domingo 10 2013

'O Brasil sabe que sou inocente', diz Dirceu

 Por Ricardo Chapola, estadao.com.br
Ex-ministro condenado no julgamento do mensalão comentou sobre defesa de réus depois de votar nas eleições internas do PT



O ex-ministro José Dirceu disse neste domingo, 10, após votar no Processo de Eleição Direta (PED) do PT, que o Brasil sabe de sua inocência no processo do mensalão.
Ele é apontado como chefe do esquema de compra de apoio político no Congresso e desvio de dinheiro público no governo Lula, que veio à tona em 2005.

O ex-ministro foi condenado a dez anos e dez meses de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha.
"O Brasil sabe que eu sou inocente e eu espero que o Supremo faça justiça", afirmou Dirceu ao Estado, depois de votar no diretório zonal do PT na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.
O julgamento do processo será retomado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima quarta-feira, 13. A Corte deve julgar os embargos de declaração de dez condenados por envolvimento no esquema. Se os recursos forem rejeitados pelos ministros, o STF pode determinar a execução imediata das penas de alguns dos réus.
Dirceu ainda endossou a petição apresentada pela defesa do ex-presidente do PT José Genoino ao STF na última sexta-feira. Também no banco dos réus no caso do mensalão, Genoino foi condenado a 6 anos e 11 meses pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha.
"Assino embaixo as palavras do Genoino na defesa dele. Como ele disse: que se faça justiça inclusive com relação ao mérito. Nós fomos condenados no mérito, não é só uma questão de redução de pena. E sendo inocentes", disse o ex-ministro.
Na petição entregue ao STF, advogados de Genoino afirmaram que petista não merece ser tratado como "bandoleiro" e dizem que o deputado não aceita a condenação pelo STF e "brigará, hoje e até o fim de sua existência", por sua inocência.

A garagem da discórdia


A construção de um centro de convenções na Floresta da Tijuca torna-se alvo de uma batalha judicial

por Ernesto Neves | 13 de Novembro de 2013
Fernando LemosO clarão na mata onde ficará o estacionamento, que é parte importante do novo projeto (foto menor): polêmica


Todo ano, 2 milhões de turistas percorrem os 4 quilômetros de estradas sinuosas que levam ao monumento do Cristo Redentor, de onde se descortina uma paisagem impactante da cidade. Mas não reina exatamente uma paz celestial em torno da estátua. A cerca de 400 metros do mirante, um enorme clarão na mata dá a dimensão da encrenca, levantada pelo jornalista Leonel Kaz em seu blog no portal de VEJA. Só naquela área foram ao chão 196 exemplares de vegetais, alguns deles centenários. A intervenção é o passo inicial para pôr de pé um complexo de lazer com 20 000 metros quadrados onde funcionou o antigo Hotel Paineiras. Com investimento de 65 milhões de reais, o projeto contempla a construção de dois restaurantes, um bar, espaço para exposições e um centro de convenções com capacidade para 300 pessoas. O ponto alto da discórdia é um estacionamento com 395 vagas, parte delas espalhada por dois andares subterrâneos, à margem da estrada de ferro do Corcovado. Iniciado em julho, o trabalho foi interrompido já no primeiro mês, tornando-se alvo de embate judicial. "A obra muda a morfologia do Maciço da Tijuca, que é tombado", argumenta Alfredo Piragibe, presidente da ONG My Green, fazendo menção à escavação da rocha no subsolo. "Se a ação for adiante, vai alterar a paisagem de forma irreversível." 

Uma iniciativa com o propósito de recuperar o Hotel Paineiras, cujo imóvel estava em ruínas, em tese, merece elogios. Mas determinados procedimentos e modificações efetuados ao longo do processo suscitaram controvérsia (veja o quadro). Escolhido em concurso promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal encarregado da gestão do Parque Nacional da Tijuca, o projeto está sob a responsabilidade de um consórcio formado pelas empresas Beltour, Trem do Corcovado e Cataratas do Iguaçu, administradora do parque paranaense. O primeiro questionamento partiu do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em janeiro, um parecer da arquiteta Izabelle Cury, que é membro da entidade, mostrava-se contrário à obra devido ao risco de causar um dano irreparável à região. Apesar de algumas alterações feitas depois no esboço, ela se manteve irredutível. Outro item que chama atenção, também posto em xeque pela arquiteta, é o estacionamento, que ganhou sucessivas ampliações desde o lançamento do projeto, há cinco anos. Estavam previstas originalmente 150 vagas, número que hoje quase triplicou. No parecer, Izabelle destacou que pela dimensão ele se assemelha a um edifício-garagem. Em junho, entretanto, a reforma foi liberada pela superintendência regional do Iphan.
Divulgação


Mas as polêmicas prosseguiram. A autorização ficou condicionada à apresentação de um documento com minúcias arquitetônicas da empreitada. Mesmo sem exibi-lo, o consórcio iniciou o trabalho de limpeza do terreno e reforma do imóvel, que acabou embargado pelo órgão. No dia 31 de outubro, outro capítulo se somou ao imbróglio. Uma medida cautelar expedida pelo Tribunal de Contas da União suspendeu todas as liberações referentes ao empreendimento. De acordo com a ação, apresentada pelo Instituto My Green e por associações de moradores de Cosme Velho e Santa Tereza, faltam documentos básicos para a obra, como os estudos de impacto ambiental e viário. "O plano de manejo feito pelo Instituto Chico Mendes é mais detalhado que o Estudo de Impacto Ambiental", argumenta Carlos Henrique Velásquez Fernandes, chefe substituto do Parque Nacional da Tijuca. "Já o estacionamento vai apenas retirar os automóveis que param ao longo da rua, não acarretando aumento do tráfego. De qualquer forma, vamos também providenciar o estudo de impacto viário."


Inaugurado em 1884, por ordem do imperador dom Pedro II, o Hotel Paineiras viveu seu apogeu na primeira metade do século XX, quando hospedava presidentes da República, como Washington Luís e Getúlio Vargas. Em razão do sossego, serviu de concentração para a seleção brasileira em preparação para a Copa de 1970. Aos poucos, porém, ficou decadente, e a falência definitiva veio nos anos 80. "Pretendemos tornar a região uma referência de conforto e sofisticação para o turismo mundial", diz Luiz Fernando Barreto, gestor do consórcio. "Imagine um casamento aqui, com os convidados chegando no Trem do Corcovado." Para que um matrimônio perdure é preciso bom-senso e respeito ao contrato, dois pontos tão criticados no projeto.

sábado 09 2013

Mário Sergio Cortella - Qual a postura ideal do professor?

A inveja e a tristeza sobre a felicidade alheia - Leandro Karnal


Chico Buarque | Carioca ao Vivo (Show Completo)

Sheryl Sandberg: a paladina das mulheres

Entrevista

Em entrevista exclusiva, a COO do Facebook diz que as mulheres deveriam ocupar metade dos postos de liderança de governos e empresas. Esse é o tema de seu livro 'Faça Acontecer'

Filipe Vilicic
Sheryl Kara Sandberg
Sheryl Sandberg: "A batalha do feminismo ainda não acabou" ( Erin Lubin/Bloomberg/Getty Images )
A executiva americana Sheryl Sandberg se consagrou neste ano como a principal porta-voz de uma espécie de feminismo revisado. Em seu best-seller Faça Acontecer – Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar (Companhia das Letras; 272 páginas; 34,50 reais, ou 24 reais na versão digital), ela apresenta o problema: “Faz mais de vinte anos que estou no mercado de trabalho, e muita coisa continua igual. É hora de encarar o fato: nossa revolução empacou. Promessa de igualdade e igualdade de fato são coisas diferentes.” E a solução? “Um mundo de fato igualitário seria aquele em que as mulheres comandassem metade dos países e das empresas e os homens dirigissem metade dos lares.” Ela dá cara autobiográfica ao livro para mostrar como mulheres podem e devem alcançar a liderança em empresas. Além de suas palavras, o currículo de Sheryl, que há pouco completou 44 anos, é exemplar por si só. Formada em administração pela Universidade Harvard, ela trabalhou no Banco Mundial, foi chefe da equipe do secretário do Tesouro americano e vice-presidente do Google. Mas ganhou fama mesmo – e se tornou uma das mulheres mais influentes dos Estados Unidos –, ao assumir como COO (chefe do departamento de operações, na sigla em inglês; um dos cargos mais altos da companhia) do Facebook em 2008. Tornou-se uma famosa advogada dos direitos das mulheres dois anos depois, em 2010, ao apresentar uma inspiradora palestra sobre o assunto (confira o vídeo abaixo). Papel que se fortificou com a publicação de seu livro neste ano – que figurou nas listas de mais vendidos nos Estados Unidos e no Brasil. Na entrevista que Sheryl concedeu a VEJA, ela não quis se aprofundar nos negócios do Facebook, mas muito disse sobre o papel das mulheres como líderes globais.
Por que é importante ter mais mulheres em cargos de liderança? Não há país no mundo com mais de 5% de suas empresas sob o comando de mulheres. Na América Latina, o porcentual é ainda menor, de menos de 2%. Mas temos 50% da população mundial de mulheres. Isso mostra o quanto não sabemos aproveitar o potencial e o talento dessa população. Warren Buffet [investidor americano e quarto homem mais rico do mundo] uma vez disse que só foi tão bem-sucedido por ter competido apenas com metade da população, a formada pelos homens. Imagine o aumento em produtividade que teríamos se homens e mulheres trabalhassem como iguais, dividindo postos de liderança. Também veríamos ambientes familiares mais saudáveis se homens repartissem com mulheres as tarefas domésticas.
No passado havia mais feministas, como você. O que mudou? Na geração anterior à minha a batalha pelos direitos das mulheres era intensa. Mas minha geração começou a sentir, de forma falsa, que o trabalho estava feito. A vida me fez uma feminista quando vi que as mulheres ainda não são iguais no mercado de trabalho. Foi aí que reparei que a batalha não acabou.
O que as mulheres podem fazer para conquistar mais cargos de liderança? Homens costumam se sentir mais confiantes no trabalho do que as mulheres. Vi isso em todos os lugares onde já fui fazer negócios no mundo. Em uma reunião, homens tendem a se sentar no centro da mesa ou na ponta dela. Mulheres, mesmo as de mesmo nível hierárquico que eles, escolhem cadeiras em posições desfavoráveis. Nas reuniões, homens falam mais e são mais ouvidos. Mulheres são interrompidas continuamente. Minhas dicas para as mulheres são: sente-se no melhor lugar da mesa, você merece, e fale com confiança. Para homens, digo: se você notar que a fala de uma mulher foi interrompida, pare a reunião e explique que ela deve continuar a falar. Nesse cenário, as empresas também têm de se adequar para compreender os desafios que as mulheres têm pela frente.
No Facebook as mulheres são mais participativas do que os homens. Isso pode indicar que elas são mais ouvidas agora do que no passado? Esse não é o ponto. A questão é que mulheres têm de ser ouvidas no poder, no corpo executivo de uma empresa, em governos. Vemos muito mais homens do que mulheres nessas mesas. O Brasil tem uma mulher na presidência. E Dilma Rousseff conseguiu multiplicar por três a presença de mulheres em cargos de comando do governo, se comparado com a administração anterior. É algo bom, mas as mulheres ainda representam apenas um terço do gabinete de Dilma. Por que não 50%? Nos Estados Unidos foi tido como uma grande notícia o anúncio de que 20% do Senado seria composto por mulheres. Isso não é ideal. Novamente, precisamos de 50%.
O mundo digital é muitas vezes visto como sexista. No livro The Boy Kings (Os Reis Garotos, em tradução livre), Katherine Losse, uma ex-funcionária do Facebook, conta como se sentia num ambiente hostil às mulheres dentro da empresa e como via Mark Zuckerberg como um machista. Você sente isso no Facebook? Não vou comentar esse livro. Mas considero o Facebook um grande lugar para as mulheres. Temos direitos de licença maternidade e paternidade iguais para mulheres e homens que trabalham no Facebook. E, o principal, falamos abertamente dos problemas que envolvem as questões de gênero. Trabalho com o Mark faz cinco anos e ele me dá todo o apoio para debater esse assunto.
Alguns podem achar que é mais fácil para você, uma executiva de sucesso, falar sobre o assunto do que para uma mulher pobre em um país como o Brasil ou de uma nação muçulmana onde reprimem as mulheres. Sou sortuda por ter tido boas oportunidades na vida. Mas também tive de encarar problemas. Certa vez falei que escolho sair do trabalho às cinco e meia da tarde para ficar com meus filhos. A reação foi extremamente negativa por parte de muitos executivos. Mas eu ter mostrado que isso é possível e saudável agora ajuda muitos a poder tomar a mesma decisão. Por ter tido sucesso, vejo que tenho a responsabilidade de ajudar as mulheres a perceber as oportunidades pelas quais elas devem lutar.
Qual é sua opinião sobre mulheres que abandonam suas carreiras para se dedicar à família? Acho que as mulheres têm de ter o poder de decidir sobre suas vidas. Se elas querem trabalhar, devem trabalhar. Se elas querem cuidar da família, é isso que devem fazer. Se querem fazer os dois, há essa opção. Temos de acabar com estereótipos. Mulheres podem trabalhar e chegar à liderança. Assim como homens devem ter a opção de abandonar suas carreiras para administrar tarefas domésticas. Ou ambos podem dividir ambas as responsabilidades.

Ringo Starr divulga 13 fotos raras dos Beatles

Música

As imagens fazem parte do novo livro do baterista, 'Photograph', que conta com centenas de fotos, muitas inéditas, do quarteto britânico nos bastidores

Paul McCartney e John Lennon na gravação de  “Hey Bulldog”, no estúdio de Abbey Road, em 1968
Paul McCartney e John Lennon na gravação de  “Hey Bulldog”, no estúdio de Abbey Road, em 1968 - Reprodução

Treze fotos raras dos integrantes dos Beatles foram divulgadas nesta sexta-feira no site da revista americana The Hollywood Reporter. As imagens fazem parte do livro recém-lançado pelo baterista Ringo Starr, Photograph, que conta com centenas de fotos íntimas, a maioria inéditas, do quarteto britânico desde as primeiras apresentações no lendário pub Cavern Club, onde os Beatles tocaram pela primeira vez, passando por registros de bastidores ao longo da carreira da banda, até a primeira visita aos Estados Unidos, em 1964.
Photograph terá uma edição de luxo limitada de 2.500 cópias. O autor do livro e das imagens, Ringo Starr, acredita que elas revelem algo mais sobre o famoso quarteto. “Eu sempre estive um pouco preso com eles. Durante todas as nossas turnês, dividimos dois quartos e um carro. E é assim que você consegue conhecer melhor as pessoas: na van, de hora em hora”, contou o baterista, que começou seu hobby de fotógrafo aos 17 anos.
Paul McCartney em Miami, na primeira viagem dos Beatles para os Estados Unidos, em 1964
Paul McCartney em Miami, na primeira viagem dos Beatles para os Estados Unidos, em 1964 - Reprodução

George Harrison lavando as mãos. Segundo Ringo, um gesto simples de higiene aprendido por todos os Beatles quando garotos em Liverpool
George Harrison lavando as mãos. Segundo Ringo, um gesto simples de higiene aprendido por todos os Beatles quando garotos em Liverpool - Reprodução

Ringo Starr e John Lennon em Tobago, em 1966
Ringo Starr e John Lennon em Tobago, em 1966 - Reprodução

John Lennon em viagem para Miami, em 1964
John Lennon em viagem para Miami, em 1964 - Reprodução

Auto-retrato de Ringo Starr
Auto-retrato de Ringo Starr - Reprodução

Ringo Starr durante um feriado
Ringo Starr durante um feriado - Reprodução

Rory Storm and the Hurricanes, banda de Ringo Starr antes dos Beatles
Rory Storm and the Hurricanes, banda de Ringo Starr antes dos Beatles - Reprodução

Paul McCartney e sua namorada Jane Asher durante viagem dos Beatles para a Índia, com Maharishi Mahesh Yogi, em 1968
Paul McCartney e sua namorada Jane Asher durante viagem dos Beatles para a Índia, com Maharishi Mahesh Yogi, em 1968 - Reprodução

Paul McCartney dança no Plaza Hotel, em 1964
Paul McCartney dança no Plaza Hotel, em 1964 - Reprodução

George Harrison na primeira viagem dos Beatles para os EUA, em 1964, Miami
George Harrison na primeira viagem dos Beatles para os EUA, em 1964, Miami - Reprodução

Ringo Starr no Cavern Club
Ringo Starr no Cavern Club - Reprodução

John Lennon
John Lennon - Reprodução

Paul McCartney e John Lennon na gravação de  “Hey Bulldog”, no estúdio de Abbey Road, em 1968
Paul McCartney e John Lennon na gravação de  “Hey Bulldog”, no estúdio de Abbey Road, em 1968 - Reprodução