sexta-feira 29 2014

Vítimas de Roger Abdelmassih contam suas histórias

Helena Leardini, 45 anos, dona de casa



“Em 2003, fui ao consultório do Roger Abdelmassih por uma indicação médica. Tinha 34 anos e queria engravidar do meu segundo marido. Paguei 30.000 reais pelo pacote de três tentativas de inseminação artificial. Em uma das primeiras conversas, ele me agarrou e tentou me beijar à força. Abri a porta do consultório a saí correndo. Sempre fiz questão de dizer para todo mundo que fiz tratamento para engravidar com o tarado do Roger Abdelmassih”.

Teresa Cardioli, 63 anos, escritora

“Tinha 17 anos quando me tratei de uma cólica renal com Roger Abdelmassih, quando ele atuava como urologista. Durante o procedimento de introdução de uma sonda na minha bexiga, ele descobriu que eu era virgem e disse que estava disposto a pagar por minha virgindade. Ele me amarrou na maca e me agarrou”.

Silvia Franco, 43 anos, artista plástica

“Fui à clínica de Roger Abdelmassih em 1997 porque queria engravidar. Durante o procedimento para a retirada dos óvulos, ainda sob o efeito da sedação, senti dor e sangramento no ânus. Fui infectada por uma bactéria que se instalou na minha bexiga. Engravidei após a terceira tentativa e, aos quatro meses da gestação, ele disse que o coração do bebê havia parado de bater e me receitou um abortivo. Só fui entender que havia sido violentada em 2009, quando começaram a aparecer as primeiras denúncias”.  

Ivanilde Serebranic, 49 anos, empresária

“Tinha 34 anos quando o procurei para fazer tratamento de fertilização. Ele já havia dado umas indiretas antes, mas não dei muita importância. Quando passei pelo processo de retirada dos óvulos, ainda grogue, acordei com ele em cima de mim. Na hora sai correndo encontrar meu marido que estava na sala de espera”.

Vanuzia Lopes, 54 anos, estilista

“Acordei no meio da sedação, durante a extração de óvulos, com ele em cima de mim. Ainda com restos de sêmen em mim, fui à delegacia e fiz exame de corpo de delito. Levei o boletim de ocorrência ao Conselho Regional de Medicina, mas não tive atenção: ele era um médico muito poderoso”.

Vítimas de Abdelmassih afirmam ter recebido ameaças

Crime

Promotor Luiz Henrique Dal Poz vai abrir um inquérito para apurar o caso

O ex-médico Roger Abdelmassih é conduzido por policiais civis após chegar no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo
O ex-médico Roger Abdelmassih é conduzido por policiais civis após chegar no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo - William Volcov/Brazil Photo Press/Folhapress

Vítimas de Roger Abdelmassih afirmam que estão recebendo ameaças por telefone, mesmo após a prisão do ex-médico, que foi capturado na semana passada, no Paraguai, e cumpre pena na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo. Ele foi condenado, em 2010, a 278 anos de prisão por 48 estupros a 37 mulheres.
Integrantes da associação que foi criada para identificar novas vítimas do ex-médico dizem que receberam telefonemas com ameaças para que uma página no Facebook fosse excluída. Os relatos sobre as ameaças foram dados ontem por quatro mulheres ao Ministério Público Estadual, na região central de São Paulo. O promotor de Justiça Luiz Henrique Dal Poz vai abrir um inquérito para apurar as ameaças.
A empresária Ivanilde Serebrenic, uma das coordenadoras do grupo, não foi ameaçada, mas disse que a amiga, que pediu para não ser identificada, está deprimida. "Ela está de cama e não pôde vir. Eles ficam procurando a gente, vendo a localização onde a gente está e mora. Indo a empresas da gente." Ivanilde acredita que as pessoas que ajudaram o ex-médico Roger Abdelmassih durante a fuga no Paraguai são as responsáveis pelas ameaças. "(O ex-médico) foi preso, mas a quadrilha que ele sustentava aqui fora agora está se sentindo sozinha, né? Porque ele financiava todo esse pessoal que ficava ao lado dele."
As ameaças não são novidade. Em junho, quando Roger Abdelmassih estava foragido, três mulheres receberam telefonemas anônimos. Silvia Franco foi uma delas: "Fui ameaçada antes, não agora, mas estou com as meninas para fazer o que for preciso". A advogada Rafaela Azzi, que representa uma das mulheres ameaçadas, afirma que esse "tipo de intimidação faz com que o grupo todo fique assustado". "Tem muita coisa que elas vão acabar deixando de informar, até por causa do medo de envolver famílias. A gente não sabe o que vem", disse Rafaela.
O promotor Luiz Henrique Dal Poz afirma que é possível saber de onde partiram as ligações. "Foram ameaças de telefones que não possibilitam, em um primeiro momento, a identificação, mas dá para a gente fazer um rastreamento."
Processo - O Ministério Público tem quatro processos distintos sobre o caso Roger Abdelmassih: o criminal, que culminou com a condenação de 278 anos de prisão, um com novas vítimas de estupro, um sobre a ajuda que o ex-médico teria recebido no exterior e outro sobre manipulação genética.

TRE apreende remédio com material de Garotinho

Rio de Janeiro

Veja.Com

Panfletos de campanha do candidato ao governo do Rio de Janeiro estava em caixas com amostras grátis de remédios e formulários do Cheque Cidadão

Material de campanha de Anthony Garotinho (PR) foi encontrado no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro
Material de campanha de Anthony Garotinho (PR) foi encontrado no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (Leonardo Prado/Agência Câmara/VEJA)
Fiscais do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE) apreenderam nesta quarta-feira no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, cem caixas de amostras grátis de remédios e cerca de 200 formulários do programa Cheque Cidadão em caixas com material de campanha de Anthony Garotinho (PR), candidato ao governo estadual. Para conseguir entrar pela primeira vez na Maré nestas eleições, oitenta fiscais do TRE precisaram da ajuda do Exército.
O Complexo da Maré está ocupado desde abril pelas Forças Armadas e deve receber Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) da Polícia Militar. Segundo o tribunal, foram apreendidas uma lista de entrega de cestas básicas e um cronograma das equipes de campanha de Garotinho e de sua filha, Clarissa Garotinho (PR), que tenta uma vaga na Câmara dos Deputados. Também foi encontrado material de campanha de Guiga (PR), candidato a deputado estadual, programas de rádio do PR e oito faixas com ataques ao governador e candidato à reeleição, Luiz Fernando Pezão (PMDB).
O Cheque Cidadão é distribuído pela prefeitura de Campos dos Goytacazes, administrada por Rosinha Garotinho. O programa repassa 200 reais a "famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica".
Também foram apreendidos três computadores e 800 reais. Ao todo, segundo o TRE, uma tonelada de placas irregulares foram recolhidas nas favelas do Complexo da Maré. "Na localidade Vila dos Pinheiros, a maioria das placas encontradas era dos candidatos Gérson Bergher (PSDB) e Del (PSDC), além de Garotinho e Clarissa. O trabalho da fiscalização desta quarta-feira foi desencadeado após uma denúncia de que o conselho de moradores, localizado na Vila Ipiranga, funcionava como centro social", informou o tribunal.
Na noite desta quarta, o TRE decidiu que solicitará ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o envio de tropas federais ao Rio para garantir o "bom andamento" das eleições. A Maré está entre as 41 áreas do estado dominadas por traficantes ou milicianos, onde candidatos enfrentam problemas para fazer campanha – como ameaças e cobrança de "pedágio" pelos criminosos.
(Com Estadão Conteúdo)

quinta-feira 28 2014

Homenagem para a presidANTA Dilma em desvairada queda!

Eletrodomésticos, fraldas e remédios: a campanha de Garotinho na mira da Justiça

Eleições Rio 2014

Candidato ao governo do Rio de Janeiro chegou a doar quase 60.000 reais em fogões, máquinas de lavar e smartphones em apenas uma semana

Daniel Haidar, do Rio de Janeiro
Deputado Anthony Garotinho PR/RJ
Deputado Anthony Garotinho PR/RJ (Leonardo Prado/Agência Câmara/VEJA)
Na primeira incursão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, fiscais encontraram nesta quarta-feira material de campanha do candidato ao governo do estado pelo PR, Anthony Garotinho, junto de cem caixas de remédios e 200 formulários do programa Cheque Cidadão. A ação encontrou indícios de que o projeto – mantido pela prefeita de Campos dos Goytacazes e mulher de Garotinho, Rosinha Matheus – é usado com finalidade eleitoral pela campanha dele. Mas esse não é o único problema de Garotinho com a Justiça Eleitoral nestas eleições. O ex-governador é investigado pela Polícia Federal por distribuir, em uma semana, quase 60.000 reais em eletrodoméstico no programa "Fala Garotinho", da Rádio Manchete. Técnicos coordenados pela juíza Daniela Barbosa, chefe de fiscalização do TRE, monitoraram o programa de rádio de Garotinho e se espantaram com os vultuosos valores gastos para distribuir máquinas de lavar, fogões, geladeiras e smarphones. 

Eletrodomésticos distribuídos por Garotinho (em R$)

BRINDESQUANTIDADE DISTRIBUÍDAPREÇO UNITÁRIO NA LOJA APREÇO UNITÁRIO NA LOJA BVALOR TOTAL (MÍNIMO)VALOR TOTAL (MÁXIMO)
Fogão54299,90294,4015.897,6016.194,60
Microondas30209,90284,906.697,008.547,00
Geladeira 01 porta22949,00901,5519.834,1020.878,00
Rádio portátil3079,1189,002.373,302.670,00
Lavadora 06 kg09739,90819,906.659,107.379,00
TV 14"08389,00381,233.049,843.112,00
Ventilador05107,91140,71539,50703,50
    55.050,4059.484,10
O valor foi estimado pelo tribunal a partir dos preços desses produtos em duas grandes redes varejistas. A tabela (reproduzida acima) foi anexada à decisão judicial.  A magistrada ordenou que a distribuição de brindes fosse interrompida e questionou como o candidato conseguiu distribuir tantos produtos sem patrocínio. Garotinho declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de 303.538,65 reais e gastou o equivalente a 16% desse patrimônio em apenas uma semana. Hoje, Rosinha é a apresentadora do programa. 
"Neste embalo, a cada semana o candidato distribui, no mínimo, 1/6 do valor de seu patrimônio declarado. É preciso analisar se a distribuição desmesurada de brindes e vantagens ao eleitor em potencial não é mero disfarce para aliciar o eleitor mais humilde e, assim, angariar votos. O programa não tem contrapartida financeira nem por meio de patrocinadores, tampouco por meio de intervalos comerciais", afirma a juíza na decisão. 
Outra conduta ilegal do candidato foi detectada em Campos dos Goytacazes, onde fiscais fizeram uma vistoria no Centro Cultural Anthony Garotinho. No local, foram apreendidas cerca de cem fraldas, 350 calendários com a foto do candidato, pastas, cartões de visita e um caderno com um cadastro de grávidas e data provável do parto. 
Em entrevista ao site de VEJA, a juíza Daniela Barbosa destacou a importância de ser investigada pelo Ministério Público Eleitoral a origem dos recursos em casos como o de Garotinho. "O assistencialismo vai cooptando as pessoas. Centros sociais começaram a ser muito reprimidos, então candidatos criaram outras práticas assistencialistas. Tem que ser investigado se há origem ilícita nessas verbas", afirmou. 
Garotinho é líder na disputa pelo Palácio Guanabara, com 28% das intenções de voto na última pesquisa Ibope. Com uma ampla rede de distribuição de benesses a eleitores, o Ministério Público Eleitoral investiga quanto desse apoio é legítimo. A juíza Daniela Barbosa menciona indícios de "propaganda eleitoral irregular, abuso do poder econômico e/ou político, captação ilícita de sufrágio (compra de votos), captação e emprego indevidos de recursos de campanha (uso de caixa dois), condutas vedadas a agentes públicos e improbidade administrativa".

Farsa na CPI: cai o chefe do escritório da Petrobras

Petrobras

José Eduardo Barrocas, chefe do escritório em Brasília, participou do teatro armado pelo governo e por petistas para fraudar depoimentos à CPI

TEATRO: Parecia uma encenação — e era mesmo. As perguntas que seriam feitas pelos parlamentares ao ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli foram enviadas a ele antes do depoimento por José Eduardo Barrocas, chefe do escritório da estatal em Brasília, que aparece no detalhe da foto
TEATRO: Parecia uma encenação — e era mesmo. As perguntas que seriam feitas pelos parlamentares ao ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli foram enviadas a ele antes do depoimento por José Eduardo Barrocas, chefe do escritório da estatal em Brasília, que aparece no detalhe da foto (Geraldo Magela/Ag. Senado)
José Eduardo Barrocas, chefe do escritório da Petrobras em Brasília, deixou o cargo. Homem de confiança da presidente da estatal, Graça Foster, ele aparece num vídeo revelado por VEJA debatendo perguntas que seriam feitas por parlamentares durante a CPI do Senado para investigar denúncias na empresa.
Na gravação, Barrocas afirma que enviou o "gabarito" com os questionamentos a Graça Foster. Desta forma, os depoentes teriam conhecimento prévio das perguntas que lhes seriam feitas pelos senadores.
Graça Foster e Sergio Gabrielli, seu antecessor no cargo, receberam o gabarito antes de prestar depoimento. Barrocas, que dizia falar em nome de Graça, fez saber a Marcos Rogério de Souza, secretário parlamentar do bloco governista no Senado, que não seriam toleradas perguntas sobre os contratos firmados entre a Petrobras e uma empresa do marido dela, Colin Vaughan Foster. Graça foi inquirida durante três horas e, efetivamente, nenhuma pergunta a respeito do marido foi formulada. (Com Estadão Conteúdo)

Como a caneta espiã chegou à sala

  • 00:00 a 00:30
    Uma funcionária da sede da Petrobras em Brasília pega um calhamaço de documentos e avisa a um colega, a quem chama de Dudu, que está indo entregar o material a Bruno Ferreira, advogado da estatal. Bruno estava em reunião em outra sala. Foi o próprio advogado quem pediu à funcionária que levasse o material até ele. A caneta-gravador está junto com os papéis. E já em funcionamento.
  • 00:31 a 02:26
    A funcionária caminha pelos corredores do prédio da Petrobras em Brasília. A caneta está ligada. A mulher se dirige para a sala onde Bruno Ferreira estava reunido com o chefe do escritório brasiliense da Petrobras, José Eduardo Barrocas, e o coordenador do departamento jurídico, Leonan Calderaro Filho. Bruno Ferreira estava aguardando a funcionária à porta.
  • 02:27 a 02:39
    A funcionária chega à sala onde Bruno está. Ele recebe das mãos dela os papéis — e a caneta-gravador, ligada. “Dá uma conferida se era esse arquivo... Eu tô vendo aqui falando da história do Gabrielli, aí... Só que é no fnal que vêm as perguntas, né?”, diz a moça. “Obrigado, querida”, responde Bruno.

A fraude se desenrola

  • 02:40 a 03:55
    Bruno volta para a reunião. A caneta é manuseada o tempo todo por ele. Por isso, na maior parte do tempo as imagens são trêmulas. O áudio, porém, é captado com clareza. Barrocas está ao telefone tratando da visita de um grupo de parlamentares a uma refinaria que está sendo construída no Maranhão. Enquanto isso, Bruno e Calderaro folheiam os papéis. Eles conversam sobre as perguntas.
  • 05:00 a 07:10
    Barrocas sai do telefone e passa a conversar com Bruno e Calderaro sobre o assunto da ligação. É interrompido pelo telefone celular. E diz para a pessoa do outro lado da linha que não podia falar porque estava atarefado com assuntos relativos à CPI: “Ô Cristina, me dá um tempo aí. Eu tô com a CPI aqui nas minhas costas que tá danado”. Em seguida, retoma a conversa com Bruno e Calderaro.
  • 07:11 a 07:47
    O grupo passa a falar da CPI. Eles estavam comparando as perguntas que seriam feitas a Cerveró com as que haviam sido feitas ao ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli, ouvido na véspera pela comissão. “E aí, o que você está achando aí?”, pergunta Barrocas. “Na verdade, estão repetindo bastante as perguntas em relação ao Gabrielli”, afirma Bruno. “Bastante, bastante pergunta repetida, assim como para a Graça vão repetir também”, diz Barrocas.
  • 07:48 a 08:30
    Barrocas revela a origem das perguntas preparadas para o depoimento de Cerveró e expõe a fraude: “Eu perguntei da onde, quem é o autor dessas perguntas. Oitenta por cento é o Marcos Rogério (assessor da liderança do governo no Senado). Ele é o responsável por isso aí. Ele disse hoje que o Carlos Hetzel (assessor da liderança do PT) fez alguma coisa, o Paulo Argenta (assessor da Presidência da República) fez outras”, relata Barrocas.

A ajuda a Cerveró

  • 08:31 a 10:47
    Barrocas quer saber quais advogados o departamento jurídico da Petrobras mobilizaria para acompanhar o depoimento de Cerveró à CPI, no dia seguinte. O grupo continua falando das estratégias para o depoimento.
  • 10:48 a 12:50
    A exemplo das perguntas, outros detalhes do depoimento haviam sido previamente acertados. “Me pediram para falar para o Cerveró não fazer apresentação. O Marcos Rogério falou: ‘Vocês têm como falar para o Cerveró para ele não fazer a apresentação? Para entrar direto no assunto...’”, diz Barrocas.
  • 12:51 a 13:37
    Aqui a prova da combinação. O advogado Bruno Ferreira consulta o chefe Barrocas sobre as orientações que deveriam ser dadas a Cerveró. Uma reunião com o ex-diretor estava marcada para aquele dia, também na sede da Petrobras em Brasília. “Barrocas, qual a estratégia em termos de orientação ao Cerveró?”, perguntou. “A gente vai prestar o apoio possível”, diz Calderaro.
  • 13:38 a 14:10
    O nome do senador petista Delcídio Amaral (MS) aparece na trama. Amigo de Cerveró, Delcídio fora escolhido como um dos canais de comunicação com o ex-diretor. “Como nós soubemos que a gente não podia fazer contato com ele (Cerveró), o pessoal do Senado pediu pro Delcídio fazer. Aí ao Delcídio eu falei: é o seguinte, compacta aí. Chamaram ele, deram curso pra ele, media training...” Calderaro reforça: “Ontem a tarde toda. E o Jurídico da Petrobras do lado”. “O pessoal não queria fcar de conversa com ele. Nós pedimos ao Delcídio pra conversar com ele”, afrma Barrocas.

O medo de serem descobertos

  • 14:11 a 14:46
    O grupo passa a discutir a forma mais segura de enviar à sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, as perguntas a Cerveró. “Vou passar pro Salles (Jorge Salles Neto, assessor direto de Graça Foster), pra ele...”, diz Barrocas. (...) As do Gabrielli eu digitalizei e passei pra Graça. Por quê? Porque eu não sabia que aquilo era o ‘gabarito’, vamos chamar assim. Eu achei que o Dutra (o petista José Eduardo Dutra, também ex-presidente e atual diretor da Petrobras) tinha trazido aquilo pra ele (e dito), como em escola: ‘Estuda aí’. Depois que eu vi que era o gabarito”, relata Barrocas.
  • 14:58 a 17:48
    Os funcionários da Petrobras estão preocupados com o sigilo. “Qual o acesso mais discreto aqui pra ele (Cerveró)? Não tem muita alternativa, não, né?”, indaga Calderaro. É o próprio Barrocas quem defne a gravidade da situação: “O antes é que eu acho perigoso”. “A questão do preparo, né?”, engata Calderaro. “Não tem como, só tem uma entrada aqui”, lembra Calderaro.

A ordem de cima

  • 17:49 a 19:25
    Na última parte da reunião, o grupo narra que houve uma ação para afastar o advogado de Cerveró. “O pessoal deu uns toques nele que o advogado dele estava atrapalhando”, diz Barrocas. O advogado de Cerveró havia ameaçado envolver mais gente no escândalo de Pasadena. Era, portanto, uma voz dissonante do enredo que estava sendo montado. O vídeo termina com os advogados falando de como operacionalizar a orientação “lá de cima”.

quarta-feira 27 2014

Relator do TCU vai manter voto por bloqueio de bens de Graça

Caso Pasadena

Segundo o ministro José Jorge, as diligências realizadas pelos técnicos confirmam as doações de bens feitas por Graça e Cerveró

A presidente da Petrobras, Graça Foster, durante audiência conjunta no Senado em Brasília, na manhã desta terça-feira (15), para prestar esclarecimentos sobre denúncias envolvendo a estatal
A presidente da Petrobras, Graça Foster, durante audiência conjunta no Senado em Brasília (Pedro França/Futura Press/VEJA)
O Tribunal de Contas da União (TCU) vai retomar nesta quarta-feira o processo sobre a aquisição da refinaria de Pasadena pela Petrobras e definir, enfim, se a presidente da estatal, Graça Foster, terá seus bens indisponibilizados. A decisão sobre a indisponibilidade de bens de Graça foi adiada duas vezes pelo plenário da corte. Na semana passada, o relator, ministro José Jorge, pediu a retirada do caso de pauta para apurar a doação de bens feita pela presidente da estatal e pelo ex-diretor da área internacional Nestor Cerveró.
Nesta terça, o ministro José Jorge afirmou que as diligências realizadas confirmam a notícia sobre a doação dos bens. Em seu relatório, ele não fará qualquer juízo de valor sobre a operação, apenas vai relatar o apurado e manter seu voto inicial que pede o bloqueio patrimonial de todos os envolvidos, inclusive da presidente da estatal.
Nos bastidores, a expectativa é de que José Jorge seja vencido e a Corte de Contas libere a presidente da Petrobras do bloqueio patrimonial. Ao menos quatro votos serão divergentes e pedirão para que Graça fique fora do grupo que terá decretada a indisponibilidade de bens, confirmou uma fonte. Resta dúvida ainda sobre o posicionamento do recém-chegado na corte, ministro Bruno Dantas.
A Petrobras entregou documentos ao tribunal sobre a doação, realizada em nome dos filhos da presidente da estatal antes da inclusão do nome da presidente no processo. No caso de Cerveró, o TCU realizou uma análise nos cartórios do Rio de Janeiro. A apuração ficou restrita às notícias divulgadas, sem ampliação sobre os demais bens de Graça e Cerveró ou sobre o patrimônio dos demais envolvidos.
Na quarta-feira, o relator chegou a dizer que, dependendo da extensão da doação de bens, a operação poderia ser considerada uma tentativa de burla ao processo. Isso não será avaliado na quarta pelo plenário da Corte, disse o ministro. A natureza da doação de bens, contudo, pode ser objeto de discussão no novo processo que investigará a culpa dos dirigentes envolvidos na operação de compra de Pasadena. A chamada Tomada de Contas Especial (TCE) terá início após o encerramento do processo atual, considerado uma fase preliminar. Se forem considerados culpados, os dirigentes e ex-dirigentes podem ter de ressarcir um total de 792 milhões de dólares.
Na semana passada, o ministro Walton Alencar Rodrigues já pediu que ficassem excluídos do bloqueio patrimonial os diretores que participaram apenas do adiamento do cumprimento da decisão arbitral nos EUA sobre a disputa contra a Astra Oil, antiga proprietária da refinaria. É neste item que a atual presidente da estatal, Graça Foster, é incluída no processo, bem como o ex-diretor Jorge Zelada.
Se os ministros seguirem o voto de Rodrigues, os 11 dirigentes  e ex-dirigentes envolvidos no caso, entre eles José Sérgio Gabrielli, Paulo Roberto da Costa, Cerveró e Almir Barbassa continuarão com o bloqueio patrimonial definido – apenas Graça e Zelada estariam fora do grupo que teria os bens afetados.
Governo — O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, realizou novo périplo pelos gabinetes dos ministros do TCU para reforçar o posicionamento do governo. O ministro defende que o bloqueio de bens seja individualizado e que dele fique excluída a presidente da Petrobras. Amanhã, Adams irá se reunir com José Jorge mais uma vez antes da sessão.
O primeiro adiamento da decisão sobre Graça Foster foi realizado após sustentação oral feita por Adams em plenário. Foi a primeira vez que um advogado-geral da União usou a tribuna do TCU. Questionada sobre as críticas à atuação de Adams, a presidente Dilma afirmou se tratar de "maluquice". A presidente voltou a defender Graça na última semana e afirmou que a indisponibilidade de seus bens é altamente prejudicial à Petrobras.
(Com Estadão Conteúdo)