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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Economia em retração não impede BC de elevar Selic a 14,25%


Trata-se do sétimo aumento seguido da taxa básica de juros, que vai ao maior patamar desde agosto de 2006

O presidente do Banco Central Alexandre Tombini
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini(Pedro Ladeira/AFP/VEJA)
O Banco Central (BC) elevou a taxa básica de juros em 0,50 ponto porcentual nesta quarta-feira, para 14,25% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. A decisão, sem viés, foi unânime. Em comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC afirmou que "avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos", decidiu elevar a taxa Selic.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso e Sidnei Corrêa Marques.
O comunicado publicado nesta quarta sinaliza, contudo, que a alta dos juros deve ser momentaneamente suspendida. "O Comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016", informou o BC, em nota. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 1º e 2 de setembro de 2015.
O diretor de assuntos internacionais, Tony Volpon, se absteve de votar dias depois de ter revelado o voto a investidores e à imprensa. À ocasião, disse: "Eu, pessoalmente, vou votar para o aumento de juros até que a nossa projeção esteja de uma maneira satisfatória apontando para o centro da meta."
O BC afirmou, também em nota, que a abstenção ocorreu ""a fim de evitar possíveis prejuízos à imagem do Banco Central do Brasil, sendo essa decisão em caráter pessoal e irretratável". O BC informou ainda que acolheu os esclarecimentos dados por Volpon sobre suas declarações públicas.
Volpon explicou que, como a declaração foi feita em evento público, "a manifestação não representou vantagem competitiva ou informação privilegiada para qualquer agente econômico, não acarretando prejuízos, por conseguinte, à impessoalidade que caracteriza as deliberações do Comitê de Política Monetária (Copom)".
Trata-se do sétimo aumento seguido da Selic, que permanece no maior patamar desde agosto de 2006, quando chegou a 14,25% ao ano. Na reunião de junho, a autoridade monetária já havia aumentado a Selic em 0,50 ponto, a 13,75%.
O mercado já vinha se preparando para um ajuste dessa magnitude, após autoridades do BC repetirem em diversas ocasiões que os avanços no combate à inflação ainda se mostravam insuficientes. O BC iniciou o ciclo de aperto monetário em outubro, logo após as eleições presidenciais, elevando inicialmente a Selic em 0,25 ponto porcentual, a 11,25% ao ano. Em todas as reuniões do Copom subsequentes o aumento foi de 0,50 ponto porcentual.
Segundo o último boletim Focus, divulgado pelo BC, a estimativa é de que os juros terminem 2015 em 14,25% ao ano e que comecem a cair no ano que vem.
O novo aumento acontece em um momento em que a economia não dá sinais de recuperação e afeta fortemente o mercado de trabalho. No primeiro trimestre deste ano, o PIB recuou 0,2% e as perspectivas de mercado para a retração econômica este ano já superam 2%, entre os mais pessimistas. Já o desemprego está em 6,9%, segundo o último dado do IBGE, referente a junho.
A alta do dólar também tem tido impacto inflacionário. Na terça-feira, dia em que a Standard & Poor's alterou a perspectiva da nota do Brasil para o campo negativo, acendendo o alerta do rebaixamento, a moeda americana chegou a bater 3,43 reais, o maior valor em 12 anos. Nesta quarta, recuou, fechando a 3,32 reais.

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