para levantar 6 milhões de reais para pagar a um empresário que ameaçava envolver o presidente Lula, o ministro Gilberto Carvalho e o mensaleiro José Dirceu no caso do assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel. Dois anos depois, a Polícia Federal apreendeu o contrato de empréstimo que corrobora a informação.

A CHANTAGEM DE 2014: O contrato de empréstimo foi apreendido no escritório do doleiro Alberto Youssef. Ele prova que a operação clandestina narrada por Valério de fato ocorreu. Enivaldo Quadrado ameaçava ajudar a PF a ligar esses pontos. Para evitar que isso acontecesse, o PT cedeu à sua chantagem.

A CHANTAGEM DE 2004: No depoimento prestado ao Ministério Público, Marcos Valério contou que, em 2004, foi chamado por Silvio Pereira, então dirigente do PT, para organizar uma operação clandestina: levantar dinheiro para pagar a Ronan Maria Pinto, que ameaçava o presidente da República

Aécio fala em fim do 'ciclo perverso do PT' e pede campanha limpa

Eleições 2014

Candidato do PSDB voltou a afirmar que enfrentará campanha duríssima e pediu que a presidente Dilma Rousseff "faça uma campanha de alto nível"

Laryssa Borges, de Brasília
O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, durante reunião nesta quarta-feira (08), com governadores e senadores eleitos no primeiro turno das eleições gerais, em Brasília
Candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, durante evento em Brasília  (Ueslei Marcelino/Reuters)
No dia em que novos escândalos envolvendo o PT surgiram na campanha eleitoral, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, prometeu colocar fim ao ciclo de “denúncias sucessivas de malfeitos e corrupção” e ao “ciclo perverso de governo do PT”. A fala do tucano foi feita em resposta à notícia de que um empresário ligado do PT e um colaborador do partido em Minas Gerais foram detidos pela Polícia Federal na noite desta terça-feira com dinheiro suspeito.

Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, estava a bordo do avião no qual a PF apreendeu 116 000 reais em dinheiro vivo. Bené foi financiador do "bunker" onde o comitê da campanha de Dilma Rousseff em 2010 se misturava com um núcleo de espionagem. “É contra tudo isso que nós estamos nos colocando. Outras denúncias provavelmente surgirão”, disse o candidato. 
Ele votou a criticar ainda, sem citar nominalmente o caso, o escândalo de corrupção na Petrobras, revelado em delação premiada pelo ex-diretor de Refino e Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. “Tem uma delação premiada que certamente está tirando o sono de muita gente”, destacou.
O candidato do PSDB também condenou o esquema de uso político dos Correios em benefícios de candidatos do PT nessas eleições e disse que órgãos de investigação devem funcionar independentemente de pressões do Palácio do Planalto. Nesta quarta-feira, o site de VEJA revelou que, depois de Minas Gerais, desta vez também a autarquia em Mato Grosso foi utilizada para disparar, em tempo recorde, cartas com pedidos de votos para candidatos do PT.
“Em relação às denúncias, o Brasil tem hoje instrumentos institucionais que têm a responsabilidade de investigar, de apurar e de processar e, quando for o caso, de condenar. Eles devem funcionar em sua plenitude porque não dependem, como parece crer alguns, da ação do governo ou da boa vontade do governante de plantão para investigar”, disse.

Aécio voltou a prever uma campanha "extremamente dura" no segundo turno. "Essa é a forma de agir dos nossos adversários, mas levarei comigo sempre o pensamento elevado porque tenho absoluta convicção de que podemos dar aos brasileiros um país mais justo, que cresça mais, que gere mais empregos, que invista mais em saúde e segurança pública, que melhore a qualidade da educação”, declarou.
“Não estou em uma guerra, estou em uma campanha política e convido a candidata senhora presidente da República a fazer uma campanha de alto nível. Da nossa parte não permitiremos que essa campanha se apequene ou diminua o entusiasmo e a esperança dos brasileiros”, completou.
Marina – Mais uma vez o candidato do PSDB à Presidência disse que sua candidatura representa o sentimento de mudança exigido pela sociedade e afirmou que a chegada ao segundo turno indica que a maior parte da população não deseja a continuidade do governo da Dilma. Embora já tenha recebido apoio de partidos como PPS, PSC e PV, o tucano evitou afirmar se o apoio da ex-senadora Marina Silva (PSB), que ficou na terceira colocação na corrida presidencial, seria fundamental para sua vitória no segundo turno e disse que o fim da reeleição, tema que ele defende pessoalmente e é uma das exigências para o apoio dela, depende de votação no Congresso Nacional.
“Há hoje um sentimento claro de mudança no Brasil. Quem venceu essas eleições no primeiro turno foi o cidadão brasileiro que acreditou na nossa capacidade de mudar. Isso é retratado pelos resultados que tiveram os candidatos de oposição somados”, afirmou.