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terça-feira, 19 de maio de 2015

Cresce ameaça de gordura no fígado, doença que não têm sintomas e pode causar cirrose ou câncer

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Muita atenção – O acúmulo de gordura no fígado, ou esteatose hepática, normalmente é descoberto em exames de rotina, como a ultrassom do abdômen. A longo prazo, a gordura acumulada pode levar a processo inflamatório crônico até, por fim, desencadear cirrose ou câncer. Entre as causas mais comum, além do consumo de bebidas alcoólicas, está o sobrepeso.
“A esteatose há até dez anos não representava causa importante no transplante de fígado. Hoje, a curva é ascendente”, revela o hepatologista Carlos Terra, presidente do Grupo de Fígado do Rio e médico do Hospital Federal da Lagoa. “Não é difícil entender a razão. Metade da população tem sobrepeso, o principal fator de risco. Se considerarmos que 20% dos pacientes com esteatose podem desenvolver cirrose, a gente entende que o impacto no transplante do fígado vá aumentar progressivamente nas próximas décadas”.
De acordo com o Ministério da Saúde, 52,2% da população adulta tem excesso de peso. Nove anos atrás, a taxa era de 43% – o aumento da população acima do peso foi de 23%. “É preciso conscientizar as pessoas de que o sobrepeso não é problema de ordem estética. É questão de saúde, que pode impactar muito seriamente a qualidade de vida”, afirma Terra.
A gordura no fígado não tem sintoma. O paciente não sente dor, enjoo, nenhum incômodo. Costuma ser descoberta por acaso. Entre as mulheres, quando fazem o exame periódico e o ginecologista pede ultrassom abdominal. Nos homens, quando as enzimas do fígado aparecem alteradas em exames de sangue feitos em check-ups. Não há remédio para acabar com a gordura acumulada no fígado, porém o quadro é reversível com alimentação adequada e exercícios.
“Dos pacientes com gordura no fígado, entre 10% e 15% desenvolverão a inflamação crônica em 10 anos. Desses, nos 10 anos seguintes, 20% terão cirrose; o tipo de cirrose que predispõe ao câncer de fígado”, alerta o hepatologista Carlos Eduardo Sandoli Baía, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
Sem aviso, como o paciente não sente dor ou desconforto, muitas vezes não entende a gravidade do problema. Mas vale ressaltar que, hoje, as principais causas de transplante de fígado são a cirrose provocada pelas hepatites B e C, com 30% dos casos, e cirrose alcoólica, 20%.
“As novas drogas que estão para ser aprovadas para o tratamento da hepatite C resolverão a questão da fila de transplantes. Os pacientes com cirrose por esteatose se tornarão a maioria”, disse Baía. Em 2011, os transplantes por cirrose em decorrência da esteatose respondiam por 0,6% dos transplantes de fígado. Em 2014, essa proporção passou para 2,3% crescimento de 283%. (Por Danielle Cabral Távora)

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