domingo 22 2014

Convenções expõem muitas caras do PSB nos Estados

Eleições 2014

Eventos em Minas, Rio e São Paulo evidenciam o desencontro entre os projetos políticos de Eduardo Campos e Marina Silva e as divisões do próprio partido

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, e sua vice, Marina Silva: desentendimento nos Estados
O pré-candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, e sua vice, Marina Silva: desentendimento nos Estados (Erbs Jr./Frame/Folhapress)
A “nova forma de fazer política” que uniu Eduardo Campos e Marina Silva desdobra-se, às vésperas do início da campanha de 2014, em um esquizofrênico conjunto de alianças nos Estados. As últimas 48 horas expuseram desencontros marcantes nos projetos políticos que orientam os movimentos do ex-governador pernambucano, candidato à Presidência pelo PSB, e dos ‘marineiros’, que almejam construir uma estrutura partidária capaz de viabilizar, para eleições futuras, o que o Rede Sustentabilidade não foi capaz de concretizar. Na última pesquisa de intenção de voto Ibope/CNI, divulgada na quinta-feira, 19, Campos aparece em terceiro, com 10% das intenções de voto. A presidente Dilma Rousseff lidera com 39%, seguida pelo tucano Aécio Neves, com 21%.
Desde a sexta-feira, desenham-se as coligações que devem servir a Campos e ao PSB na corrida eleitoral. Em São Paulo, os socialistas integram a coligação liderada pelo PSDB para tentar reeleger o governador Geraldo Alckmin. Ganharam, em troca, o direito de indicar o vice na chapa. A aliança foi anunciada como parte de um esforço de “mudança nacional”, e cria, em tese, condições para que Alckmin venda seu peixe nos eventos do candidato de seu partido à Presidência, o senador Aécio Neves, e de Campos. É pouco provável, no entanto, que São Paulo funcione de fato como um palanque para o PSB – pelo menos no primeiro turno.
As convenções regionais realizadas neste sábado tiveram resultado bem diferente no Rio de Janeiro, onde o PSB formalizou o apoio ao PT, que disputa o governo do Estado com Lindbergh Farias, e em Minas Gerais, onde não houve acordo.
A candidatura própria do PSB no Rio de Janeiro era um projeto de socialistas alinhados com Marina Silva, liderados principalmente pelo ex-PV Alfredo Sirkis. O projeto de candidatura socialista foi derrotado na convenção por 113 a 24, o que leva a ala marineira a criticar os rumos do partido no Estado. O Rio de Janeiro, onde Marina Silva, então no PV, terminou em segundo lugar na eleição presidencial de 2010, tinha, na visão dos marineiros, potencial para alavancar o crescimento desse grupo político. Alinhados ao PT, tudo muda de figura.
Se no Rio de Janeiro venceu o pragmatismo, em Minas Gerais foi impossível estabelecer, pelo diálogo e pelo voto, um posicionamento claro para os socialistas. Não foi possível estabelecer maioria para lançar a candidatura ao governo com o deputado federal Júlio Delgado. O conflito é com os defensores do apoio ao tucano Pimenta da Veiga – tese da maioria dos prefeitos de cidades mineiras e do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda. Assim como no Rio, os marineiros do PSB mineiro insistem na candidatura própria. A decisão em Minas Gerais foi empurrada para Executiva estadual.
A fala do ambientalista Apolo Heringer, que contava com o apoio de Marina Silva para concorrer ao governo de Minas, mas desistiu do projeto nesta sexta-feira, reflete bem o ponto de vista de quem esperava um voo solo do PSB nos Estados. "Ao defender o apoio à candidatura do PSDB em Minas, o PSB não se coloca como alternativa", disse Heringer. “A despeito da aposta da Rede Nacional em propor uma coligação programática que fosse uma alternativa efetiva, o que se observa é a permanência da polarização PT-PSDB.”

sábado 21 2014

Atividade física intensa previne ganho de peso no futuro

Mulher

Mulheres que se exercitam durante a juventude engordam menos que homens

Jovens praticam corrida: exercício aeróbio é um dos preferidos por quem quer perder peso
Jovens praticam corrida: exercício aeróbio é um dos preferidos por quem quer perder peso (Zia Soleil/Getty Images)
“Todos se beneficiam da atividade física intensa, mas fiquei surpreendido com as diferenças entre os gêneros” - Arlene Hankinson, autora do estudo e professora de Medicina da Universidade de Northwestern
Exercícios físicos têm um impacto mais duradouro do que se pensava. Segundo um estudo realizado pelo departamento de medicina da Universidade Northwestern, os efeitos benéficos podem ser sentidos até a meia idade, principalmente nas mulheres. De acordo com a pesquisa, mulheres que realizam atividade física intensa quase todos os dias da semana ganham menos peso na meia idade.

Segundo os resultados, aquelas que se exercitaram com frequência moderada a intensa durante vinte anos ganharam quase seis quilos a menos do que as que praticaram atividade física leve. No caso dos homens, foram 2,72 quilos a menos para os que eram ativos no esporte. Para a pesquisa, os cientistas consideraram como atividade moderada a intensa um total 150 minutos por semana de exercícios como basquete, corrida, aula de ginástica, trabalho doméstico ou construção.

Os dados, levantados a partir de entrevistas com 1.800 mulheres e 1.700 homens, são os primeiros que mediram o impacto da atividade intensa em 20 anos, entre a juventude e a meia idade.

“Todos se beneficiam da atividade física intensa, mas fiquei surpreendido com as diferenças entre os gêneros”, disse Arlene Hankinson, autora do estudo e professora de Medicina da Universidade de Northwestern. “Não é que a atividade não tem efeito em homens, mas o efeito é maior nas mulheres. Agora, elas devem ficar especialmente motivadas”, disse.

Pode haver várias razões para a diferença entre os sexos. Segundo Hankinson, estudos prévios mostraram que os homens costumam superestimar suas atividades, mais do que as mulheres. Ou seja, eles não fazem tanta atividade física quanto eles dizem fazer. Além disso, homens que fazem parte do grupo de atividades intensas compensam o exercício comendo mais do que aqueles que não se exercitam muito.
A pesquisa foi publicada na edição de dezembro do Journal of American Medical Association.

Exercício físico melhora desempenho escolar, diz estudo

Pediatria

Veja.Com

Pesquisa revelou que adolescentes e crianças com habilidade motora e capacidade cardiorrespiratória boas tinham notas mais altas do que aqueles com vigor físico inferior

exercício
Estudo não mostrou relação entre força muscular e notas (Thinkstock)
Praticar exercício físico na infância e na adolescência pode ser benéfico não apenas à saúde, mas também ao boletim escolar, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira no periódicoJournal of Pediatrics.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Independent and Combined Influence of the Components of Physical
Fitness on Academic Performance in Youth


Onde foi divulgada: periódico Journal of Pediatrics

Quem fez: Irene Esteban-Cornejo, Carlos Ma. Tejero-Gonzalez, David Martinez-Gomez, Juan del-Campo, Ana Gonzalez-Galo, Carmen Padilla-Moledo, James F. Sallis e Oscar L. Veiga

Instituição: Universidade Autônoma de Madri, na Espanha

Resultado: Pesquisadores descobriram que crianças com boa capacidade cardiorrespiratória e a habilidade motora têm melhor desempenho acadêmico do que aquelas com níveis cardiorrespiratórios e motores inferiores. 
Melhora da capacidade cardiorrespiratória, força muscular e habilidade motora são benefícios comprovados da atividade física à saúde. Como cada um desses fatores exerce efeitos sobre o cérebro, pesquisadores decidiram investigar se eles poderiam, de alguma forma, impactar o desempenho acadêmico. 
Os cientistas analisaram dados sobre rotina de exercícios, composição corporal e desempenho escolar de 2.038 crianças e adolescentes de seis a dezoito anos, na Espanha. Eles constataram que os participantes com boa capacidade cardiorrespiratória e habilidade motora tiravam melhores notas do que os voluntários com desempenho inferior nesses quesitos. A força muscular não mostrou relação com o boletim.
"Ter uma boa capacidade cardiorrespiratória e habilidade motora pode, até certo ponto, reduzir o risco de fracasso escolar", diz Irene Esteban-Cornejo, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade Autônoma de Madri, na Espanha. O estudo realça a necessidade de realizar esforços para promover a prática de atividade física na infância e na adolescência.

Hugh Laurie - Unchain My Heart (from Ocean Way Studios)





As promessas não cumpridas de Dilma

As 6.000 creches


A construção de 6.000 creches foi uma das promessas mais marcantes de Dilma Rousseff. A meta era entregar as obras até o fim de 2014. Mas isso não vai acontecer. Até agora, segundo o Ministério da Educação, cerca de um terço das obras foi concluído.

Cinco refinarias

A presidente se comprometeu a construir cinco refinarias. Até agora, nenhuma foi entregue. Se tudo der certo, Dilma vai conseguir inaugurar apenas a de Abreu e Lima, em Pernambuco, e com um custo muito maior do que o previsto: o valor inicial, de 2,4 bilhões de dólares, passou para 18,5 bilhões.

Trem-bala

A ideia da presidente, que lançou o projeto ainda como ministra, era inaugurar a obra a tempo da Copa do Mundo deste ano. Em vez disso, o que há é apenas papel: nem mesmo a empresa responsável pela obra foi escolhida. As condições estabelecidas pelo governo no edital de licitação não convenceram os possíveis investidores do projeto de 40 bilhões de reais.

Transnordestina

Dilma prometeu entregar a ferrovia até o fim de 2014. Mas a obra não ficará pronta nem em 2015. Se nada mais der errado, os trens vão começar a percorrer a via férrea daqui a dois ano, quando a petista pode estar fora do Planalto. 

Reforma tributária

O governo nem mesmo enviou ao Congresso uma proposta de reforma tributária. Preferiu, em vez disso, lançar isenções temporárias a setores específicos da economia, como o automotivo. 

Reforma política

O governo prometeu mais do que poderia cumprir. A tarefa depende do Congresso, e o Planalto piorou as coisas quando propôs um plebiscito para destravar a reforma. Os parlamentares rejeitaram a ideia e também não chegaram a um acordo sobre o mérito da discussão.

R.E.M. - Losing My Religion (Perfect Square '04)













“Repórteres sem Fronteiras”, a mais importante entidade internacional de proteção ao trabalho de jornalistas, critica “a lista do PT” de “inimigos da pátria”. O mundo, ao menos, está atento à escalada autoritária. Ajudem a divulgar o texto


Repórteres Sem Fronteiras
Se, no Brasil, muita gente prefere olhar de lado e fazer de conta que nada aconteceu, não é assim em países e entidades em que a liberdade de expressão é levada a sério. Tomei conhecimento, primeiro, por intermédio do blog do jornalista Claudio Tognollicujo post reproduzo abaixo: a entidade “Repórteres Sem Fronteira” publica um  texto em seu site (versão em inglêsem que expressa a sua preocupação com o fato de o PT criar uma “lista” de jornalistas que não agradam ao regime. Leiam. Volto depois.*A tensão entre o governo e os jornalistas da oposição acaba de subir de tom. Num artigo publicado a 16 de junho de 2014 no site do Partido dos Trabalhadores (PT), atualmente no poder, o vice-presidente do partido Alberto Cantalice estabelece uma lista negra de jornalistas designados como os “pitbulls da grande mídia”. Para o dirigente petista, o ódio de Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes Diogo Mainardi, Lobão e dos humoristas Danilo Gentili e Marcelo Madureira contra as medidas progressistas dos governos Lula e Rousseff se tornou ainda mais evidente desde o começo do Mundial, que esperam que fracasse.
Esses “inimigos da pátria” não demoraram a responder. O jornalista Demétrio Magnoli denunciou em Globo um artigo “calunioso” e uma ação de propaganda por parte do PT. Magnoli se mostra preocupado pelo fato de um político do partido no poder convidar à “caça” dos jornalistas opositores “na rua”. Já Reinaldo Azevedo, da revista Vejaafirmou sua intenção de processar Alberto Cantalice por “difamação”.
Repórteres sem Fronteiras expressa sua inquietação pelas graves acusações dirigidas contra os jornalistas provenientes de um alto cargo do PT”, declara Camille Soulier, responsável da seção Américas da organização. “Não ignoramos o contexto polarizado da mídia, que pode exagerar o descontentamento geral. No entanto, as dificuldades sentidas pelo PT não justificam o recurso à propaganda de Estado.”
Essas acusações foram lançadas num clima social tenso, com a multiplicação de movimentos populares contra as despesas do governo com a Copa do Mundo. A polícia militar tem respondido através da força e alguns jornalistas foram agredidos. No total, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) já contabilizou 17 agressões de jornalistas no âmbito de manifestações desde a abertura do Mundial. Entre as vítimas, contam-se correspondentes da CNNe de agências internacionais, como a Reuters e a Associated Press, assim como jornalistas da mídia local ou profissionais independentes. Karinny de Magalhãesjornalista e ativista do coletivo Mídia NINJA, foi detida e espancada até desmaiar.
Aos 17 casos citados se juntou a detenção arbitrária de Vera Araújo, do diário O Globo, no passado dia 15 de junho, elevando para 18 o número de abusos. A jornalista estava filmando a detenção de um turista argentino e acabou também sendo presa. Uma investigação foi aberta contra o policial militar responsável pela detenção.
O Brasil se situa no 111º lugar em 180 países na última Classificação Mundial da Liberdade de Imprensaelaborada por Repórteres sem Fronteiras. Por ocasião da Copa do Mundo de futebol, a organização lançou uma campanha para sensibilizar o público sobre a situação da liberdade de informação nos países participantes.
Voltei
As pessoas sérias não hesitam em repudiar “listas de inimigos do Estado”. Atuam em favor da liberdade, não de um partido ou de uma ideologia.
Lendo o texto de “Repórteres Sem Fronteiras”, eu me dou conta de algo que chega a ter a sua graça: algum outro jornalista, de centro, direta ou esquerda, pode ter sido tão duro como fui com as manifestações contra a Copa; mais duro, acho que não houve.
Está em arquivo tudo o que escrevi sobre os protestos de junho do ano passado até agora. Quem passou a mão na cabeça de baderneiros foi Dilma, foi o PT. Não eu. Tentem achar um único texto meu antevendo que a Copa seria um fiasco. Nunca entrei nessa! Podem não gostar de mim, mas não sou burro.
A perseguição a mim e aos outros nada tem a ver com a Copa do Mundo. O que eles não toleram é a divergência. Fazem listas para tentar intimidar os nove citados e para ganhar o silêncio dos demais — no que, parece, estão sendo bem-sucedidos.
Por mim, tudo bem: mais convicto do que ontem e menos do que amanhã. O PT quer cabeças. Eu quero liberdade, especialmente para os que divergem de mim. Para chegar a esse ponto, a liberdade tem de ser um valor, não um mero instrumento. Antes do PT, só as ditaduras fizeram listas de jornalistas. E encerro dizendo que há pessoas que estão se borrando por nada. O partido sabe reconhecer “contestadores a favor”.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/reporteres-sem-fronteiras-a-mais-importante-entidade-internacional-de-protecao-ao-trabalho-de-jornalistas-critica-a-lista-do-pt-de-inimigos-da-patria/