segunda-feira 05 2013

Animação paquistanesa mostra super-heroína que luta por educação

Paquistão

"Burka Avenger" é uma professora que combate vilões que ameaçam escolas

Apresentação à imprensa do desenho, em Rawalpindi
Apresentação à imprensa do desenho, em Rawalpindi (Farooq Naeem/AFP)
Durante o dia, ela é professora. À noite, se transforma em uma super-heroína que luta em defesa das escolas de meninas destruídas por vilões. Com um detalhe importante: o disfarce que ela usa quando enfrenta o mal é uma burca. No desenho animado paquistanês "Burka Avenger" ("A vingadora de burca", em tradução livre), a heroína luta por canetas e livros, em uma versão animada das palavras usadas pela jovem Malala Yousafzai em recente discurso nas Nações Unidas. 
A questão da educação de meninas no Paquistão tornou-se conhecida internacionalmente depois do ataque do Talibã a Malala, em outubro do ano passado. Nove meses depois do atentado que quase tirou sua vida, ela falou para representantes de mais de 100 países na Assembleia de Jovens da ONU, no qual destacou a força da educação. "Nossos livros e canetas são as armas mais poderosas. Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo". 
Quase metade das crianças paquistanesas e aproximadamente três quartos das meninas não estão matriculadas na escola primária, de acordo com a ONU e as estatísticas do governo publicadas no ano passado.
O criador da animação, Haroon Rashid, uma estrela pop no Paquistão, afirma que Malala é uma "super-heroína da vida real". Segundo ele, o ataque contra a jovem aconteceu enquanto o primeiro episódio de "Burka Avenger" estava sendo preparado. "Ficamos todos atordoados porque estávamos trabalhando exatamente na mesma história: uma menina que enfrenta um vilão que havia tentado fechar sua escola".
Sobre a questão da burca, Rashid disse à rede americana CNN que a heroína não escolheu esse disfarce por ser oprimida. “Ela escolheu vestir isso para esconder sua identidade da mesma forma que os super-heróis fazem. Como o Batman ou a Mulher Gato”. Acrescentou que o Talibã sequestrou a religião e passou a usá-la em sua própria agenda. A escolha por esse disfarce também foi feita, explica, em resposta a qualquer crítica de que a luta pela educação de meninas exposta no desenho é anti-islâmica. “Ao vestir uma burca ela está mostrando que é uma mulher muçulmana e uma super-heroína. E que ela defende todas as boas coisas do Islã e os reais valores islâmicos, que são igualdade, direitos das mulheres, educação e paz, e não do jeito que tem sido sequestrado por elementos radicais”. 
Popularidade - Rashid disse estar surpreendido pela resposta ao programa, que ainda nem foi lançado no país. Uma distribuidora de TV da Europa já demonstrou interesse e tem mantido contato para traduzir o desenho para 18 idiomas, incluindo inglês e francês, e exibir a atração em 60 países, conta. No total, a animação deverá ter treze episódios, segundo a CNN. “Você pensa como é possível falar sobre assuntos difíceis como este em um programa para crianças? Mas os assuntos estão sendo apresentados de uma forma muito divertida, cheia de aventura e comédia”, defende. 

Com agência France-Presse)

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