sexta-feira 19 2012

Dora Kramer levanta uma hipótese preocupante: e se Dilma resolver indultar os mensaleiros condenados?(VEJA)


veja.com

Presidente pode, conforme Constituição, indultar condenados do mensalão (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Presidente pode, conforme Constituição, indultar condenados do mensalão (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Artigo publicado hoje na seção Política da edição online do jornal O Estado de S.Paulo
SOBRE INDULTO
Quando assumiu a presidência dos Estados Unidos depois da renúncia de Richard Nixon por causa do caso Watergate, Gerald Ford concedeu perdão presidencial ao antecessor e, assim, evitou punições legais para além da perda do cargo.
Entre nós existe a figura do indulto, prerrogativa exclusiva da presidência da República. Se quiser, a presidente Dilma Rousseff poderá livrar os condenados no processo do mensalão do cumprimento ou determinar a redução das penas.
Estará amparada no artigo 84 da Constituição e, portanto, oficialmente não cometeria afronta alguma à decisão do Supremo Tribunal Federal.
O juízo aí deverá ser o da conveniência, oportunidade e utilidade políticas do perdão.
São variantes importantes porque, a despeito do ato legalmente perfeito, há de ser considerada a repercussão do gesto. Na sociedade e no próprio tribunal que já estará sob a presidência do ministro Joaquim Barbosa, cujo temperamento não sugere uma aceitação sem algum tipo de reação.
Mas seria uma resistência meramente simbólica e, caso se concretizasse, a princípio não teria a concordância da maioria do colegiado, pois a Constituição é clara ao dizer que compete privativamente ao presidente da República “conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei”.
Uma vez assinado o indulto, a extinção da pena precisa ser declarada pelo “juiz competente”. No caso, o relator do processo, Joaquim Barbosa. Uma formalidade, pois legalmente não teria margem para contestar a decisão presidencial.
O outro caminho a ser tentado pelos condenados poderia ser o da anistia que, além de eliminar a pena, extingue a existência do crime. Os réus voltariam a ter ficha criminal limpa. O fundamento da anistia é o esquecimento.
Diferente do indulto, não é um ato discricionário do Poder Executivo, mas um perdão que depende de lei e, portanto, do Poder Legislativo.
O mesmo Legislativo que em 2006 não deixou Dirceu concluir seu discurso de volta à Câmara quando saiu da Casa Civil, e seis meses depois lhe cassou o mandato por quebra de decoro.

Calendário
A previsão de que o julgamento do mensalão termine até o próximo dia 25 é considerada muito otimista por alguns ministros. Uma data tida como mais realista seria a de 9 de novembro, cinco dias antes de o atual presidente Carlos Ayres Britto se aposentar.
Por essa agenda menos acelerada, a fase dos votos poderia ser concluída até a viagem do relator Joaquim Barbosa para a Alemanha, no dia 27, mas as penas só seriam definidas após a volta dele, na semana no dia 4.
A execução das sentenças, no entanto, é impossível de ser prevista porque depende da publicação do acórdão e do exame de todos os embargos, caso defesa ou acusação apontem algum tipo de omissão, obscuridade ou contradição no documento.
No exame dos embargos as partes são ouvidas novamente, mas não há mais sustentação oral. Se forem rejeitados, fica mantido o texto original, mas, se forem aceitos, é elaborado um novo acórdão ao qual outra vez podem ser apresentados embargos.
O caminho até o trânsito em julgado e daí às prisões, como se vê, é longo e vai entrar por 2013 afora.
Talvez mais, a julgar pelo caso do deputado federal Natan Donadon, condenado pelo STF em 2010 a 13 anos de prisão por desvio público e até hoje solto por força de recursos.

Podia ser pior
Condenados por corrupção ativa e ainda a serem julgados por formação de quadrilha, Dirceu e Genoino escaparam da denúncia por peculato.
Em 2006 a Procuradoria-Geral da República enquadrou ambos naquele crime, mas a acusação foi recusada em 2007 no STF por unanimidade.

Sem Compromisso - Deixe a Menina

Bom demais esse Cara!

Mensalão: o medo da prisão(VEJA)


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Julgamento fatiado
Advogados que atuam no mensalão têm falado cada vez mais que as penas alternativas e aquelas em regimes abertos já são suficientemente devastadoras para um condenado.
Com medo do encarceramento de seus clientes, tentam convencer qualquer interlocutor que condenação não é sinônimo de prisão.
Por Lauro Jardim
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/judiciario/o-medo-da-prisao/

Cientistas europeus avaliam entrada do Brasil no CERN(VEJA)


Pesquisa

Guilherme Rosa
CERN
Centro de controle do LHC: o CERN foi responsável pela construção do Grande Colisor de Hadrons (LHC) em Genebra, na Suiça, que sedia pesquisas sobre o Bóson de Higgs (Fabrice Coffrini / AFP)
O Brasil está a alguns passos de se tornar membro associado do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN, na sigla em inglês), um dos mais importantes grupos de pesquisa do mundo, responsável pelas mais recentes descobertas na área da física de partículas elementares. Mas, para isso, a ciência brasileira precisa passar por uma avaliação. Durante esta semana, uma comissão de pesquisadores do CERN visitou o país, avaliando instalações de pesquisa, universidades e indústrias. A visita faz parte de um longo processo que teve início em 2010, quando a organização passou a aceitar membros não europeus e o Brasil demonstrou o interesse de fazer parte do grupo.

Saiba mais

LHC
O Grande Colisor de Hádrons (do inglês Large Hadron Collider, LHC) é o maior acelerador de partículas do mundo, com 27 quilômetros de circunferência. Ele pertence ao CERN, o centro europeu de pesquisas nucleares e está instalado na fronteira franco-suíça. Em seu interior, partículas são aceleradas até 99,9% da velocidade da luz. Os experimentos ajudam a responder questões sobre a criação do universo, a natureza da matéria e fenômenos exóticos observados no espaço.
BÓSON DE HIGGS
O bóson de Higgs é uma partícula subatômica prevista há quase 50 anos. Após décadas de procura, os físicos ainda não conseguiram nenhuma prova de que ela exista. O Higgs é importante porque a existência dele provaria que existe um campo invisível que permeia o universo. Sem o campo, ou algo parecido, nada do que conhecemos existiria. Os cientistas não esperam detectar o campo -- em vez disso, eles esperam encontrar uma pequena deformação nele, chamada bóson de Higgs.
Vinte países europeus são oficialmente membros do CERN, fundado em 1954. Outros 40 países, incluindo o Brasil, possuem pesquisadores envolvidos nos projetos. A organização é responsável pela construção do maior acelerador de partículas do mundo, o LHC, onde foram descobertos recentemente indícios da existência doBóson de Higgs.
"O Brasil está buscando uma associação mais formal com o CERN. Além de ajudar no desenvolvimento de experimentos, o país poderá se beneficiar da nossa tecnologia e de nossas parcerias educacionais", disse ao site de VEJA Felicitas Pauss, chefe de Relações Internacionais do CERN, durante encontro com cientistas brasileiros na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Felicitas Pauss liderou a equipe do CERN que visitou o Brasil. O grupo passou por Rio de Janeiro, Brasília, Campinas e São Paulo. Além de visitar universidades, a comitiva avaliou a indústria e a engenharia brasileiras, uma vez que, ao se tornar membro do CERN, o Brasil poderá fornecer tecnologia para novas pesquisas da organização.
O grupo também se encontrou com integrantes do governo para avaliar o incentivo à pesquisa e o potencial do país na área da física elementar. "Se tornar um membro do CERN é um comprometimento de longo prazo. Nós só podemos entender se o país está pronto para isso por meio da conversa com autoridades", disse Felicitas Pauss.
Após a visita, o grupo deve produzir um relatório sobre as condições da pesquisa de física – principalmente na área das partículas elementares - no país. O documento será analisado pelo Conselho da entidade, que reúne os vinte membros atuais. São eles que decidirão se o Brasil passará ou não a fazer parte do grupo.
 

Claudio AFelicitas Paussrouca

"Vivemos um período muito interessante para a física, e o Brasil pode fazer parte disso"

Felicitas Pauss 
Chefe de relações internacionais do CERN e coordenadora da missão no Brasil

O que significa para o Brasil se tornar um membro associado do CERN? É um compromisso de longo prazo – o CERN existe há cerca de 50 anos – e a chance de fazer parte de uma instituição mundial única. Não existe nada equivalente em nenhuma outra área de pesquisa. São mais de 11.000 cientistas e engenheiros de mais de 60 países participando de nossas atividades científicas. A nossa missão principal é a pesquisa fundamental na área da física de partículas. Queremos, basicamente, aprender mais sobre o nosso universo. Para conseguir isso, precisamos desenvolver novas tecnologias. Temos tido uma história interessante nessa área das tecnologias – a web como conhecemos surgiu no CERN há 22 anos [Foi Tim Berners-Lee, cientista do CERN, que criou a World Wide Web, em 1989]. Com a entrada do Brasil, o país também poderá fornecer tecnologias para nossos experimentos. Nós também nos preocupamos com a educação – estamos treinando a próxima geração de físicos e engenheiros. Nossos projetos nesse setor costumam ter um grande impacto na área, e o Brasil poderá ter uma participação maior nesses programas.
Quais seriam os benefícios para o CERN se o Brasil for aceito como membro? Para começar, os países membros têm de colaborar com uma taxa, que depende de seu PIB. É claro que isso significa um benefício para o CERN. Também ganhamos em a colaboração científica. Em 2010 decidimos que qualquer país, independentemente de ser europeu ou não, poderia fazer parte da organização. Fizemos isso porque a ciência funciona além de qualquer fronteira política. Nossos experimentos são globais, temos pessoas de vários países trabalhando juntas. Achamos que isso deveria estar refletido nos países membros.
Quando poderemos saber se o Brasil foi ou não aceito no CERN? Infelizmente não é possível adiantar quais são as conclusões da equipe. Agora, vamos produzir um relatório com as informações que temos e o enviaremos ao Conselho do CERN. A próxima reunião é em dezembro, a seguinte é em março – acho que conseguiremos produzir o documento até lá. Os conselheiros devem discutir a adesão do Brasil com base nesse texto. E, se o país for aceito, o CERN começa negociar com o governo brasileiro os termos do acordo a ser firmado.
A descoberta do Bóson de Higgs aconteceu em julho. O Brasil não pode estar entrando atrasado no CERN? De jeito nenhum. Estamos falando de duas coisas diferentes. Pesquisadores brasileiros estão envolvidos nessa pesquisa há muitos anos. Eles fazem parte da descoberta, e merecem tanto crédito pela descoberta quanto qualquer outro participante. Agora, o Brasil quer fazer parte do projeto de modo mais formal, ter uma participação maior em termos de inovação e no desenvolvimento das pesquisas. Ano que vem, devemos atualizar os equipamentos do LHC, e o Brasil poderá colaborar com a tecnologia. Além disso, a descoberta do Bóson de Higgs – que ainda precisa ser confirmada – é apenas o começo de uma longa jornada. Vivemos um período muito interessante para a física, e o Brasil pode fazer parte disso.

Diga-me com quem andas: Lula pede voto para prefeito preso em operação da Polícia Federal(VEJA)


Lula: vale tudo na campanha
Lula continua a não se incomodar em colar sua imagem a aliados de conduta questionável. Deve ser conselho de José Dirceu, que enxerga nas urnas uma resposta para o mensalão.
Lula gravou um depoimento pedindo votos para o prefeito de Macapá, Roberto Góes, candidato à reeleição. Góes foi preso pela Polícia Federal, em 2010, numa operação que apurou um esquema de fraudes em licitação.
Os comícios do prefeito não podem passar das 22h, mas não por causa da concorrência com a novela, mas porque ele está proibido de permanecer em certos lugares públicos depois desse horário, consequência de um acordo como Ministério Público.
Nada disso desencorajou Lula, que no programa de TV de Góes exibido hoje, recomendou:
- Em Macapá, dia 28, o voto certo é Roberto 12.
Por Lauro Jardim
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/eleicoes-2012/diga-me-com-quem-andas-lula-pede-voto-para-prefeito-preso-em-operacao-da-policia-federal/

Câmara aprova lei que deputados terão apenas dois dias de trabalho na semana


Cansados de trabalhar, os deputados federais decidiram, que não vão mais a plenário nas segundas e sextas-feiras. A mudança do Regimento Interno da Câmara dos Deputados foi aprovada nesta quarta-feira (17). Com isso as sessões ordinárias serão agora apenas em dois dias de terça a quinta-feira, ficando as segundas e sextas reservadas para sessões de debates.

Presidente da Cãmara- Marco Maia
Pela Constituição, o parlamentar só perde o mandato, se for registrado um terço das ausências durante as sessões ordinárias, destinadas para votação de projetos de lei.
Com a extinção das sessões ordinárias nas segundas e sextas, o deputado ausente diminui o risco de perda de mandato por faltar nesses dias e também de ganhar menos no final do mês.
 A mudança não limita os dias para votação de projetos em plenário, já que fica mantida a regra de convocar para qualquer dia as sessões extraordinárias, também destinadas à votação de propostas.
 O deputado Rubens Bueno (PPS-PR), expressou sua insatisfação com essa medida e disse que o presidente Marco Maia, ao colocar essa proposta em votação, conseguiu oficializar a ‘gazeta’ na Câmara. Decisões como essa certamente irão revoltar a sociedade e desmoralizam o Parlamento”, disse o parlamentar.
 Já o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), rebateu as críticas e disse que o deputado Bueno “fala sem ter conhecimento pleno do processo legislativo”. “Se o deputado Rubens Bueno tivesse inteligência emocional, procuraria se informar sobre o funcionamento do Parlamento em outros países e descobriria que o Legislativo brasileiro é um dos poucos que funciona cinco dias por semana durante o ano todo”, completou o presidente da Câmara.

Pesquisa relaciona doenças mentais a criatividade(VEJA)


Saúde mental

Estudo com mais de 1,2 milhão de pessoas mostrou, por exemplo, que escritores são mais propensos a apresentar esquizofrenia

Escritora Virginia Woolf retrato de 1902
Retrato de Virginia Woolf em 1902: Escritora cometeu suicídio em 1941, aos 59 anos (George C. Beresford/Hulton Archive/Getty Images)
Pela primeira vez, um extenso estudo científico afirmou existir um forte vínculo entre a loucura e a expressão artística: segundo a pesquisa, pessoas muito criativas são mais propensas a manifestar doenças como a esquizofrenia ou o transtorno bipolar. As conclusões foram publicadas nesta semana no periódico Journal of Psychiatric Research.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Mental illness, suicide and creativity: 40-Year prospective total population study

Onde foi divulgada: periódico Journal of Psychiatric Research

Quem fez: Simon Kyaga, Mikael Landén, Marcus Boman, Christina Hultman, Niklas Långström e Paul Lichtenstein

Instituição: Instituto Karolisnka, Suécia

Dados de amostragem: 1,2 milhão de pessoas e seus familiares (até os primos de segundo grau)

Resultado: Há uma relação entre transtornos psiquiátricos e profissões ligadas à criatividade. Escritores, por exemplo, são mais propensos a apresentarem esquizofrenia e outros transtornos mentais, além de se suicidarem
Ao todo, os pesquisadores analisaram os dados de 1,2 milhão de suecos e de seus familiares (até os primos de segundo grau). Eles então, desenvolveram a pesquisa para saber se existe uma relação entre diagnósticos psiquiátricos — como esquizofrenia, depressão, transtorno de ansiedade, alcoolismo, dependência química, autismo, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), anorexia e suicídio — e uma maior criatividade.
Relações — A pesquisa encontrou uma relação especialmente forte entre a profissão de escritor e a esquizofrenia, mas também mostrou que existe uma associação entre essa ocupação e a maioria dos diagnósticos psiquiátricos. Escritores ainda se mostraram 50% mais propensos a cometer suicídio do que a população em geral.
Além disso, o transtorno bipolar foi mais prevalente em pessoas cujas profissões estão ligadas à arte ou à ciência, como pesquisador, dançarino e pintor, do que no restante dos indivíduos. 





Ter algum familiar com esquizofrenia, transtorno bipolar, anorexia ou autismo também elevou a probabilidade de uma pessoa optar por uma profissão associada à criatividade e à expressão artística.
Para Simon Kyaga, coordenador do estudo, esses dados sugerem que muitos aspectos dos transtornos mentais devem ser reconsiderados. "Na psiquiatria e em toda a medicina em geral, há uma tradição de enxergar uma doença como se fosse algo 'preto no branco', acreditando que é preciso tirar do paciente tudo aquilo que está relacionado à condição", diz. "Se nós levarmos em conta que certos fatores associados à doença de um paciente são benéficos, podemos fazer com que novas abordagens de tratamento sejam abertas. Nesse caso, médico e paciente chegariam a um acordo sobre o que deve ser tratado e qual será a consequência disso."