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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Lava Jato: ex-diretor demitido depôs contra Eduardo Cunha


Luiz Antônio Souza da Eira, ex-chefe de informática, foi demitido pelo presidente da Câmara após registro eletrônico ligar deputado a requerimentos supostamente usados para chantagear empresas a pagar propina

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), antes da sessão para a votação da MP 665, que restringe o acesso ao seguro-desemprego, no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é suspeito de chantagear empresas com ações dentro da Câmara(Marcelo Camargo/Agência Brasil/Divulgação)
O pedido da Procuradoria-Geral da República para ter acesso a documentos no setor de informática da Câmara dos Deputados foi motivado por depoimento prestado por Luiz Antônio Souza da Eira, ex-diretor da área de informática da Casa. A ação de busca da Operação Lava Jato foi realizada entre segunda-feira e terça-feira para subsidiar os investigadores de provas contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele é suspeito de ter usado o Parlamento para pressionar empresas a pagar propina.
Eira foi voluntariamente ao Ministério Público Federal logo após ter sido exonerado, no dia 28, por Eduardo Cunha. O depoimento foi decisivo para que procuradores da República pedissem acesso a documentos disponíveis na Câmara que podem evidenciar se Cunha esteve ou não envolvido na elaboração de requerimentos de informação da Samsung e da Mitsui, fornecedores de navios-sonda à Petrobras. Segundo o doleiro Alberto Youssef, o presidente da Câmara ameaçou cobrar explicações das empresas porque eles haviam suspendido o repasse de propina ao PMDB.
Os pedidos de informação foram apresentados na Câmara em 2011 pela atual prefeita de Rio Bonito (RJ), Solange Pereira de Almeida (PMDB), aliada de Cunha. No entanto, registros no documento eletrônico de texto mostram Cunha como autor dos requerimentos. O presidente da Câmara nega as acusações. Solange também isenta o aliado de envolvimento no caso, mas não soube explicar por que pediu informações sobre as empresas.
Inicialmente, a busca na Câmara não constava na lista de diligências solicitadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Procurado, o ex-diretor de informática da Câmara não quis se manifestar sobre o depoimento. Eira foi exonerado do cargo na Câmara um dia após o jornal Folha de S. Paulo revelar que Cunha era o autor dos requerimentos. Esse fato chamou a atenção dos procuradores. Ao justificar a demissão, Cunha sugeriu ser alvo de "represália" por ter alterado a carga horária dos funcionários do setor. O peemedebista também disse que Janot age motivado por uma "querela pessoal" contra ele.
Logo após o depoimento de Eira, os investigadores se apressaram a pedir ao relator da Lava Jato no Supremo, ministro Teori Zavascki, autorização para fazer as buscas na Câmara. A autorização foi assinada pelo ministro na tarde de segunda-feira. No início da noite, os procuradores, um oficial de justiça e técnicos da Procuradoria-Geral da República foram ao departamento de informática da Câmara cumprir a busca. A ação prosseguiu pela madrugada de terça-feira e foi retomada na tarde seguinte.
O material coletado no departamento de informática foi levado na mesma tarde ao Supremo e enviado na noite de quarta ao Ministério Público.
(Com Estadão Conteúdo)

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