quarta-feira 02 2014

Robin Williams entra em um centro de desintoxicação

O ator tem lutado contra o alcoolismo e outros vícios desde os anos oitenta

O ator e comediante Robin Williams voltou a entrar em um centro de desintoxicação, mas desta vez para reforçar a sua luta contra o alcoolismo e ficar sóbrio. Isto foi confirmado por seus representantes, para indicar que Williams está no centro de tratamento de dependência Hazelden, em Minnesota (EUA) a partir de 1 de Julho. O centro é especializado em programas de longo prazo para o alcoolismo.Conforme relatado em um comunicado, o ator 62 anos aproveitou uma pausa em sua agenda de trabalho agitado "para se concentrar no seu objetivo" e diminuir o seu desejo de ficar sóbrio, um estado "que é tremendamente orgulhoso."
O vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Gênio Indomável tem lutado contra o alcoolismo e outros vícios desde os anos 80. então admitiu ter usado cocaína para isolar do mundo e depois de duas décadas sóbrios recaída em 2006, quando que entrou voluntariamente num centro de múltiplas drogas. De acordo então admitiu em uma entrevista na televisão, o salto entre sobriedade e alcoolismo foi gradual. "O vício não é uma causa. Ele está lá. Ele espera que você acha que está tudo bem ea próxima coisa que você nota é que as coisas não são tão bons ", disse ele. De acordo com Williams o pior erro de um alcoólatra é pensar que só são capazes de controlar seus vícios.
Conhecido por sua energia incessante e uma fonte inesgotável de sagacidade em seu humor, em seguida, Williams também falou sobre as razões que o levaram a álcool e drogas no início de sua carreira. "A cocaína se tornou o meu esconderijo. A maioria das pessoas olha para uma cocaína adrenalina. No meu caso, eu perdi o freio ", Williams admitiu em entrevista à revista People em 1988. Sua opinião, cocaína deu-lhe uma desculpa para não falar. "Eu precisava naquele momento de calma", acrescentou.
Williams atualmente preferem procurar aquele momento de calma, sem recorrer a drogas. O ator que deu voz e personalidade para a genialidade do filme Aladdin entrou desta vez na seção de centro de desintoxicação Lodge. Esta parte do programa é dedicado a todos aqueles que levam anos sóbrios e quer renovar seus votos, seja espiritualmente ou reavaliando seu curso de ação. "Outro programa de pontos particularmente úteis e válidos" Viver Sóbrio "The Lodge inclui meditação, a análise dos desafios de ser sóbrio longo prazo e a fonte de nossos problemas espirituais", acrescenta o site do centro desintoxicação.
Tal como foi confirmado pelos seus representantes, Williams vive um dos momentos mais movimentados de sua carreira. O intérprete está envolvida em uma longa lista de projetos que seguem "um após o outro", incluindo a filmagem de uma nova versão de Uma Noite no Museu e uma sequela a um dos seus maiores sucessos, Mrs Doubtfire. Além da ator completou com sucesso a primeira temporada de loucos , um total de 22 episódios que envolveram o seu regresso à televisão, um meio que foi lançado com a série Mork & Mindy.
De acordo com o TMZ, que primeiro relatou o retorno de Williams a um centro de desintoxicação, o ator permanecerá lá por várias semanas.
Outro ator que tem problemas com o álcool é Shia LaBeouf . Seu assessor confirmou que procuram tratamento é voluntário para seu víciodepois de uma prisão em Nova Iorque na semana passada. No mesmo dia, ator 28 anos de idade, foi visto carregando um livro de Alcoólicos Anônimos nas ruas de Los Angeles. Após sua prisão LaBeouf deve comparecer ao tribunal no dia 24.

PF investigará se advogado de Genoino cometeu crime contra Barbosa

STF

Seguranças do STF relataram que ele ameaçou o ministro

Laryssa Borges, de Brasília
O advogado Luiz Fernando Pacheco, defensor de José Genoíno, investigado pela PF a pedido de Joaquim Barbosa
O advogado Luiz Fernando Pacheco, defensor de José Genoíno, investigado pela PF a pedido de Joaquim Barbosa(Nelson Jr./SCO/STF)
A Polícia Federal confirmou nesta terça-feira que abriu inquérito para investigar se o advogado Luiz Fernando Pacheco, que atua na defesa do ex-presidente do PT José Genoino no processo do mensalão, cometeu os crimes de desacato, calúnia, injúria e difamação contra o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No mês passado, Pacheco foi expulso do plenário após bater boca com Barbosa e exigir que um recurso em favor de Genoino fosse pautado para análise no plenário da Corte. O advogado foi retirado do tribunal por seguranças e, de fora do plenário, afirmou, segundo depoimento de funcionários do STF, que “se tivesse uma arma, daria um tiro na cara do presidente [do STF]”. Segundo relatos à Secretaria de Segurança do Supremo, Pacheco estava “visivelmente embriagado” quando, da tribuna do STF, pediu que a Corte julgasse o pedido de prisão domiciliar do mensaleiro.
O pedido de abertura de investigação foi feito no dia 17 junho pela procuradora da República Ana Paula Coutinho, após Joaquim Barbosa ter protocolado representação na Procuradoria da República do Distrito Federal contra o advogado.
Renúncia – Após o episódio envolvendo Luiz Fernando Pacheco, o ministro Joaquim Barbosa anunciou que deixaria a relatoria do mensalão e o acompanhamento da execução das penas dos condenados. Ao comunicar sua decisão, o ministro criticou a conduta de defensores dos mensaleiros e disse que vários advogados que atuam no caso “deixaram de se valer de argumentos jurídicos destinados a produzir efeitos nos autos e passaram a atuar politicamente na esfera pública através de manifestos e até mesmo partindo para os insultos pessoais”. Barbosa participou de sua última sessão plenária no STF nesta terça-feira.

Dirceu será transferido e terá trabalho fora da prisão



A juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal, determinou no final da tarde desta terça-feira, dia 1º, a transferência imediata do ex-ministro José Dirceu do complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, para um estabelecimento prisional que abriga detentos autorizados a trabalhar fora da cadeia, também no DF. 

No despacho, a juíza afirma que a oferta de emprego a Dirceu já foi devidamente analisada pela seção psicossocial da VEP e que o Ministério Público deu parecer favorável à proposta. Dirceu foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), dentro do processo do mensalão.


O ex-ministro vai trabalhar no escritório do advogado José Gerardo Grossi e receberá um salário mensal de R$ 2,1 mil. O presidente do STF, Joaquim Barbosa, havia recusado um pedido de Dirceu para trabalhar nesse escritório. 


Segundo o ministro, a oferta de trabalho seria, na verdade, uma arranjo entre amigos. Na semana passada, entretanto, o plenário do Supremo derrubou a decisão e autorizou o petista a trabalhar no escritório de Grossi.

https://br.noticias.yahoo.com/dirceu-ser%C3%A1-transferido-ter%C3%A1-trabalho-fora-pris%C3%A3o-212500859.html?linkId=8685190

EM PRIMEIRA MÃO: A MÚSICA DE LOBÃO PARA A LISTA NEGRA DE JORNALISTAS CRIADA PELO PT. DIVULGUEM!

30/06/2014
 às 15:37


O cantor, compositor e colunista Lobão: retrato de um tempo numa canção
O cantor, compositor e colunista Lobão: retrato de um tempo numa canção
Vamos lá. O cantor e compositor Lobão, também colunista da VEJA, é um dos nove “malditos” que foram parar na lista negra do PT, assinada por Alberto Cantalice, vice-presidente do partido, divulgada no site oficial da legenda e propagada pelos blogs sujos, financiados por estatais. É a verticalização da infâmia, que os fascistoides costumam promover quando chegam ao poder: o estado, o partido e as milícias atuam como ordem unida. Só para lembrar: os outros oito da lista somos eu, Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Demétrio Magnoli, Arnaldo Jabor, Guilherme Fiuza, Marcelo Madureira e Danilo Gentilli. Essa é apenas a fornada inicial do nacional-socialismo petista. Se o partido vencer a eleição, certamente a lista será ampliada. A “Repórteres Sem Fronteiras”, a mais importante entidade internacional de defesa da independência jornalística, expressou o seu repúdio. Janio de Freitas, por sua vez, preferiu repudiar a… “Repórteres Sem Fronteiras”. Entenderam?
Adiante! Lobão fez uma música retratando, digamos assim, a alma profunda dos “companheiros” e evidenciando o espírito destes tempos. Chama-se “A Marcha dos Infames”. Ouçam e divulguem. Na sequência, publico a letra e um breve comentário a respeito.
A MARCHA DOS INFAMESAqueles que não são
E que jamais serão
Abusam do Poder,
Demência e obsessão.
Insistem em atacar
Com as chagas abertas do rancor,
E aos incautos fazer crer
Que seu ódio no peito é amor
Tanto martírio em vão,
Estupro da nação,
Até quando esse sonho ruim,
esse pesadelo sem fim?
Apedrejando irmãos
E os que não são iguais,
A destruição é a fé,
E a morte e a vida, banais.
E um céu sem esperança,
A Infâmia cobriu,
Com o manto da ignorância,
O desastre que nos pariu.
E o sangue dos ladrões
De outros carnavais
Na veia de vilões,
tratados como heróis.
E até quando ouvir
Cretinos e boçais
Mentir, mentir, mentir,
Eternamente mentir?
Mas o dia chegará
Em que o chão da Pátria irá tremer,
E o que não é não mais será
Em nome do povo, o Poder.

RetomoAdequando o comentário a estes dias, gol de placa de Lobão, na letra e na melodia! Reparem que o autor recorre a uma marcha propriamente, de caráter marcial mesmo, evidenciando o espírito da soldadesca sem uniforme do petismo — afinal, essa gente é uniformizada por dentro, não é mesmo?
Na letra — que, é claro!, faz uma denúncia da maior gravidade —, Lobão apela a um tom a um só tempo grandiloquente e meio farsesco, como a evidenciar a truculência cafona e vigarista dos fascistoides de plantão.
Há dois trechos que chamam particularmente a minha atenção:
E o sangue dos ladrões
De outros carnavais
Na veia de vilões,
tratados como heróis.Na mosca! O poder, hoje, no Brasil mistura o sangue do velho patriomonialismo — que forjou ao menos uns dois séculos de atraso — com o do novo patrimonialismo, que pretende liderar o atraso dos séculos vindouros. E gosto particularmente da última estrofe:Mas o dia chegaráEm que o chão da Pátria irá tremer,E O-QUE-NÃO-É não mais seráEm nome do povo, o Poder.
Tomei a liberdade de escrever em maiúsculas e usando hífen “O-QUE-NÃO-É”. É preciso que se entendam essas palavras como uma unidade semântica para que se perceba o seu caráter de sujeito do verbo “será”. “O-QUE-NÃO-É” dispensa predicativos; trata-se do falso, do engodo, da trapaça histórica, da vigarice, da mentira em si.
Divulguem por todos os meios a música de Lobão. Aí está o retrato de uma era. É uma canção de protesto destes tempos. Afinal, os “protestadores” de carteirinha do passado — Chico & Seus Miquinhos Amestrados” — estão calados diante de listas negras. Eles criavam metáforas contra a ditadura militar no passado não porque fossem, por princípio, contra ditaduras e perseguições. Opunham-se àquela ditadura em particular, mas não a outras. E julgavam que o regime não podia perseguir “as pessoas erradas”. Quando persegue “as certas”, tudo bem!
Não por acaso, nunca se opuseram à ditadura cubana. No fim das contas, foi Cuba que os pariu. A música de Lobão expõe farsantes do presente e do passado.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/em-primeira-mao-a-musica-de-lobao-para-a-lista-negra-de-jornalistas-criada-pelo-pt-divulguem/?fb_action_ids=10152498019552192&fb_action_types=og.likes&fb_ref=.U7N4hnAAZM4.like

Câmara pode votar hoje Decreto Legislativo que repudia arroto autoritário da dupla Dilma-Gilberto Carvalho: o Decreto 8.243, aquele que abre a porta para o fim da propriedade privada. E não se trata de exagero. Basta ser alfabetizado e saber ler! Que não falte hombridade aos deputados para defender o Parlamento!

Veja.Com

Henrique Alves, presidente da Câmara: ele diz que decreto 8.243 fere prerrogativas do Congresso
Henrique Alves, presidente da Câmara: ele diz que decreto 8.243 fere prerrogativas do Congresso. Que o Parlamento reaja!
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), deve pôr em votação nesta quarta o Decreto Legislativo da Câmara que torna sem efeito o decreto presidencial 8.243 — aquele arroubo bolivariano de Dilma Rousseff —, que submete, ainda que de forma oblíqua, as decisões do governo federal a conselhos populares. Trata-se de uma óbvia usurpação dos poderes do Congresso pelo Executivo. Já tratei do assunto aqui muitas vezes. A Constituição estabelece, sim, a participação direta da população por meio de três instrumentos: plebiscitos, referendos e emendas de iniciativa popular. Os conselhos, na forma como quer o decreto de Dilma, simplesmente substituem a democracia representativa pela democracia direta.
Folha, afirmou Alves: “O decreto está em desarmonia com o princípio da separação dos Poderes, pois ao Congresso Nacional cabe, precipuamente, formulação de políticas públicas, por meio de lei, após amplo debate entre todas as forças políticas — da situação e da oposição — sobre as mais diversas demandas de todos e quaisquer grupos da sociedade, alinhados ou não, ao governo”. É só uma questão de bom senso.
Nesta terça, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, esteve com Alves. O deputado voltou a defender a retirada do texto, mas o governo deixou claro que não negocia. OI presidente da Câmara lamentou: “Esperava compreensão do governo, mas não foi possível”.
Não custa lembrar trechos do monstrengo dilmiano. O Artigo 1º do decreto estabelece: Fica instituída a Política Nacional de Participação Social – PNPS, com o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”. Sei… O Inciso II do Artigo 3º sustenta ainda que uma das diretrizes do PNPS é a “complementariedade, transversalidade e integração entre mecanismos e instâncias da democracia representativa, participativa e direta”.
Certo! Então os conselhos seriam uma forma de democracia direta, né? Só que é a democracia direta que se realiza à socapa, sem que ninguém saiba. Ou o “cidadão” decide fazer parte de algum “coletivo” ou “movimento social” ou não vai participar de coisa nenhuma. O texto tem o topete de definir o que é sociedade civil logo no Inciso I do Artigo 2º: “o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”. Ou por outra: é sociedade civil tudo aquilo que o poder decidir que é; e não é o que ele decidir que não é.
Fim da propriedade privada
Como observei numa coluna na Folha, O “indivíduo” só aparece no decreto para que possa ser rebaixado diante dos “coletivos” e dos “movimentos sociais institucionalizados” e “não institucionalizados”, seja lá o que signifiquem uma coisa, a outra e o seu contrário. Poucos perceberam que o decreto institui uma “justiça paralela” por intermédio da “mesa de diálogo”, assim definida: “mecanismo de debate e de negociação com a participação dos setores da sociedade civil e do governo diretamente envolvidos no intuito de prevenir, mediar e solucionar conflitos sociais”.
Ai, ai, ai… Como a Soberana já definiu o que é sociedade civil, podemos esperar na composição dessa mesa o “indivíduo” e os movimentos “institucionalizados” e “não institucionalizados”. Se a sua propriedade for invadida por um “coletivo”, por exemplo, você poderá participar, apenas como uma das partes, de uma “mesa de negociação” com os invasores e com aqueles outros “entes”. Antes que o juiz restabeleça o seu direito, garantido em lei, será preciso formar a tal “mesa”…
Isso tem história. No dia 19 de fevereiro, o ministro Gilberto Carvalho participou de um seminário sobre mediação de conflitos. Com todas as letras, atacou a Justiça por conceder liminares de reintegração de posse e censurou o Estado brasileiro por cultivar o que chamou de “uma mentalidade que se posiciona claramente contra tudo aquilo que é insurgência“. Ou por outra: a insurgência lhe é bem-vinda. Parece que ele tem a ambição de manipulá-la como insuflador e como autoridade.
Vocês se lembram do “Programa Nacional-Socialista” dos Direitos Humanos, de dezembro de 2009? É aquele que, entre outros mimos, propunha mecanismos de censura à imprensa. Qual era o Objetivo Estratégico VI? Reproduzo trecho:
“a- Assegurar a criação de marco legal para a prevenção e mediação de conflitos fundiários urbanos, garantindo o devido processo legal e a função social da propriedade.
(…)
d- Propor projeto de lei para institucionalizar a utilização da mediação como ato inicial das demandas de conflitos agrários e urbanos, priorizando a realização de audiência coletiva com os envolvidos (…) como medida preliminar à avaliação da concessão de medidas liminares (…)”
Dilma voltou à carga com o Decreto 8.243, resolveu dar uma banana para o Congresso e, em vez de projeto de lei, que pode ser emendado pelos parlamentares, mandou logo um decreto.
Que a Câmara tenha a decência de repudiar esse arroto autoritário!
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/camara-pode-votar-hoje-decreto-legislativo-que-repudia-arroto-autoritario-da-dupla-dilma-gilberto-carvalho-o-decreto-8-243-aquele-que-abre-a-porta-para-o-fim-da-propriedade-privada-e-nao-se-trata-d/

terça-feira 01 2014

Barbosa diz que deixa Supremo 'com a alma leve' e sem interesse na política

Mensalão

Depois de onze anos na corte, Joaquim Barbosa não fez discurso de despedida e reconheceu, em entrevista, que "comprou brigas" no Supremo

Laryssa Borges, de Brasília
Joaquim Barbosa preside nesta terça-feira (01) sua última sessão do Supremo Tribunal Federal. A aposentadoria do ministro está prevista para este mês
Joaquim Barbosa preside nesta terça-feira (01) sua última sessão do Supremo Tribunal Federal. A aposentadoria do ministro está prevista para este mês - Pedro Ladeira/Folhapress
Em sua última sessão no comando do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa afirmou nesta terça-feira que "comprou briga" por seu estilo duro e confrontador, mas que deixa a corte com "a alma leve" e "com sentimento de dever cumprido". Há um mês, ele anunciou que anteciparia sua aposentadoria para o final do semestre – a aposentadoria compulsória ocorreria somente em outubro de 2024, quando completará 70 anos.
“Saio absolutamente tranquilo, com a alma leve e com aquilo que é fundamental para mim, o cumprimento do dever. É importante que o brasileiro se conscientize da importância, da fundamentalidade e da centralidade da obrigação de todos cumprirem as normas, a lei e a Constituição”, disse, em entrevista, após deixar a sessão desta terça.
Relator do processo do mensalão e presidente da corte durante o desfecho do maior julgamento criminal do STF, Barbosa reconheceu que suas decisões provocaram conflitos. “Esse é o norte principal da minha atuação: pouca condescendência com desvios, com essa inclinação natural a contornar os ditames da lei e da Constituição. Eu comprei briga nessa linha sempre que achei que havia desvios, tentativas de desviar-se do caminho correto, que é aquele traçado pela Constituição. O resto não tem muita importância."
Longe do Judiciário, Barbosa disse que terá liberdade para “tomar posições” porque será "um cidadão como outro qualquer", mas – mais uma vez –, negou ter pretensões políticas apesar de seu nome ser citado com frequência em pesquisas de intenção de voto. “A política não tem na minha vida essa importância toda, a não ser como objeto de estudos e de reflexões. Não tenho esse apreço todo pela politiciènne, essa política do dia a dia. Isso não tem grande interesse para mim."
Barbosa conduziu parte da sessão do Supremo na manhã desta terça-feira e, até o momento, ainda não encaminhou ao Ministério da Justiça seu pedido oficial de aposentadoria. Ele também não fez o tradicional discurso de despedida, quando recebe os cumprimentos dos demais integrantes da corte e de advogados.
Na saída do plenário, afirmou: “Deixo bem, com sentimento de dever cumprido, a sensação é boa. Foi um período de privilégio imenso de poder tomar decisões importantes para o nosso país, um período em que, não em razão da minha atuação individual, mas coletivamente, o STF teve um papel extraordinário no aperfeiçoamento da nossa democracia. Isso é fundamental”.
Sucessão – Com a aposentadoria de Joaquim Barbosa, a presidente Dilma Rousseff vai indicar seu quinto ministro. Embora tenha feito a ressalva de que não daria nenhum tipo de conselho sobre a escolha do sucessor, Barbosa disse que os ministros da mais alta corte do país devem se comportar como “estadistas”.

“Faço questão de dizer que não estou dando nenhum conselho à presidente da República, mas o que penso é que, em primeiro lugar, um membro do STF tem que ter como característica fundamental ser um estadista, ou ser um estadista em gestação que aos poucos vá se aprimorar aqui dentro. O caráter da pessoa escolhida é também muito importante. Esse tribunal toma decisões fundamentais que influenciam enormemente a vida cotidiana de todos os brasileiros”, disse. E concluiu: “Aqui não é lugar para pessoas que chegam com vínculos com determinados grupos de pressão, não é lugar para se privilegiar determinadas orientações. A pessoa tem que chegar com abertura de espírito para, eventualmente, ter até que mudar seus pontos de vista anteriores, tomar as medidas e adotar as orientações que sejam do interesse da nação".

Vereadores aprovam Plano Diretor que beneficia invasões de sem-teto

São Paulo

O texto recebeu 44 votos favoráveis e 8 contrários. Os vereadores agora vão analisar 117 emendas apresentadas para alterar trechos do projeto

Eduardo Gonçalves
Integrantes de movimentos sociais participaram da sesssão da Câmara Municipal de São Paulo que aprovou o Plano Diretor da cidade, nesta segunda-feira (30)
PRESSÃO – Sem-teto acompanham votação do Plano Diretor na Câmara Municipal de São Paulo (Ernesto Rodrigues/Folhapress)
(Atualizado às 19h)
Depois de nove meses de discussões, a Câmara Municipal aprovou nesta segunda-feira o Plano Diretor da cidade de São Paulo. O texto recebeu 44 votos a favor e 8 contra, na segunda votação em plenário. Na sequência, os vereadores separaram as 117 emendas apresentadas em dois blocos: um deles foi aprovado, embora os ajustes não modifiquem substancialmente o texto-base. O próximo passo será a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, sem seguida, a sanção do prefeito Fernando Haddad (PT).
O texto aprovado beneficia quatro invasões de propriedade privada feitas pelo chamado Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) na cidade. A quinta área invadida, a chamada de Copa do Povo, na região do estádio do Itaquerão, na Zona Leste, ainda será analisada por meio de outro projeto de lei. Com o novo Plano Diretor, invasões serão transformadas em Zonas Especiais de Interesse Sociais (Zeis).

O Plano Diretor visa gerenciar o crescimento da cidade pelos próximos dezesseis anos. Para alcançar os 33 votos necessários, o prefeito Fernando Haddad fez concessões a vereadores da base aliada, que até a semana passada nem sequer davam quórum para o início dos debates.
Esta foi a 22ª vez que a lei entrou como pauta na Casa. Na semana passada, as sessões foram encerradas por falta de quórum. Além da bancada do PSDB, Gilberto Natalini (PV) e Toninho Vespoli (PSOL) votaram contra a lei. “Estamos incentivando as invasões de terrenos privados ou públicos, que acabam se tornando motivo de negociação. Isso é um erro constitucional e uma afronta à Constituição”, disse o líder do PSDB, Floriano Pesaro.