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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

ONU cobra que todos os países da UE recebam refugiados


Órgão estima que são necessárias 200.000 vagas de realocação no continente europeu: 'A solidariedade não pode ser responsabilidade de apenas alguns poucos membros da UE'

Família de refugiados se protege de policiais na estação ferroviária na cidade de Bicske, Hungria. A composição seguia para a fronteira com a Áustria.
Família de refugiados se protege de policiais na estação ferroviária na cidade de Bicske, Hungria. A composição seguia para a fronteira com a Áustria.(Laszlo Balogh/Reuters)
A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou nesta sexta-feira que todos os países da União Europeia (UE) devem ter uma "participação obrigatória" no programa de realocação de refugiados no continente. "A solidariedade não pode ser responsabilidade apenas de alguns poucos membros da UE", disse o chefe da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), António Guterres.
A ONU calculou que as necessidades de realocação para os refugiados que estão chegando à Europa subiram para 200.000. "Uma estimativa muito preliminar indica que potencialmente será necessário aumentar as vagas de realocação até 200.000", afirmou António Guterres.
O apelo da ONU por maior participação da União Europeia na recepção aos refugiados acompanha a posição anunciada por Alemanha e França na quinta-feira. Os dois países estão finalizando uma proposta a ser apresentada nos próximos dias para estabelecer um sistema de cotas obrigatórias para os membros do bloco. Dessa forma, todos se comprometeriam em receber uma parcela dos refugiados.
A Europa vive sua crise migratória mais grave desde a II Guerra Mundial. Apenas em 2015, mais de 350.000 imigrantes e refugiados já chegaram ao continente. As nações mais afetadas pela crise são Hungria, Itália e Grécia, que atuam como portas de entrada da UE, e Alemanha, Áustria e Suécia, os principais países de destino dos refugiados.
Hungria - Enquanto isso, milhares de refugiados sírios seguem na estação Keleti, em Budapeste, Hungria, aguardando o aval para embarcar em trens que os levem à Alemanha. O governo húngaro culpa Berlim pelo fluxo maciço de requerentes de asilo e diz que a crise é um "problema alemão", ao invés de um europeu, rejeitando as críticas sobre a cerca de arame farpado erguida em sua fronteira com a Sérvia.
O fluxo de refugiados vem abalando o sistema de asilo da União Europeia, que chegou ao ponto de ruptura, semeando a divisão entre os 28 países membros e alimentando o populismo nacionalista. A foto do menino sírio deitado sem vida em uma praia da Turquia, porém, chocou o mundo e forçou os líderes europeus a tentarem buscar uma solução.
O primeiro-ministro britânico David Cameron, criticado por sua falta de envolvimento na crise, se mostrou "profundamente comovido" com a tragédia e deve anunciar o recebimento de "milhares" de refugiados sírios na Grã-Bretanha. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, também pediu aos países europeus para "redobrarem os seus esforços de solidariedade".

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