sexta-feira 05 2012

Dieta do Mediterrâneo enriquecida com azeite de oliva pode proteger os ossos


Nutrição

Novo estudo mostra que o consumo do óleo está associado com um aumento nos marcadores de formação óssea

Hábito alimentar: o consumo de azeite de oliva está relacionado a menores índices de problemas cardíacos e de derrames cerebrais
Hábito alimentar: o consumo de azeite de oliva está relacionado a menores índices de problemas cardíacos e de derrames cerebrais (Thinkstock)
A dieta do Mediterrâneo, quando enriquecida com azeite de oliva, pode ter um efeito protetor para os ossos. De acordo com uma pesquisa que será publicada no periódico médico Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, o consumo por dois anos da dieta aumentou os níveis de osteocalcina, um marcador biológico que indica a manutenção óssea.
A perda de massa e de força óssea está associada diretamente com a idade, tanto em homens quanto em mulheres, e é um determinante para a osteoporose e para riscos de fraturas. Estudos anteriores já haviam demonstrado que a incidência da osteoporose na Europa é menor na região da bacia mediterrânea. A dieta Mediterrânea tradicional, rica em carnes de peixes, frutas, vegetais, azeitonas e azeite de oliva, poderia, então, ser o fator ambiental subjacente a essa diferença.
“O consumo de azeite de oliva tem sido relacionado com a prevenção da osteoporose em modelos experimentais e in vitro”, diz José Manuel Fernández-Real, médico no Hospital Dr Josep Trueta, na Espanha, e coordenador da pesquisa. “Este é o primeiro estudo randomizado que demonstra que o azeite de oliva preserva os ossos, ao menos como indicado pelos marcadores ósseos em circulação pelo corpo.”
Pesquisa – Participaram do estudo 127 homens entre 55 e 80 anos. Todos foram selecionados randomicamente do levantamento Prevenção com Dieta do Mediterrâneo (Predimed), um estudo que teve ao menos dois anos de acompanhamento. Esse levantamento, feito de maneira randomizada e com a participação de um número grande de voluntários, teve como objetivo avaliar os efeitos da dieta do Mediterrâneo na prevenção de doenças cardiovasculares.
Os participantes não tinham doenças cardiovasculares prévias, mas haviam sido diagnosticados com diabetes 2 ou com pelo menos três fatores de risco para doenças cardiovasculares, como hipertensão, dislipidemia (aumento dos lipídeos no sangue) ou com histórico familiar de doença cardiovascular precoce. Eles foram divididos em três grupos alimentares diferentes: dieta do Mediterrâneo com castanhas mistas, dieta do Mediterrâneo com azeite de oliva virgem e uma dieta com baixo índice de gordura.
As dosagens dos níveis de osteocalcina, glucose, colesterol total, HDL (o “colesterol bom”) foram feitas no início e depois de dois anos de acompanhamento. Descobriu-se, então, que o consumo da dieta do Mediterrâneo enriquecida com azeite de oliva estava associado com um aumento significativo nos níveis de osteocalcina e de outros marcadores de formação óssea. As taxas de cálcio não sofreram mudanças significativas entre os voluntários que mantinham essa dieta — mas teve sua concentração diminuída nos outros dois grupos.

Dieta do Mediterrâneo é a melhor opção para emagrecer e manter o peso


Emagrecimento

Novos resultados de estudo israelense mostram que esse tipo de alimentação foi a melhor opção para a saúde de pessoas obesas ao longo de seis anos

Dieta do Mediterrâneo: Alimentação é rica em alimentos como frutas, legumes, azeite e grãos integrais
Dieta do Mediterrâneo: Alimentação é rica em alimentos como frutas, legumes, azeite e grãos integrais (Thinkstock)
Após observarem os efeitos de três tipos de dieta diferentes em um período de seis anos, pesquisadores israelenses chegaram à conclusão de que a dieta do Mediterrâneo é a mais indicada para quem deseja emagrecer a longo prazo — e manter o novo peso — em comparação com uma alimentação que restrinja gordura ou então carboidratos. Os resultados finais do estudo, que foi feito em duas partes, foram publicados nesta quinta-feira no periódico The New England Journal of Medicine.

As três dietas do estudo:

DIETA DO MEDITERRÂNEO
É baseada nos alimentos característicos de alguns dos países banhados pelo mar Mediterrâneo. É rica em frutas, legumes, peixes, grãos integrais, gordura saudável, como o azeite, e quantidades moderadas de álcool, especialmente de vinho.
DIETA COM RESTRIÇÃO A CARBOIDRATOS
Restringe a quantidade de qualquer tipo de carboidrato e aumenta o consumo de proteínas. Das calorias totais dessa dieta, apenas 10% são carboidratos; 60% gorduras saudáveis; e 30% proteínas.
DIETA COM RESTRIÇÃO A GORDURAS
Evita gordura e dá preferência a grãos integrais, frutas e vegetais. As calorias totais são distribuídas em: 60% de carboidratos; 20% de gordura; e 20% de proteínas.
Primeira etapa — A pesquisa, que teve início em 2006, selecionou 322 pessoas com uma média de 52 anos de idade e moderadamente obesas — elas tinham, em média, um índice de massa corporal de 31(calcule aqui o seu IMC). Os participantes foram orientados a seguir uma das três dietas avaliadas pelo estudo: a dieta do Mediterrâneo, que é rica em frutas, nozes, legumes, peixes e gorduras saudáveis, como o azeite; a dieta com restrição de gordura, rica em grãos integrais, frutas e vegetais; e a dieta com restrição a carboidratos, que elimina a ingestão de qualquer tipo de carboidrato e dá preferência às proteínas.
Os pesquisadores acompanharam todos os 322 participantes durante dois anos e, em 2008, publicaram os primeiros resultados do estudo. Até essa data, 85% dos indivíduos continuavam seguindo seus programas de dieta. Segundo as conclusões, a dieta do Mediterrâneo e a alimentação com restrição de carboidratos proporcionaram mais perda de peso do que a dieta com restrição de gordura. Além disso, aqueles que seguiram a dieta do Mediterrâneo tiveram um melhor controle das taxas de glicose no sangue, e os participantes que adotaram uma alimentação sem carboidratos tiveram os maiores benefícios no controle dos lipídeos na corrente sanguínea.
Conheça algumas das dietas mais famosas do mundo:
Segunda etapa — Após a primeira publicação dos resultados, os autores do estudo acompanharam os participantes por mais quatro anos. Em 2012, 67% dessas pessoas continuavam seguindo o programa de dieta, 11% haviam trocado de dieta e os 22% restantes não estavam seguindo dieta alguma. Todos os indivíduos voltaram a ganhar — muito ou pouco — o peso que haviam perdido nos primeiros dois anos de estudo, mas todos estavam mais magros do que em 2006 e com melhores níveis de colesterol. Ao final dessa segunda parte da pesquisa, a dieta do Mediterrâneo e a alimentação com restrição de carboidratos continuaram sendo os programas que ofereceram a maior perda de peso: durante os seis anos, os participantes de cada grupo emagreceram, respectivamente, uma média de três e dois quilos.
Manutenção — Segundo os autores, a dieta do Mediterrâneo, além de ter proporcionado a maior perda de peso, é a mais equilibrada e, portanto, a melhor para a saúde em geral, e com mais opções de alimentos — o que torna mais fácil que ela seja mantida por mais tempo. A alimentação com restrição de carboidratos, por outro lado, assim como outras dietas restritivas, pode ser mais difícil de ser mantida, além de não ser tão balanceada. “A maior parte das pessoas consegue perder peso, mas o difícil mesmo é manter o que foi conquistado”, diz Dan Schwarzfuchs, pesquisador do Centro de Pesquisa Nuclear de Negev, em Israel, e coordenador do estudo.