terça-feira 30 2014
Em comício em SP, Lula volta a atacar a imprensa
Campanha
PT tenta impulsionar a candidatura de Dilma Rousseff e de Alexandre Padilha no Estado de São Paulo, onde a legenda tem os maiores índices de rejeição
Eduardo Gonçalves, de São Paulo
A presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff junto com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante comício em Campo Limpo, zona sul da cidade de São Paulo, na noite desta segunda-feira (29) - Ivan Pacheco/VEJA.com
Após a edição de VEJA desta semana revelar que a campanha de Dilma Rousseff pediu dinheiro ao esquema do "petrolão" em 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou a imprensa durante comício realizado na noite desta segunda-feira no bairro do Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo. Ao lado de Dilma e do candidato ao governo de São Paulo Alexandre Padilha, o petista voltou a dizer que o partido é "perseguido". "Neste país, a imprensa sempre foi conservadora, mas houve um tempo em que a gente conversava mais com os jornais. Hoje, eles são terceirizados e prepostos. Eu quero que você compreenda por que existe tanta bronca e perseguição contra o PT", disse Lula, dirigindo-se à Dilma.
A seis dias das eleições, o ex-presidente conclamou a militância a vestir a "camisa do PT" e "ir às ruas". O intuito do evento de campanha era alavancar as candidaturas de Dilma e Padilha em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Na última pesquisa Datafolha, a candidata petista aparece sete pontos atrás da adversária do PSB, Marina Silva, no Estado. Já Padilha não conseguiu alcançar dois dígitos no levantamento desde o início da corrida eleitoral.
Além da imprensa, Lula também concentrou ataques ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), que lidera as pesquisas ao Palácio dos Bandeirantes com folga. "A minha pergunta é: se a situação está tão ruim por que tem gente que vota no Alckmin ainda? Por ser o mais rico da federação, esse Estado deveria tratar melhor o seu povo", disse Lula, abraçado a Padilha.
Na sua vez de falar, a presidente-candidata Dilma Rousseff reiterou as críticas ao tucano e disse que foi o governo federal quem financiou as obras propagandeadas pela campanha do governador. "Muita coisa aqui em São Paulo que passa como feita pelo governo do Estado não é verdade. Foi feita com dinheiro do governo federal. Metrô, Monotriho, Rodoanel e outras várias obras foram feitas com o nosso dinheiro", disse a petista. Última a falar e com a voz rouca, Dilma fez um discurso menor do que o do seu adrinho político e para menos gente – parte dos militantes havia ido embora logo depois da fala de Lula.
Escanteado no início da campanha de Padilha e Dilma por causa da alta taxa de rejeição, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad também subiu ao palanque para fazer propaganda do seu próprio governo. Falou da inauguração de uma faixa exclusiva de ônibus no bairro de M’Boi Mirim e da construção de um hospital em Parelheiros. Antes dele, Padilha afirmou que iria fazer a “maior virada” nas eleições e que estava com "muita vontade" de ir para o 2º turno. Durante a sua fala, houve um princípio de tumulto na plateia. Militantes petistas derrubaram grades de contenção para se aproximar do palco.
Além deles, compareceram ao evento o candidato do PT ao Senado, Eduardo Suplicy, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e o presidente estadual do partido, Emídio de Souza.
A seis dias das eleições, o ex-presidente conclamou a militância a vestir a "camisa do PT" e "ir às ruas". O intuito do evento de campanha era alavancar as candidaturas de Dilma e Padilha em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Na última pesquisa Datafolha, a candidata petista aparece sete pontos atrás da adversária do PSB, Marina Silva, no Estado. Já Padilha não conseguiu alcançar dois dígitos no levantamento desde o início da corrida eleitoral.
Além da imprensa, Lula também concentrou ataques ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), que lidera as pesquisas ao Palácio dos Bandeirantes com folga. "A minha pergunta é: se a situação está tão ruim por que tem gente que vota no Alckmin ainda? Por ser o mais rico da federação, esse Estado deveria tratar melhor o seu povo", disse Lula, abraçado a Padilha.
Na sua vez de falar, a presidente-candidata Dilma Rousseff reiterou as críticas ao tucano e disse que foi o governo federal quem financiou as obras propagandeadas pela campanha do governador. "Muita coisa aqui em São Paulo que passa como feita pelo governo do Estado não é verdade. Foi feita com dinheiro do governo federal. Metrô, Monotriho, Rodoanel e outras várias obras foram feitas com o nosso dinheiro", disse a petista. Última a falar e com a voz rouca, Dilma fez um discurso menor do que o do seu adrinho político e para menos gente – parte dos militantes havia ido embora logo depois da fala de Lula.
Escanteado no início da campanha de Padilha e Dilma por causa da alta taxa de rejeição, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad também subiu ao palanque para fazer propaganda do seu próprio governo. Falou da inauguração de uma faixa exclusiva de ônibus no bairro de M’Boi Mirim e da construção de um hospital em Parelheiros. Antes dele, Padilha afirmou que iria fazer a “maior virada” nas eleições e que estava com "muita vontade" de ir para o 2º turno. Durante a sua fala, houve um princípio de tumulto na plateia. Militantes petistas derrubaram grades de contenção para se aproximar do palco.
Além deles, compareceram ao evento o candidato do PT ao Senado, Eduardo Suplicy, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e o presidente estadual do partido, Emídio de Souza.
segunda-feira 29 2014
Dilma e os mercados: não existe petista grátis!
Veja.Com
Os mercados, como se diz no jargão da área, derreteram nesta segunda-feira. O índice Bovespa despencou, atraído, principalmente, pela queda das ações da Petrobras, e o dólar disparou. Os investidores estavam botando preço nos números da pesquisa Datafolha divulgada na sexta, que indicaram que a posição de Dilma melhorou. Na hipótese mais alarmista, não seria impossível ela ganhar mais uns cinco ou seis pontos e até vencer no primeiro turno, coisa na qual, francamente, não acredito. Nas últimas três eleições, o PT teve nas urnas menos votos do que lhe conferiam os institutos de pesquisa. De todo modo, os mercados estão mais de olho no risco do que nas hipóteses de salvação.
Pois é… Dilma e o PT inventaram a equação do capeta — contra o país e, em certa medida, contra si mesmos. A presidente tem uma de duas alternativas para explicar por que o país terá uma expansão próxima de zero neste ano, com inflação quase estourando o limite superior da meta e juros nas estrelas: ou admite que o problema é interno, que fez as escolhas erradas e que é, enfim, uma gestora incompetente ou joga toda a culpa no cenário externo, e o Brasil apenas estaria reagindo a uma realidade internacional adversa. Ainda está para ser inventado nas terras de Santa Cruz um político que faça um mea-culpa, não é mesmo? Não seria um petista a iniciar a fila. Assim, os companheiros decidiram culpar o resto do mundo. A “companheira presidenta e governanta” está a dizer que não há nada a fazer a não ser depender da boa vontade de estranhos — quem sabe torcer que os outros se ferrem para que a gente melhore…
Entendam: isso vale por um diagnóstico. Acontece que 10 entre 11 analistas — e o que está na contramão é petista — consideram que o cenário externo para a economia brasileira será, no ano que vem, mais adverso do que neste ano. Entenderam a lógica elementar, até pedestre, da equação com a qual Dilma acena ao país? Se o mundo é culpado por nosso mau desempenho e esse mundo ainda nos será mais hostil, então… Pior: desde 2002, esta será a eleição mais arriscada para o PT. O desgaste do partido é gigantesco. Vejam, só como indicador, o resultado eleitoral do partido em Estados como São Paulo, Paraná e Rio. O quadro é de humilhação eleitoral. Em momentos assim, em vez de o PT se mostrar mais aberto, faz o contrário: ele se volta para os seus fundamentos — ou para seu discurso fundamentalista.
Não pensem, por exemplo, que aquele discurso estúpido de Dilma na ONU, quando sugeriu diálogo com cortadores de cabeça, passa em branco. Não passa, não! Ele dá notícia de uma presidente descolada da realidade internacional, periférica, isolada em seu círculo de mediocridade, incapaz de liderar uma nação emergente.
O discurso é sinal de que a jeca, em seu casaquinho que lhe corta, de forma desastrada e desastrosa, a silhueta na parte do corpo que menos a favorece, está mesmo em desarmonia com o mundo. Aquele casaquinho vermelho é metáfora de um país burro, acanhado, ao qual, cada vez mais, se dá menos bola.
Não existe petista grátis. Sempre tem um preço. O de agora é altíssimo.
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/dilma-e-os-mercados-nao-existe-petista-gratis/
Mercado vê em Dilma ameaça maior do que no início da campanha
Análise
Para analistas ouvidos pelo site de VEJA, discurso eleitoral da presidente evidencia guinada à esquerda e guerra declarada ao setor privado
Ana Clara Costa

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, chega minutos antes do início do debate promovido pela Rede Record, em São Paulo (Felipe Cotrim/VEJA.com)
Enquanto o eleitor parece cada vez mais inclinado a oferecer à presidente Dilma Rousseff a oportunidade de um novo mandato, investidores sinalizam exatamente o oposto. Um forte movimento de venda de ações fez com que o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, recuasse 4,52% nesta segunda-feira, a maior queda em três anos. O dólar também disparou, chegando a ser cotado a 2,47 reais — seu maior valor desde 2008, período agudo da crise financeira internacional. A moeda americana perdeu força no final do pregão e fechou a 2,45 reais. As ações das empresas estatais lideraram as baixas: Petrobras caiu 11,4%, enquanto o Banco do Brasil recuou 9%. As ações da própria BM&FBovespa recuavam 8,3% no mesmo período.
Não é de hoje que o mercado financeiro tem reagido de forma pessimista à possibilidade de reeleição da candidata petista. Desde março deste ano, as ações (em especial as da Petrobras) têm oscilado ao sabor das pesquisas eleitorais. Depois da trágica morte do peessebista Eduardo Campos, em agosto, e da ascensão de Marina Silva ao posto de presidenciável, as chances de reeleição de Dilma haviam diminuído — o que trouxe certo alívio para a bolsa e o dólar.
Contudo, a melhora da atual presidente nas pesquisas, que apontam sua vitória no segundo turno ante ambos os concorrentes, Aécio Neves e Marina, fez com que um movimento de venda de ações se aprofundasse na bolsa. O Ibovespa chegou a cair quase 6% na abertura, com os papéis da Petrobras recuando 10%. Em ambos os casos, a queda é muito mais profunda do que o que foi assistido no início de 2014, quando as primeiras pesquisas começaram a ser divulgadas criando alta volatilidade na bolsa.
O que mudou de lá pra cá, segundo analistas ouvidos pelo site de VEJA, é que aumentou (e muito) a aversão que o mercado nutria em relação à candidata. "Muitos têm opinião pior do que antes sobre a provável política econômica num segundo governo Dilma. Eles perceberam uma inflexão à esquerda em seu discurso, especialmente na questão envolvendo a independência do Banco Central", afirma o economista Tony Volpon, do Nomura. A presidente Dilma encampou o discurso de que ter um BC autônomo significaria "entregar o país a banqueiros". Ela também questionou a necessidade de se cumprir o superávit primário, que é a economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida, e reafirmou seu compromisso com subsídios à indústria num momento em que o próprio setor industrial pede maior abertura econômica.
Segundo o analista Felipe Miranda, da Empiricus, antes da morte de Campos, os investidores tinham dúvida se um novo governo Dilma atravessaria uma curva de aprendizado, admitindo erros e retomando um caminho mais ortodoxo. "Hoje, resta pouca dúvida de que um segundo mandato representaria mais do mesmo, com algum recrudescimento, pois a guerra contra o setor privado, num momento em que precisamos retomar os investimentos, está declarada em caráter explícito", afirma Miranda, autor do livro O Fim do Brasil, lançado na semana passada pela editora Escrituras.
Um movimento de queda foi percebido nesta segunda-feira em todos os mercados emergentes, porém, nenhum na mesma intensidade que o Brasil. Nos Estados Unidos, o S&P recuou 0,2% e o Dow Jones, 0,25%. "É um movimento global que pode ser visto na Coreia do Sul, Taiwan, índia, Turquia, África do Sul e Israel. Isso porque acredita-se que a economia americana não está se recuperando no ritmo acelerado que antes se achava", avalia o economista-chefe da Gradual, André Perfeito.
Aécio vai apresentar programa de governo 'fatiado' pela internet
Eleições 2014
Tucano afirmou que discutirá planos por meio das redes sociais a partir desta segunda: 'Não adianta apresentar um calhamaço de papel que não será lido'
Bruna Fasano, de São Bernardo do Campo

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves durante campanha neste domingo (28), em São João del-Rei, Minas Gerais (Ivan Pacheco/VEJA.com)
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta segunda-feira que vai apresentar os pontos de seu programa de governo por meio das redes sociais. O tucano havia prometido apresentar o plano nesta segunda, mas afirmou nesta tarde que "não adianta apresentar um calhamaço de papel que não será lido". Em agenda em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, Aécio disse que a maior parte das propostas já foi discutida durante a campanha e frisou que as ações para o Nordeste são alguns dos pontos principais do programa.
A partir das 21 horas desta segunda, haverá um bate-papo virtual pelo Facebook para abordar o capítulo sustentabilidade do plano de governo, a cargo coordenador da área, o ex-deputado Fábio Feldmann. Já na terça-feira, também pelo Facebook, será debatido o tema Estado, coordenado pelo candidato tucano ao Senado por Minas Gerais, Antônio Anastasia. Na quarta e quinta-feira serão apresentadas propostas para cidadania. Na sexta-feira, o economista Armínio Fraga debaterá com usuários das redes sociais propostas para economia.
Ao citar o plano elaborado por Fábio Feldmann, Aécio cometeu uma gafe ao confundi-lo com Walter Feldman, coordenador da campanha da adversária Marina Silva (PSB). Walter, que militou durante 25 anos no PSDB, deixou o ninho tucano há três anos após inúmeros desentendimentos com membros do partido. Corrigido pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que o acompanhava na agenda, Aécio emendou: "Esse é o nosso Feldmann".
Subsídios - Questionado se seu plano de governo incluiria acabar com os subsídios para as montadoras de carros, que têm em São Bernardo um de seus principais polos, Aécio afirmou que vai "discutir todos os subsídios" e só manterá os que "tiverem efeito e forem positivos para a vida do trabalhador". "Da forma como é feito hoje, alguns amigos do poder são beneficiados, enquanto o trabalhador é penalizado", afirmou.
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