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terça-feira, 3 de março de 2015

Petrobras deve cortar até R$ 30 bi em investimentos em 2015

Petrolão

Empresa deveria investir 80 bilhões de reais este ano, mas reduzirá investimentos e deve vender mais de 13,7 bilhões de dólares em ativos

Fachada do edifício da Petrobras no Rio de Janeiro - 12/12/2014
Fachada do edifício da Petrobras no Rio de Janeiro - 12/12/2014 (Vanderlei Almeida/AFP)
Atropelado pelo rebaixamento de rating pela agência classificadora Moody's, o novo comando da Petrobras trabalha numa "reconstrução" da imagem da companhia para os investidores que deve ser calcada, este ano, em drástica redução de investimentos e venda de ativos. O corte de investimentos em 2015 pode ficar entre 20 bilhões e 30 bilhões de reais. A redução representa algo entre 25% e 35% do que havia sido planejado – em torno de 80 bilhões de reais.
Além disso, a companhia decidiu acelerar a venda de ativos para conseguir reforçar seu caixa nesse momento de crise. O novo plano de desinvestimentos anunciado nesta segunda-feira eleva para 13,7 bilhões de dólares (R$ 39 bilhões) o saldo previsto com venda de ativos em 2015 e 2016. Até então, a meta era arrecadar de 5 bilhões a 11 bilhões de dólares em um período mais longo, de 2014 a 2018. Com isso, o novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, prevê vender em média 150% mais ativos a cada ano do que previa a presidente anterior, Graça Foster.
Segundo fontes, a empresa estuda quais ativos poderiam ser vendidos este ano sem uma redução de preços provocada pelo impacto da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e também pela queda do valor do petróleo no mercado internacional. Por enquanto, a empresa divulga apenas que a maior parte dos ativos que serão vendidos será da área de gás e energia, 40% do total. Mas não foram excluídos do corte os negócios de exploração e produção de petróleo e gás, no Brasil e no exterior, que responderão por 30% das vendas. O reflexo será a redução da reserva de petróleo da empresa.
Já o corte na área de abastecimento, que inclui refinarias e infraestrutura de transporte, responderá por 30% do total e poderá implicar uma redução da capacidade da Petrobras de produzir combustíveis e se tornar independente da gasolina e do óleo diesel importados para complementar as necessidades do mercado interno.
Ao vender ativos e restringir investimentos, a Petrobras encolhe, ao mesmo tempo em que concentra sua atividade em negócios considerados estratégicos - projetos de baixo risco, que vão ajudar a fortalecer o caixa, como o pré-sal. Assim, espera sanear a posição financeira neste momento de crise, em que tem dificuldade de financiar investimentos. A medida foi bem recebida pelo mercado, que vê o enxugamento da petroleira como prudente e necessário diante da dificuldade de recorrer ao mercado por crédito.
Uma outra alternativa seria o governo injetar dinheiro na companhia por meio de uma capitalização, solução tida por muitos analistas como necessária. Mas essa hipótese, por enquanto, está fora de cogitação. Pelo menos em 2015, a empresa não tem problema de caixa. O pagamento a credores está em dia e a diretoria da Petrobras trabalha desde o ano passado para evitar a antecipação de dívidas, decorrente do atraso na divulgação do balanço financeiro de 2014.
O desafio é conseguir dinheiro para levar adiante principalmente os investimentos no pré-sal, que exigirão a aquisição de equipamentos a partir de 2016. A empresa não pode adiar as compras, porque tem pressa em iniciar a produção em grandes reservas, como no campo de Libra. Além disso, nessas áreas atua em parceria com grandes petroleiras internacionais, com as quais está comprometida.
Para dar conta dos desafios, o atual diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Ivan de Souza Monteiro, está conduzindo dois tipos de mudanças na governança da Petrobras. Ele implementou na petroleira a figura dos comitês intermediários. Na prática, esses órgãos de decisão criam uma cadeia de responsabilidade, o que evita uma concentração de poder no diretor. Na gestão anterior, o diretor Financeiro, Almir Guilherme Barbassa, respondia por todas as áreas e a ex-presidente Graça Foster mantinha uma linha direta de decisão nas questões financeiras.


(Com Estadão Conteúdo)

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