sexta-feira 14 2014

John and Olivia Walton





Inesquecível!

Morre Ralph Waite, ator de ‘A Família Walton’

Veja.Com

Eu Amava Esta Família!
Ralph Waite em 1980 (Foto: Getty)
Ralph Waite em 1980 (Foto: Getty)
Conhecido pela série A Família Walton/The Waltons, onde interpretou o pai da família, o ator Ralph Waite faleceu no dia 13 de fevereiro, aos 85 anos de idade, de parada cardíaca.
Nascido no dia 22 de junho de 1928, Waite trabalhou como assistente social, foi Ministro da igreja Presbiteriana durante quatro anos e editor de uma publicação religiosa antes de se tornar ator.
Em entrevistas realizadas na década de 1970 para o Los Angeles Times, Waite chegou a dizer que não se considerava um homem religioso, seu interesse nessa área era o de realizar atividades que pudessem levar justiça social a quem precisava. Um dia, acompanhando um amigo a uma aula de interpretação, Waite decidiu se tornar ator. Assim, aos 32 anos de idade, ele mudou de carreira.
Waite estreou na Broadway em 1960, com a peça Blues For Mister Charlie. Ao longo de oito anos, ele atuou em diversas montagens nos EUA e na Inglaterra. Ele estreou no cinema no final da década de 1960, atuando em filmes como Rebeldia Indomável e O Último Verão, entre outros.
O ator começou a fazer trabalhos na TV na mesma época. Ao longo de sua carreira, ele foi visto em episódios de Hawk, Bonanza, Nichols, Assassinato por Escrito, Time Trax, Orleans, remake de Quinta Dimensão, O Desafio/The Practice, Cane, Arquivo Morto/Cold Case, The Cleaner, CSI, Grey’s Anatomy e Off The Map.
Waite em 2012 (Foto: FilmMagic)
Waite em 2012 (Foto: FilmMagic)
Waite também teve participações recorrentes em Crime em Primeiro Grau/Murder One, Carnivàle, NCIS e Bones. Nestas duas últimas, ele interpretou o pai de Gibbs (Mark Harmon) e o avô de Booth (David Boreanaz). Ele também integrou o elenco da minissérie Raízes, pela qual foi indicado ao Emmy em 1977.
O sucesso veio com  A Família Walton/The Waltons, que acompanhava a luta de uma numerosa família vivendo no período da Grande Depressão americana. A série ressaltou a importância do amor e da união familiar para vencer os desafios da vida. Seu sucesso fez surgir outra produção que explorou a mesma narrativa, Os Pioneiros/Little House on the Prairie, atualmente em exibição no canal TCM.
A série surgiu do filme, Nove Irmãos/Spencer’s Mountain, de 1963, que por sua vez era uma adaptação do livro de Earl Hammer Jr. Estrelado por Henry Fonda e Maureen O’Hara, o filme apresentava a vida da família Spencer vivendo nas montanhas, onde passavam por problemas e dificuldades.
Em 1971, a história da família migrou para a televisão, com o telefilme Venha Passar o Natal Conosco Papai/The Homecoming – A Christmas Story. A história conta a vida da família Walton, vivendo nas montanhas da Virgínia. Estrelada por Andrew Duggan e Patricia Neal, a produção serviu de piloto para a série. A audiência deste telefilme levou a Lorimar Productions a convencer a CBS a dar continuidade às histórias da família Walton. Assim surgiu a série, produzida entre 1972 e 1981, apresentando situações que envolviam a família e os moradores da cidade mais próxima. Waite assumiu o papel que foi de Fonda e Duggan.
Depois de nove temporadas, a série chegou ao fim em 1981. Mas entre 1982 e 1997, os atores voltariam a se reunir em seis telefilmes: A Wedding on Waltons’ Mountain, Mother’s Day on Walton’s Mountain, A Day for Thanks on Walton’s Mountain, A Walton Thanksgiving Reunion, A Walton Wedding e A Walton Easter.
'A Família Walton' em 1974. (Foto: CBS/Arquivo).
‘A Família Walton’ em 1974. (Foto: CBS/Arquivo).
Os atores de 'A Família Walton' em 2011. (E-D) Lee Purcell, David W. Harper, Jon Walmsley, Kami Cotler, Michael Learned, Ralph Waite, Mary McDonough, Eric Scott, Judy Norton e Cissy Wellman. (Foto: FilmMagic)
Os atores de ‘A Família Walton’ em 2011. (E-D) Lee Purcell, David W. Harper, Jon Walmsley, Kami Cotler, Michael Learned, Ralph Waite, Mary McDonough, Eric Scott, Judy Norton e Cissy Wellman. (Foto: FilmMagic)
Na época em que atuava na série, Waite era alcoólatra. A Família Walton teria provocado uma mudança no comportamento do ator, que largou a bebida. Posteriormente, trabalhou como voluntário do ABC Alcohol and Recovery Center em Indio, Califórnia, chegando a se tornar membro da diretoria e depois Presidente.
Waite também estrelou a série The Mississippi, produzida entre 1982 e 1984. Na história, ele interpreta um advogado criminalista aposentado que viaja pelo rio Mississippi de barco. Mas a cada parada, ele encontra alguém que precisa de um bom advogado de defesa.
Interessado em política, o ator concorreu duas vezes a uma cadeira no Congresso Americano. A primeira em 1990 e a segunda vez em 1998. Em 2010, após quase 30 anos afastado da igreja, o ator voltou a atuar como Ministro da igreja Presbiteriana.
Waite foi casado três vezes. A primeira com Beverly Waite, entre 1951 e 1966, com quem teve duas filhas, Kathleen e Suzanne. A segunda união foi com a atriz Kerry Shear Waite, entre 1977 e 1981. Os dois primeiros casamentos terminaram em divórcio. Desde 1984 Waite era casado com Linda East. Ele se tornou padrasto do filho dela, o ator Liam Waite, que adotou seu sobrenome.

Sem máscara: doações expõem conexões do Black Bloc

Protestos

A partir da morte do cinegrafista Santiago Andrade, apoiar os mascarados passou a ser comportamento de risco para figuras públicas. Revelação de contribuições para líderes do grupo, no entanto, indicam quem pode se beneficiar com a baderna

Gabriel Castro, de Brasília, e Daniel Haidar, do Rio
Movimento Black Bloc no Rio de Janeiro


A partir da morte do cinegrafista Santiago Andrade, grupos que apoiavam explicitamente os black blocs adotaram postura cautelosa. Repentinamente, calaram-se artistas, políticos e autoridades que, ao longo das manifestações de 2013, manifestaram simpatia pelos mascarados que transformaram manifestações públicas em baderna. A conexão de alguns grupos e figuras públicas com líderes dos black blocs ficou mais clara nesta quinta-feira. O site de VEJA revelou uma planilha com uma lista de doações para um evento realizado em dezembro, na Cinelândia. Confirmaram a autenticidade das doações os assessores dos vereadores Jefferson Moura e Renato Cinco, do PSOL. Também confirmou ter contribuído o delegado de Polícia Civil Orlando Zaccone. O juiz João Damasceno, que figura na lista, negou ter participado.
O cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB), afirma que é preciso avançar nas investigações para identificar todos os responsáveis pelos atos violentos. Mas avalia que os últimos acontecimentos desfazem a impressão inicial de que a reunião de bandos de mascarados envolvidos em atos de vandalismo sejam um movimento espontâneo.  "Tudo indica que não tem nada de espontâneo nisso", diz o professor.
As manifestações iniciadas em junho, particularmente as mais violentas, têm inevitável desdobramento na popularidade de governantes. Na avaliação de Fleischer, há sinais de que o PT - por ação ou omissão – tentou se beneficiar das revoltas. No Rio, logo após as manifestações, houve recorde de impopularidade aferido para o governador Sérgio Cabral – aliado do governo federal, mas um rival nas eleições deste ano, no plano estadual. Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin foi um dos alvos preferenciais dos protestos. Apostar no desequilíbrio causado pelos protestos, no entanto, é “brincar com fogo”, avalia Fleischer.
A revelação de conexões de partidos políticos com manifestantes que cometem crimes fez a roda girar no sentido contrário. Até a última quinta-feira, apoiar publicamente os mascarados era ser “contra o sistema”. Agora, ser amigo do Black Bloc pode ser interpretado como endossar as práticas que resultaram na morte de um inocente.
Para o professor Ricardo Caldas, também do Instituto de Ciência Política da UnB, a afinidade entre o PSOL e os partidários do vandalismo é ideológica. "Eu vejo uma identidade entre o PSOL, o PSTU e o movimento dos Black Blocs. Com pouca visibilidade no Parlamento e pouca chance no ponto de vista eleitoral, esses movimentos representam uma forma de contestação do sistema e de visibilidade ampliada”, diz Caldas.
Para o professor da UnB, a ação de grupos radicais é responsável pela recente redução do número de manifestantes, em comparação com os protestos de junho do ano passado: "Quando o movimento sai da linha média, ele perde justamente esse espaço no centro e acaba afugentando o cidadão comum. Foi o que aconteceu", avalia o professor.
No início das manifestações, o grito “sem partido” ecoava sempre que alguém tentava levantar bandeiras, mesmo as de siglas radicais, como PSTU e PCO. Aos poucos, no entanto, lideranças de esquerda passaram a ser bem recebidas, e manifestaram apoio às ações. Assim como os mascarados, representantes desses grupos políticos insistiram na tese de que a violência nas manifestações vinha unicamente da PM, apesar da repetição de episódios como furtos, saques e depredação de patrimônio público e privado.

Justiça –  Quem contribui de alguma forma com um grupo que venha a cometer um crime pode ser responsabilizado judicialmente, ainda que não tenha participação direta nos delitos. O advogado Thiago Bottino, professor de direito penal da Fundação Getulio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro, explica que, para isso, é preciso que se prove que os doadores de recursos, por exemplo, tinham conhecimento do planejamento das ilegalidades.

“Todos que concorram para um crime respondem por ele. Se qualquer pessoa financia um grupo com o conhecimento de que esses recursos serão utilizados para a prática de crime, responde juntamente com quem o cometeu. Caso, no entanto, o dinheiro seja dado para praticar um crime e o agente financiado acabe praticando outro, o financiador responderá apenas pelo crime do qual tinha”, disse Bottino.

O entendimento que a Justiça terá de cada delito também é determinante para estabelecer uma conexão entre doadores e quem efetivamente cometeu os crimes. No caso de crimes culposos – ou seja, cometidos de forma não intencional – não há como estabelecer relação de coautoria. Afinal, se os juízes vão considerar que o criminoso não premeditou o ato, não é possível afirmar que alguém ligado a ele tenha colaborado para a ilegalidade.
PSOL – No mesmo dia em que vereadores do PSOL admitiram ao site de VEJA terem colaborado para eventos convocados por integrantes do Black Bloc, o diretório municipal do partido no Rio negou que tenha dado alguma contribuição para atos violentos. Em nota oficial, o PSOL afirma que há razões para as manifestações no país e que apoia os protestos, mas não concorda com práticas violentas. "O Partido Socialismo e Liberdade declara que, mais uma vez, são levianas as acusações de seu envolvimento nesse lamentável episódio. Os responsáveis por tais acusações serão devidamente processados. O PSOL não utiliza nem defende o uso de atos de violência como método e prática política nas manifestações, bem como nunca manteve qualquer contato com os acusados de participação nesta tragédia", diz a nota.
“A denúncia sobre possível financiamento de militantes não constitui prática do partido e exigimos que seja investigada", continua a nota. Dois vereadores do partido encabeçam uma planilha de doações revelada nesta quinta-feira pelo site de VEJA: Renato Cinco e Jefferson Moura. A assessoria de Jefferson Moura admitiu que a doação ocorreu, e alega que o dinheiro partiu de funcionários do gabinete. Afirmou, também, que o parlamentar “provavelmente doaria” o dinheiro se estivesse presente.

Renato Cinco, que está fora do Rio, não foi localizado. A assessoria do vereador, em nota, que houve a doação de 300 reais informada no documento. Mas negou, no entanto, que o dinheiro tenha sido destinado a black blocs. "O objetivo era oferecer um jantar natalino a moradores de rua na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro. Tanto que a lista inclui água, gelo, pão, rabanada e toalha papel. O vereador e seu partido repudiam ações violentas", acrescenta.

O PSOL é, no Rio de Janeiro, o partido com ligações mais estreitas com manifestantes. A ONG Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH), que, entre outros serviços, presta assistência jurídica a manifestantes detidos pela polícia, é dirigida por Thiago de Souza Melo, funcionário do gabinete do deputado estadual Marcelo Freixo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A ONG também atende a família do pedreiro Amarildo de Souza e vítimas de policiais militares. Freixo, que foi candidato a prefeito do Rio em 2012 e é um dos quadros do PSOL com expressão nacional, explicou que não há relação entre o trabalho de Souza Melo no gabinete e na ONG, pois o servidor não tem dedicação exclusiva.

quinta-feira 13 2014

Vídeo de globais que flerta com black blocs tem a participação de um juiz! É aquele mesmo senhor que pendurou em sua sala gravura que traz um negro na Cruz, no lugar de Cristo, alvejado por um PM. Isso ajuda a explicar o caos






Na sociedade em que black bloc vira juiz, juiz se dá o direito de se comportar como black bloc. Vejam esta imagem.
negro crucificado e PM
Escrevi um post sobre um vídeo em que artistas da Globo e outras subcelebridades convocam a população do Rio para um protesto. Uma das, como direi?, depoentes, chamada Bianca Comparato (nunca tinha ouvido falar, mas parece que não só existe como tem ideias muito firmes), defende abertamente os black blocs e as depredações. Diz ela:[órgãos de imprensa] só reportam o que é que foi quebrado, o que foi destruído. E eu também acho que tem de parar para pensar o que é que está sendo destruído. São casas de pessoas, como (sic) a polícia joga uma bomba de gás dentro de um apartamento? Não! São lugares simbólicos”.
A fala desses bacanas do miolo mole, no entanto, tem muito menos importância do que a de um homem em particular. Justamente o primeiro que fala no vídeo. Reproduzo de novo:
Muito bem. A personagem em questão é o juiz João Damasceno, da 1ª Vara de Órfãos e Sucessões, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Este:
João Damasceno
Tento de novo: temos um juiz, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que participa de um vídeo que convoca manifestações e que acolhe as ações dos black blocs, que, afinal de contas, só depredam o que tem de ser mesmo depredado, segundo se entende….
O juiz Damasceno pertence a tal entidade “Associação Juízes para a Democracia”, como se fosse possível haver uma outra, em que juízes fossem contra a democracia. Esse grupo, declaradamentre de esquerda (e sabemos como países socialistas foram verdadeiros reinos de justiça) tem noções muito particulares de direito. Já entrei em alguns embates com eles aqui. Um de seus membros resolveu que, se me ofendesse bastante, elucidaria os absurdos escritos num documento da entidade
Qual foi o busílis de então? Essa associação, composta, reitero, de juízes, teve a ousadia de dizer QUE HÁ, SIM, HOMENS ACIMA DA LEI. Fez isso num documento tornado público em 2011. Escrevi a respeito. Reproduzo trecho do despropósito assinado pelos meritíssimos. Leiam (em vermelho). Volto em seguida.Não é verdade que ninguém está acima da lei, como afirmam os legalistas e pseudodemocratas: estão, sim, acima da lei, todas as pessoas que vivem no cimo preponderante das normas e princípios constitucionais e que, por isso, rompendo com o estereótipo da alienação, e alimentados de esperança, insistem em colocar o seu ousio e a sua juventude a serviço da alteridade, da democracia e do império dos direitos fundamentais.
Decididamente, é preciso mesmo solidarizar-se com as ovelhas rebeldes, pois, como ensina o educador Paulo Freire, em sua pedagogia do oprimido, a educação não pode atuar como instrumento de opressão, o ensino e a aprendizagem são dialógicos por natureza e não há caminhos para a transformação: a transformação é o caminho.
RetomoAtenção! O texto não é só cafona e pernóstico. É também perigoso. Aqueles vetustos senhores e aquelas vetustas senhoras, todos togados, estavam apoiando, em 2011, a invasão da reitoria da USP. Pois bem… Em 2013, o prédio está invadido de novo, como vocês sabem. A universidade recorreu à Justiça com um pedido de reintegração de posse. Foi negado. O juiz Adriano Marcos Laroca produziu a seguinte pérola, vandalizando também a língua:“A ocupação de bem público (no caso de uso especial, poderia ser de uso comum, por exemplo, uma praça ou rua), como forma de luta democrática, para deixar de ter legitimidade, precisa causar mais ônus do que benefícios à universidade e, em última instancia, à sociedade. Outrossim, frise-se que nenhuma luta social que não cause qualquer transtorno, alteração da normalidade, não tem força de pressão e, portanto, sequer poderia se caracterizar como tal.”
O juiz Laroca também pertence à Associação Juízes para a Democracia. Ele, aliás, assina um artigo na revista do grupo cuja capa é esta:
capa revista AJD
Para essa turma, existe, como se vê, certa contradição entre verdade e justiça. “Ah, Reinaldo, eles estão dizendo que a verdade apenas não basta, que é preciso ter também a Justiça…” Não, senhores! Cumpre-me perguntar: e justiça sem verdade, eles aceitam? Todos os regimes autoritários que se instalaram privilegiaram, ao menos no discurso, a justiça. A verdade podia esperar.
Vejam ali. Há gente com a cara tapada. Há black blocs. Assim, não é de estranhar que o juiz Damasceno seja uma das estrelas de um vídeo que justifica a ação dos mascarados. A pauta da revista é bastante eloquente. Eis os destaques:
revita destaques
Juízes que dizem que “poderes do estado vandalizam” são capazes de qualquer coisa, não? Afinal de contas, o que é que faz dos juízes… juízes??? Não seriam justamente os poderes do estado. Se estes senhores tomam uma decisão e se aqueles que têm de cumpri-las decidirem dar de ombros, mandando-os às favas, eles fazem o quê? Mandam prender! Em nome do quê? Que se saiba, dos “poderes do estado”. E quem vai executar a ordem é a polícia.
Polícia?
Então voltemos ao juiz Damasceno, aquele do vídeo, e à imagem lá do alto. Este senhor havia pendurado em seu gabinete a gravura, de Carlos Latuff.
Como se vê, um homem negro está crucificado, alvejado por um policial militar. Que Latuff ache isso, vá lá, isso é com ele. Que um juiz pendure essa imagem em sua sala, eis uma manifestação do mais escancarado e inaceitável proselitismo. Trata-se de uma provocação cretina à Polícia Militar, composta, diga-se, em boa parte, de negros. O órgão especial do TJ mandou retirar a imagem, que foi parar na sala do desembargador Siro Darlan.
Digam-me: esses juízes estão interessados na paz? Pouco me importa a convicção de cada um deles. Envergam a toga para cumprir a lei. Não estão lá para expor suas noções particulares de justiça. Também não têm o direito de usar o aparelho de estado a serviço de suas ideologias. Se a lei não for o seu instrumento, então será o arbítrio.
Tudo aquilo por que um indivíduo comum precisa torcer é para não dar de cara com um membro da Associação de Juízes para a Democracia. Por que não? Vai que o pobre coitado tenha seu direito agravado por uma daquelas pessoas que esses doutores considerem acima da lei… Se for assim, amigo, você já perdeu, mesmo que esteja certo. Afinal de contas, esses iluminados acham que a Justiça é uma instância que pode estar em contradição com a verdade. Se está, a Justiça, que nem sempre é bem servida pela verdade, pode se socorrer, então, da mentira. É só uma questão de lógica.
De um juiz, espera-se que cumpra a lei, não uma cartilha ideológica. De resto, o doutor Damasceno sempre pode abandonar a toga e disputar uma vaga na Câmara dos Vereadores, na Assembleia ou no Parlamento Federal. E dirá o que lhe der na telha. “Juízes, então, não são livres para se manifestar, Reinaldo?” Claro que são, mas sem se esquecer de sua condição, Afinal, nós somos obrigados a fazer o que eles mandam, mas a recíproca não é exatamente verdadeira. Sim, eles também são regulados por códigos. E, até onde sei, participar de eventos que estimulem a depredação, a violência e o desrespeito às leis não lhes é facultado. Ou é? Do mesmo modo, não podem usar salas do tribunal como palanque.
Por Reinaldo Azevedo

Congresso em favor da descriminação e da legalização das drogas em Brasília, com o apoio do governo Dilma, esqueceu de convidar Marcola e Fernandinho Beira-Mar. Abaixo a discriminação! Chega de amadores!

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Começou nesta sexta e se estende até domingo, em Brasília, um negócio chamado “Congresso Internacional Sobre Drogas – 2013”. Em tese, é para debater políticas públicas sobre o assunto. De verdade, trata-se de um evento em favor da descriminação das ditas-cujas — na leitura mais generosa — e da legalização de todas as drogas, na leitura mais precisa. Já volto ao ponto. Quero interromper aqui para registrar duas falas de participantes, que ouvi na CBN . Prestem atenção! Saboreiem cada palavra:
“O que tá errado é a ideia de que a lei tem alguma condição de alterar a realidade. As pessoas fazem o uso de substância com ou sem a lei proibindo. Ao descriminalizar, você tem condição, sim, de aumentar o acesso à saúde pública. Agora, tem que ter investimento em saúde, e a saúde tem que chegar aos quatro cantos do país, né?”
Raramente li, ou ouvi, tamanha soma de absurdos em fala tão curta. A autora de raciocínio tão especioso é Luciana Boiteaux, professora, ATENÇÃO!, de Direito Penal da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Agora mais uma intervenção:
“Nós conseguimos avançar no debate no que diz respeito ao consumo de drogas. A descriminalização da conduta do usuário… É isso o que nós temos de discutir. Esse impacto é o impacto mais grave que o proibicionismo traz. E eu não tenho, como policial, outra maneira de observar esse fenômeno sem ser, né?, atuando em favor, né?, da legalização da produção, do comércio e do consumo de todas as drogas”.
A fala é do delegado de polícia do Rio Orlando Zaccone. Voltarei à intervenção desses dois gênios da raça em novo post. Vamos a algumas informações relevantes sobre o evento.
O encontro
O encontro se dá no momento em que as cidades brasileiras são devastadas pelo crack. É explicável. Movimentos de caráter ideológico são assim mesmo: quanto mais a realidade insiste em negar as suas teses, mais eles caminham para o extremo. Vimos isso acontecer com a turma do aquecimento global. Quando ficou evidente a cadeia de fraudes com a qual operavam, eles se tornaram ainda mais apocalípticos. Assim, reitero, trata-se de um evento em favor da legalização das drogas — da descriminação quando menos. Não é “congresso” porcaria nenhuma! Um congresso faria supor algum debate. Onde estão os especialistas contrários à legalização e à descriminação?
Vejam esta imagem.
Traz a coleção de logotipos de patrocinadores e apoiadores. ATENÇÃO! HÁ DINHEIRO PÚBLICO ENVOLVIDO NISSO. Vejam ali o logotipo do governo Dilma. Há dinheiro que deveria estar sendo empregado no ensino superior. Há recursos do Ministério da Saúde. Há representantes de movimentos que fazem a clara e aberta apologia das drogas. VALE DIZER: OS BRASILEIROS ESTÃO ARCANDO COM OS CUSTOS DE UM SEMINÁRIO EM FAVOR DA LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS. Houvesse oposição digna do nome no Brasil, isto seria um escândalo. Mas não há. Ao contrário: FHC poderia ser um guru do encontro. Logo, Aécio Neves, provável candidato do PSDB à Presidência, deve deixar o tema de lado, como se houvesse um consenso no Brasil sobre o tema. Boa parte da imprensa, igualmente, acha legítimo que se use dinheiro público num evento desta natureza.
Vou à página do próprio “congresso”. Quem promove o encontro? Eles respondem:
“O encontro é uma iniciativa conjunta da Universidade de Brasília (UnB), Conselho Federal de Psicologia (CFP), Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), Núcleo de Estudos Interdisciplinares de Psicoativos (NEIP) e da Associação Brasileira de Estudos Sociais do Uso de Psicoativos (ABESUP).”
NOTA – Eis aí o Conselho Federal de Psicologia. Já andei escrevendo sobre esses valentes. É raro haver uma ideia ruim no Brasil que não conte com o seu apoio. Ainda voltarei a falar dessa turma, que tem a seu favor a ignorância dos militantes da imprensa.
Quem arca com os custos? Eles também respondem.
“É financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (CAPES)”.
Sim, é dinheiro que deveria estar sendo investido em ensino superior. Mas há mais grana pública no evento, a título de “apoio institucional”.
“(…) e conta com o apoio institucional da Coordenação Nacional de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (Ministério da Saúde), da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento (SBNEC), do Programa de Atendimento e Orientação a Dependentes (PROAD-Unifesp), do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID-Unifesp), da Associação Brasileira de Ensino em Psicologia (ABEP), da Comissão Brasileira Sobre Drogas e Democracia (CBDB), do International Centre for Science in Drug Policy (ICSDP), do Centro de Investigación y Docencia Económicas del México (CIDE), da Rede Pense Livre e do Movimento Viva Rio.”
Como se nota, há dinheiro do Ministério da Saúde também e, como não poderia deixar de ser, lá estão as onipresentes “Comissão Brasileira Sobre Drogas e Democracia” e o Movimento Via Rio. Voltem à imagem com os logos dos “apoiadores”. Há outras instituições públicas, como a Fundação Oswaldo Cruz. Paulo Gadelha, seu presidente, é um fanático defensor da descriminação de todas as drogas. Logo, por que não meter a instituição que ele dirige nesse troço?
É um despropósito! Ainda que o estado brasileiro fosse leigo a respeito, e a questão, no país, fosse uma gaveta vazia, à espera de conteúdo, o dinheiro público não poderia ser usado em favor de um lados do debate — que é minoritário no Brasil. A esmagadora maioria dos brasileiros é contra a descriminação das drogas. Ocorre que o estado não é neutro. Pune o tráfico e, em certa medida, até o consumo, ainda que de maneira muito leve. Assim, com que legitimidade, com que autoridade política, com que autoridade moral e, sim, com que LEGALIDADE um evento dessa natureza conta com patrocínio estatal?
O Ministério Público vai se calar? É capaz de mobilizar mundos e fundos em favor do seu “direito de investigar”, mas vai se quedar inerme diante de um acinte dessa natureza?
Os palestrantes
Entre os palestrantes, estão André Barros, advogado da Marcha da Maconha do Rio de Janeiro, e Renato Filev, dos Coletivos Desentorpecendo a Razão e Respire Redução de Danos (um só “coletivo” para ele é pouco). Dou destaque a esses dois nomes para deixar claro, mais uma vez, que não se trata de um evento centrado num debate científico, para um eventual choque de opiniões contrárias. Nada disso! Todos lá estão de um lado só, e alguns, como os citados, são ligados a entidades que fazem a defesa aberta do consumo de drogas — especialmente da maconha. Ah, sim: também estarão presentes Pedro Abramovay (aquele…), Rubem Cesar Fernandes, da Viva Rio (como não?), e o deputado petista Paulo Teixeira (SP), aquele que acha que o sujeito que estiver portando drogas para até DEZ DIAS DE CONSUMO deve ser considerado apenas um… consumidor! O Marcola e o Fernandinho Beira-Mar devem concordar com ele . Aliás, é um absurdo um congresso como esse não contar com a participação desses dois especialistas.
“Ah, como o Reinaldo é agressivo! Direitistas são assim mesmo!” Não! Ah, como o Reinaldo defende que o dinheiro público seja usado em favor do público, não do proselitismo de meia dúzia de fanáticos.
É uma ironia estupefaciente que um dos patrocinadores desse troço seja a “Comissão Brasileira Sobre Droga e Democracia”! Sobre “droga”, pode ser. Mas será também sobre “democracia”??? Que democracia é esta, senhores da comissão, que usa dinheiro público para defender uma causa contrária à vontade da esmagadora maioria dos brasileiros?
Será essa, senhores da comissão, uma democracia em que a minoria cala a maioria:
PS – No próximo post, comento o pensamento, por assim dizer, da professora Luciana Boiteaux e do delegado Orlando Zaccone.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/congresso-em-favor-da-descriminacao-e-da-legalizacao-das-drogas-em-brasilia-com-o-apoio-do-governo-dilma-esqueceu-de-convidar-marcola-e-fernandinho-beira-mar-abaixo-a-discriminacao-chega-de-amador/

Vereadores e delegado aparecem em lista de doadores dos Black Blocs

Protestos

Autoridades são citadas em contabilidade de ato organizado pelo grupo da militante Elisa Quadros, a Sininho, ligada aos Black Blocs do Rio de Janeiro

Gabriel Castro, de Brasília, e Pâmela Oliveira, do Rio
Ativista Sininho é cercada por jornalistas na chegada à 17ª DP, no Rio
CONTADORA – Ativista Sininho na porta do 17ª DP, no Rio. Planilhas mostram que ela era uma das responsáveis pela contabilidade dos Black Blocs (Gabriel de Paiva/Agência O Globo)
Uma planilha obtida pelo site de VEJA revela, pela primeira vez, nomes de políticos e autoridades do Rio de Janeiro que doaram dinheiro ao grupo Black Bloc, responsável por protagonizar cenas de depredação e vandalismo em manifestações pelo país. A lista cita dois vereadores do PSOL, um delegado de polícia e um juiz.

O repasse de dinheiro por políticos e autoridades não configura ilegalidade. Porém, as doações são um caminho para identificar o elo entre políticos e os mascarados que aparecem na linha de frente quando os protestos degeneram em tumulto e confusão. Um dos mais recentes chegou ao extremo de provocar a morte do cinegrafista Santiago Andrade.

Clique na imagem para ver a lista completa
A contabilidade da planilha a que o site de VEJA teve acesso se refere a um ato realizado pelo grupo no dia 24 de dezembro, batizado "Mais amor, menos capital". A manifestação – convocada como um ato cultural – não terminou em vandalismo, como outras organizadas pelo mesmo grupo. Mas a lista de doadores sugere ligações entre autoridades e militantes. A tabela foi repassada por Elisa Quadros, conhecida como Sininho, em um grupo fechado do Facebook.

Neste documento, aparecem os nomes dos vereadores Jefferson Moura (PSOL) e Renato Cinco (PSOL), apontados como doadores de 400 reais e 300 reais, respectivamente. O juiz João Damasceno aparece como doador de 100 reais, e o delegado Orlando Zaccone, de 200 reais.
Damasceno é um antigo apoiador das manifestações de rua. Ele chegou a gravar um vídeo em apoio aos protestos, apesar da violência causada pelo grupo que se veste de preto e promove depredações. O delegado Orlando Zaccone tem um perfil pouco convencional para delegados, e é conhecido crítico da atuação da própria polícia.
Na planilha, além de Sininho, outros nomes aparecem como arrecadadores: Paula, Rosi, Julinho e Pâmela. Também há menções a duas colaborações do grupo cracker Anonymous, que divulga manifestações na internet e invade sites. 
Quando as menções a doações de vereadores começaram a surgir nas redes sociais, Sininho se irritou. "Eles deram dinheiro, sim, e não foi nenhum segredo, teve reuniões e isso foi discutido e questionado", escreveu ela no Facebook. "Eles doaram como civis e não políticos."

Mais um detalhe: a discussão ocorreu na página do Facebook chamada de "Censura Negada". Um dos administradores das postagens é identificado no mundo virtual como Dik ou Dikvigari Vignole. O nome dele no mundo real: Caio Silva de Souza. É o jovem que disparou o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade.
Respostas – A assessoria de Jefferson Moura admitiu que a doação mencionada na planilha partiu de funcionários do gabinete do parlamentar. Mas afirmou que o vereador já estava de recesso quando os militantes pediram as doações. Porém, disse que o parlamentar provavelmente doaria o dinheiro se estivesse presente.
O delegado Zaccone confirmou ter doado 200 reais, mas disse que o dinheiro não era destinado aos Black Blocs. Ele disse ter recebido um telefonema de Sininho, até então uma desconhecida para ele, propondo que participasse de um debate no evento “Ceia dos Excluídos”, em 23 de dezembro do ano passado. Como delegado de polícia, ele deveria apresentar sua visão sobre direito de manifestação, Copa do Mundo e cerceamento de liberdade. Segundo ele, advogados e representantes de movimentos sociais integravam o grupo. “Achei interessante falar na Cinelândia. Já dei palestras em universidades e me interesso pelo tema”, disse.
“Fiz  a doação para um evento cultural e vi para o que estava doando. Quando a Sininho ligou, explicou que estava buscando aproximação com instituições e pessoas que não visse o movimento com olhar criminalizante. A doação foi para o ‘Ocupa Câmara’, não foi para o Black Bloc. Não tenho nada a omitir em relação a isso. A Constituição garante o direito de se fazer tudo que não é proibido em lei. No Brasil não é proibido fazer doação para evento com distribuição de alimento”, afirmou. “Sou policial. Como vou financiar ou contribuir com pessoas que entram em conflito com policiais?", disse.
O juiz Damasceno negou ter contribuído financeiramente "para qualquer manifestação ou entidade da sociedade civil que as convoque".

A assessoria do vereador Renato Cinco informou que está fora do Rio e não foi localizado.

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