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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Anotações da Odebrecht sugerem depósitos para Cabral e Pezão

Documentos foram apreendidos na residência do executivo que era encarregado de distribuir propina a políticos envolvidos no escândalo na Petrobras

Papéis encontrados pela Polícia Federal na residência do executivo Benedicto Barbosa Silva Junior, da Odebrecht, podem ajudar a comprovar pagamentos realizados pela empresa a autoridades do Rio de Janeiro. Preso em das das fases da Operação Lava Jato, Benedicto é apontado como o elo financeiro entre a empreiteira e os políticos, principalmente os cariocas. Ele foi responsável pelo acompanhamento das obras da Copa do Mundo e da Olimpíada de 2016.
A PF apreendeu uma infinidade de documentos no apartamento do executivo. Planilhas, extratos e anotações que sugerem pagamentos para o governador licenciado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e para a advogada Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador Sérgio Cabral. São valores pequenos, o que chama a atenção —  “R$ 3.000,00” na “conta jurídica” de Luiz Fernando Pezão,  “R$ 5.800,00” para Adriana Ancelmo, “depósito (física)”. Havia ainda a indicação de um repasse para Maria Lúcia Jardim, que os policiais acreditam ser a esposa de Pezão. A movimentação teria ocorrido no ano de 2012.
Em nota, a advogada Adriana Ancelmo afirma que “jamais recebeu em sua conta pessoal quaisquer quantias do Sr. Benedicto Junior nem tampouco de empresas do Grupo Odebrecht, repudiando veementemente qualquer ilação feita nesse sentido”.
Os bilhetes encontrados com Benedicto Barbosa. (Arquivo VEJA)
Os bilhetes encontrados com Benedicto Barbosa. (Arquivo VEJA)
O ex-governador Sérgio Cabral é investigado por receber propina na reforma do Maracanã. Executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez já detalharam o pagamento de propinas a vários  políticos do Rio. Em delação premiada, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, confessou ter arrecadado 30 milhões de reais para a campanha de Cabral em 2010.
Em março, os investigadores da Lava Jato divulgaram os dados de uma planilha encontrada na casa de Benedito Barbosa. Ela trazia uma lista de  270 nomes de políticos, acompanhados de valores. Cabral e Pezão apareciam na lista.

PSDB vai ao STF contra fatiamento de impeachment

DEM e PPS também vão assinar o recurso. Senado cassou ontem o mandato de Dilma Rousseff, mas manteve os seus direitos políticos

O PSDB voltou atrás e vai entrar nesta sexta-feira com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter a decisão do Senado de permitir que a ex-presidente Dilma Rousseff exerça funções públicas. O recurso será assinado também pelo DEM e PPS. O anúncio foi feito pelo líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), na tarde desta quinta-feira. 
O PSDB já havia cogitado ontem acionar o Supremo, mas os advogados da sigla temiam que isso pudesse prejudicar a votação principal. Como Dilma entrou com uma ação questionando a votação inteira, os tucanos avaliaram que o assunto já entraria de qualquer jeito na pauta.
“Ontem, no calor, na emoção, a sensação primeira foi de termos uma postura de serenidade, não transformar uma vitória em uma derrota e dar uma contribuição para uma estabilidade maior no país. Mas, diante dessa ação do PT, acreditamos que seja o caminho correto entrar com a ação para que essa parte da decisão, que está equivocada, possa ser revista”, explicou Cunha Lima. 
Após a votação que cassou o mandato da petista, dezesseis dos 61 senadores que defenderam o afastamento definitivo optaram por manter os direitos políticos de Dilma. Os tucanos querem impedir a divisão da votação da pena em duas partes. Na primeira, cassou-se o mandato, mas a segunda garantiu o direito da petista de exercer funções públicas.
O senador Álvaro Dias (PV-PR) já entrou nesta quinta-feira com um mandado no STF. “Abriu-se um precedente perigoso ao se impor a segunda votação. A Constituição não dá base a interpretações. Ela diz: cassação com suspensão dos direitos políticos por oito anos. Não precisa ser jurista, basta saber ler”, disse o senador.
A decisão do Senado de permitir que a ex-presidente Dilma Rousseff assuma cargo público mesmo após cassada causou abalos na base aliada de Michel Temer. Parlamentares do PSDB e do DEM acusaram o PMDB de ter feito um acordo para “livrar” Dilma e amenizar sua pena por crime de responsabilidade.
(Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)