sábado 19 2014

O outro esqueleto da Petrobras em Pasadena

Empresas

Empresa de fabricação de asfalto foi criada nos Estados Unidos em 2010, mas nunca vingou

Ana Clara Costa, de Pasadena
Refinaria Pasadena comprada pela Petrobrás no Texas (EUA)
Área do terreno adquirido pela Petrobras para ampliar Pasadena (Gilberto Tadday)
Da operação da Petrobras em Pasadena, no Texas, uma parte ainda está bem guardada. Quando o litígio entre a estatal e a sócia belga terminou, um terreno comprado pela Astra foi herdado pela empresa brasileira. Trata-se de uma fábrica de papel falida chamada Pasadena Paper — tão centenária quanto a própria refinaria. A Petrobras tinha a intenção de usar o local para a ampliação da planta de refino. A ideia era aumentar a capacidade de processamento de 100 000 barris diários para 200 000. Junto com o projeto, a estatal aprovou a criação de uma nova empresa a ser instalada no local: a Petrobras Asphalt, que fabricaria asfalto como subproduto do petróleo processado em Pasadena. A empresa foi registrada no banco de dados do estado do Texas em 8 de janeiro de 2010. Mas sua atuação foi fulminante. No início de 2013, já estava fora de operação.
Não há registros da atuação da Asphalt em Pasadena. Sua área, assim como o restante do terreno da empresa de papel, integra um elefante branco na cidade e funciona meramente como galpão de estocagem de insumos da refinaria. A Petrobras jamais comunicou aos seus acionistas sobre a criação da nova empresa e tampouco o que pretendia com ela. Comandada pelo então gerente da área de asfalto da BR Distribuidora, Jorge Paulo Moro, a Asphalt tem em seu DNA as digitais de Nestor Cerveró e seu sucessor na diretoria internacional, Jorge Zelada. À época da criação da empresa, Cerveró era diretor financeiro da BR, o único braço da estatal ligado a projetos de asfalto. Foi ele que chancelou a indicação de Moro, funcionário de carreira da estatal, para liderar o negócio. Outra indicação foi a de Sócrates José Marques da Silva, assessor de Zelada, que também assinou pela criação da empresa.
Da mesma forma que o projeto de expansão da refinaria nunca vingou, a Petrobras Asphalt também foi sepultada. Com a chegada de Graça Foster à presidência da estatal, não só a diretoria internacional viu seu poder minguar, como os projetos que estavam sob sua batuta também foram congelados. O quanto a Petrobras gastou para criar a estrutura da Asphalt nos Estados Unidos ainda é um mistério. Contudo, apenas para implodir um prédio localizado no terreno da empresa de papel e assim usá-lo para seus próprios interesses, a estatal injetou 10 milhões de dólares, por meio da refinaria de Pasadena.
Em 2013, a Asphalt deixou de operar e seus funcionários voltaram ao Brasil. No pouquíssimo tempo em que funcionou nos EUA, a única coisa que acumulou foram duas ações na Justiça, das quais é ré. Ambas alegavam terem contratos firmados com a empresa brasileira, cujos pagamentos não foram honrados. Para escapar das penalidades, a empresa tem alegado que está em processo de dissolução e não pode arcar com nenhuma penalidade financeira.

sexta-feira 18 2014

Bruce Springsteen & Eddie Vedder- Better Man 13 10 2004





O Fim da Escuridão





Thomas (Mel Gibson) é um detetive policial que testemunha o assassinato da filha ativista na porta de sua casa. Perturbado pela perda e convencido de que ele era o alvo, Thomas parte para uma investigação obcecado por justiça. As evidências o levarão a descobrir um complexo esquema de corrupção envolvendo políticos e a indústria de armas nucleares norte americanas.
O Fim da Escuridão (Edge of Darkness) aconteceu no dia 29/01/2010 nos cinemas.



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O Fim da Escuridão (Edge of Darkness)





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Pasadena - Mau, não. Péssimo negócio

Petrobras

Mau, não. Péssimo negócio

Graça Foster reconheceu que Pasadena foi um erro e que o dinheiro gasto não será recuperado. Mas isso só reforçou na oposição o ímpeto de conseguir a instauração de uma CPI da Petrobras

Ana Clara Costa, de Pasadena
OVELHA NEGRA - Quase centenária, Pasadena tem diversos equipamentos totalmente sucateados. “É a pior refinaria da região”, diz um procurador do Texas
OVELHA NEGRA - Quase centenária, Pasadena tem diversos equipamentos sucateados (Gilberto Tadday)
A presidente da Petrobras, Graça Foster, e o ex-diretor da área internacional Nestor Cerveró foram ao Congresso prestar esclarecimentos sobre a contestada compra da refinaria de Pasadena (PRSI) no Texas — foco de uma virtual CPI. Antes da sabatina, eles se encontraram para alinhar o discurso. Graça alertou Cerveró de que nenhuma afirmação que aumentasse a crise seria tolerada. A estratégia era apresentar o caso tão somente como um investimento fracassado — nada mais que isso. Sabatinada por seis horas na terça-feira, a executiva seguiu à risca esse roteiro. Reconheceu que a compra “não foi um bom negócio”. Mais ainda, afirmou que não há chance de que o dinheiro despejado na refinaria seja recuperado.
Quando chegou seu dia de falar, Cerveró reafirmou que em 2006, quando a compra de uma participação de 50% em Pasadena foi decidida, o negócio estava em consonância com a estratégia de internacionalização da Petrobras. Corroborou aquilo que Dilma Rousseff afirmara um mês antes: as cláusulas que obrigaram a Petrobras a comprar a parte da belga Astra Oil no empreendimento, elevando o valor total do negócio a 1,25 bilhão de dólares, não constavam do resumo executivo apresentado ao conselho de administração, que ela presidia à época. Anteriormente, Cerveró havia dito que o conselho dispunha de todas as informações necessárias — daí o alerta de Graça. Desta vez, baixou o tom. “Não tive a intenção de enganar Dilma”, disse ele, acrescentando que não mencionou as cláusulas por julgar que elas “não eram relevantes”. Ao fim de cinco horas, os governistas se apressaram em dizer que os esclarecimentos eram suficientes. O fato, porém, é que o discurso alinhado de Graça e Cerveró não bastou para afastar da oposição o objetivo de que se faça uma investigação aprofundada. Há outros esqueletos no armário da Petrobras: as refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e de San Lorenzo, na Argentina, estão igualmente cercadas por dúvidas. Quem conhece de perto a questão diz que, se Pasadena foi um mau negócio, Abreu e Lima é um negócio da China.
Cidades com refinarias não são lugares aprazíveis. Pasadena, onde estão instaladas dezenas de plantas, não se desvia um milímetro dessa regra. Seu apelido é Stinkadena — um trocadilho com a palavra inglesa que significa “fedor” — e, por causa das emissões de gases, o céu tem uma permanente coloração cinzenta. Para minimizarem o ônus de viver em um lugar assim, autoridades e moradores fazem pressão constante sobre as refinarias, apontando aquelas que se qualificam como boas e más “corporações-cidadãs”. A PRSI é hoje a ovelha negra entre as empresas locais. “É a pior refinaria da região em todos os sentidos”, afirma Rock Owens, procurador do condado. Segundo a agência de proteção ambiental do governo americano, a refinaria teve o maior número de violações ambientais graves nos últimos cinco anos em Pasadena. Em 2013, do total de 1,8 milhão de dólares em penalidades aplicadas no Texas, a maior fatia coube a ela: 757.000 dólares. “O estado é leniente em relação às políticas ambientais. Mesmo assim, ela conseguiu levar a multa”, diz Owens.
O estado de conservação da refinaria é a origem de todos esses problemas. A planta foi construída em 1920, pela Crown Central Petroleum, e não passou por nenhuma grande modernização nos últimos cinquenta anos. Para todos que navegam pelo Houston Ship Channel, a principal via de escoamento dos derivados de petróleo produzidos na região, o cartão de visita da PRSI é uma instalação queimada, caindo aos pedaços. Trata-se de uma estrutura que explodiu em 2011. Os escombros nunca foram removidos.
Como em qual­quer indústria, quanto mais antigas as instalações, mais cara é a manutenção e maior o seu passivo ambiental — um fator importante em Pasadena, uma vez que a legislação do Texas exige que qualquer reforma contemple também o tratamento do solo, da água e dos resíduos produzidos pelas obras. Recentemente, a petroleira americana Chevron anunciou que gastará 1 bilhão de dólares na modernização de sua planta em Richmond, no Estado da Califórnia. Tr­ata-se de uma das maiores e mais antigas refinarias dos Estados Unidos. Mas, ao contrário de Pasadena, reformas no local são empreendidas há décadas e o plano de engenharia vem sendo discutido abertamente com os acionistas e os moradores. Estimativas em poder da Petrobras indicam que a modernização de Pasadena custaria ao menos 1,5 bilhão de dólares. Segundo o procurador Rock Owens, o valor é maior. “Acredito que apenas para lidar com o passivo ambiental seja preciso desembolsar cerca de 1 bilhão de dólares”, diz.
Vista aérea da refinaria de Pasadena, comprada pela Petrobras no Texas
Vista aérea da refinaria de Pasadena, comprada pela Petrobras no Texas - Gilberto Tadday
Isso explica por que Graça Foster afirmou ao Senado que dificilmente o dinheiro já gasto em Pasadena será recuperado. Pelas contas apresentadas por ela, o montante é hoje de quase 1,9 bilhão de dólares. Nele estão inclusos os 360 milhões de dólares gastos em 2006 na compra de 50% da PRSI, os 820,5 milhões de dólares pagos em 2012, quando a petroleira brasileira teve de adquirir a fatia da sócia, por causa das cláusulas contratuais omitidas por Cerveró do resumo executivo, e os 685 milhões de dólares investidos na planta em oito anos — que serviram apenas para deixar a refinaria no estado em que está. Graça comemorou o fato de que neste ano Pasadena vem operando com capacidade plena, ou seja, produzindo 100.000 barris por dia. Até o final de 2013, a capacidade máxima de produção nunca havia sido atingida: nos melhores meses, chegava a 85.000 barris por dia. Está implícito no discurso de Graça, contudo, que isso não basta — e que os bilhões extras necessários para a modernização não estão nos planos da estatal. Restaria a opção de vender a refinaria. Graça disse que não pretende se desfazer de um ativo que está sob investigação.
A oposição continua firme na convicção de que existem elementos suficientes para justificar a criação de uma CPI que lance luz sobre as engrenagens que acarretaram prejuízos à Petrobras, a seus acionistas minoritários e ao Brasil. A briga judicial entre a Petrobras e a Astra em torno de Pasadena é rica em detalhes que revelam a mentalidade dos diretores da empresa brasileira em anos recentes. Um e-mail enviado em 2006 pelo executivo Terry Hammer a seus colegas da companhia belga atesta: “Como Alberto (Feilhaber, ex-funcionário da estatal e então diretor da Astra) disse tantas vezes, a Petrobras não tem nenhum problema em gastar dinheiro”. Há uma ligação direta entre esse estilo de gestão e a maneira como as diretorias da Petrobras passaram a ser ocupadas desde a chegada do PT ao poder. Nesses anos, o governo tratou a empresa, acima de tudo, como ferramenta política. Se aliados estão rebelados, loteiam-se os cargos da Petrobras entre os partidos. É esse tipo de engrenagem que produz desvios de recursos e prisões como a do ex-diretor Paulo Roberto Costa. É esse tipo de engrenagem que, talvez, só uma CPI seria capaz de expor e desmontar.    

quarta-feira 16 2014

Depoimento de Foster não afasta risco de CPI da Petrobras

Senado

Senadores devem insistir em investigação dos negócios suspeitos da estatal, após ouvirem a presidente da petrolífera repetir justificativas de Dilma Rousseff

Laryssa Borges, de Brasília
A presidente da Petrobras, Graça Foster, durante audiência conjunta no Senado em Brasília, para prestar esclarecimentos sobre denúncias envolvendo a estatal
A presidente da Petrobras, Graça Foster, durante audiência conjunta no Senado em Brasília, para prestar esclarecimentos sobre denúncias envolvendo a estatal (Fernando Bizerra Jr/EFE)
O longo depoimento de seis horas da presidente da Petrobras, Graça Foster, no Senado expôs, com detalhes ainda inéditos, a malsucedida operação de compra da refinaria de Pasadena, no Texas, e, apesar de a dirigente da estatal ter tentado transferir a culpa pelo aval da transação ao diretor exonerado Nestor Cerveró, a avaliação de senadores é a de que a CPI que poderá investigar a petroleira não foi sepultada. Aos parlamentares, Foster admitiu que a transação “não foi um bom negócio" e que, com o passar do tempo, tornou-se um “projeto de baixa probabilidade de retorno”. Mais: desde que desembolsou 1,25 bilhão de dólares pela refinaria no Texas, a estatal brasileira amargou prejuízo em todos os meses seguintes – os primeiros resultados positivos, ainda que tímidos, na casa dos 58 milhões de dólares, foram registrados no início deste ano.
“Olhando aqueles dados, não foi um bom negócio", admitiu Foster. "Não pode ser um bom negócio quando se tem que tirar dos resultados. Não há como reconhecer na presente data que tenhamos feito um bom negócio. Isso é inquestionável do ponto de vista contábil”, disse.
A oposição cobrou o aprofundamento das investigações: "A presidente Graça Foster reconheceu que a compra da usina de Pasadena foi um mau negócio. É importante reconhecer, mas não basta. É preciso que o governo diga quem pagará por esse enorme prejuízo", disse o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) após a audiência.
Na tentativa de relativizar os prejuízos da Petrobras no investimento da refinaria, Foster adotou o discurso de que o valor real pago pela belga Astra Oil à americana Crown, antiga dona da unidade de Pasadena, chega a 360 milhões de dólares, e não a 42,5 milhões de dólares, cifra que amplificaria o disparate do prejuízo da empresa brasileira. Para senadores que acompanharam o depoimento, Graça projetou o valor de 360 milhões de dólares incluindo também investimentos feitos pela Astra Oil, mas se omitiu propositadamente de falar quanto a estatal brasileira depositou na transação, o que permitiria uma comparação mais justa. Na avaliação dos parlamentares, ela ainda sinalizou que os recursos investidos em Pasadena não deverão ser recuperados.
"Pasadena não tem a prioridade que tinha há seis anos. Hoje temos petróleo no Brasil e não há mais prioridade em Pasadena”, disse ela. Juntos, desde a compra dos 100% da refinaria, apenas janeiro e fevereiro de 2014 deram resultados positivos na refinaria – 58 milhões de dólares. “Esse é o ano melhor para a refinaria de Pasadena por conta do petróleo mais leve. Nos períodos anteriores o resultado negativo foi desde o início”, relatou. De acordo com Graça Foster, a Petrobras recebeu propostas para vender a refinaria, mas diante dos sucessivos questionamentos sobre a transação que levou a estatal a ter 100% do empreendimento, ela não deve se desfazer do ativo por agora. “Essa melhor oferta [de venda] não cobre o que pagamos em Pasadena. Ela está fora do pacote de desinvestimento”, relatou.
Aos senadores, Graça Foster justificou a compra do complexo de Pasadena, como o fato de a refinaria estar localizada em um ponto estratégico de refino e logística nos Estados Unidos, com facilidades no transporte. A refinaria está às margens do Houston Ship Channel, canal por onde circula grande parte da produção do golfo. “É uma refinaria de 100.000 barris por dia, localizada em um dos principais 'hubs' de refino nos Estados Unidos. Pasadena está na beira do Houston Ship Channel, o que favorece o transporte de carga. Tudo isso traduz para a refinaria uma grande importância dentro do maior consumidor de combustíveis, que são os Estados Unidos”, alegou a presidente da Petrobras.
Jargão – Ao depor, Graça Foster adotou linguajar técnico para justificar as operações da Petrobras e evitou comentar a possibilidade de instalação de uma CPI para apurar a gestão na estatal ou as decisões políticas que mantiveram Nestor Cerveró nos quadros da estatal. Assim como a presidente da República, Dilma Rousseff, Foster responsabilizou a antiga diretoria da Área Internacional da petroleira pelo "parecer falho" que omitia as cláusulas Marlim e Put Option na compra de Pasadena. A primeira cláusula previa à belga Astra Oil um lucro de 6,9% ao ano, independentemente das condições de mercado, enquanto a segunda obrigava a empresa brasileira a comprar a outra metade da refinaria caso houvesse desentendimento com a parceira da Bélgica.
“Em nenhum momento do resumo executivo ou da apresentação de power point da Área Internacional foram citadas duas variáveis muito importantes: não se falou no Put Option nem deMarlim. Foi um resumo executivo sem  a citação às duas clausulas contratuais completas, importantes”, relatou. “É obrigação de quem leva para a diretoria apontar pontos fortes e frágeis para a operação. Não existe atividade segura 100%”, completou ela. Sobre o destino de Cerveró, realocado na BR Distribuidora e só exonerado após a revelação de que houve um parecer falho, ela limitou-se a dizer que ele, de alguma forma, foi punido porque foi “rebaixado” para uma “diretoria muito mais restrita”.
Quando os debates ganharam contornos mais políticos, com senadores de oposição acusando a Petrobras de ser uma “quitanda” ou estar envolta em um “abismo ético” por ter um de seus ex-diretores, Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal, Graça Foster evitou polemizar e saiu em defesa da petroleira. “A Petrobras não é uma quitanda. [Sobre indicações políticas] Não tenho leitura política e não ouso fazer qualquer interpretação do que não tenho elementos ou experiência para fazer”, disse.
“Faxina, não tem isso na Petrobras, não existe essa proposta. Não é o propósito da Petrobras. O propósito é intensificar a governança da companhia e apurar o que tem que ser apurado. O que a gente ter é ter menos surpresas e menos notícias não positivas para a imagem da nossa companhia”, afirmou ela.