TudoSobreTudo

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Petistas derrotados nas urnas amargam dívida de R$ 40 mi

Eleições 2014

Somente Alexandre Padilha saiu da disputa com 24,7 milhões de reais em dívidas. Agnelo Queiroz teve o voto mais 'caro': 60 reais por eleitor

Eduardo Gonçalves
Alexandre Padilha (PT-SP), Gleisi Hoffman (PT-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Agnelo Queiroz (PT-DF)
Alexandre Padilha (PT-SP), Gleisi Hoffman (PT-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Agnelo Queiroz (PT-DF) (Ivan Pacheco/VEJA.com/Agência Senado/Futura Press/DAPress/VEJA)
Derrotados já no primeiro turno das eleições, os candidatos do PT aos governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Distrito Federal amargam não apenas a rejeição dos eleitores, mas também dívidas milionárias de campanha. Levantamento do site de VEJA com base nas prestações de conta divulgadas na noite desta terça-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que Alexandre Padilha, Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e Agnelo Queiroz fecharam a corrida eleitoral com saldo negativo superior a 40 milhões de reais. Somente Padilha acumula 24,7 milhões de reais em dívidas – o petista gastou 40,2 milhões de reais, mas arrecadou apenas 15,5 milhões. A fracassada campanha do ex-ministro da Saúde gastou praticamente o mesmo valor que a do governador reeleito Geraldo Alckmin (PSDB), mas arrecadou menos da metade. E resultou em uma histórica derrota para o PT no Estado. Além de garantir mais quatro anos à frente do Palácio dos Bandeirantes, Alckmin saiu da disputa com 621 reais em caixa.
Após quatro anos de uma administração atrapalhada, com denúncias de corrupção sempre rondando o Palácio do Buriti, Agnelo Queiroz nem sequer chegou ao segundo turno da disputa no Distrito Federal: obteve 307.500 votos. Para isso, contudo, gastou 18,4 milhões de reais. Ou seja, cada voto "custou" ao petista 60 reais – o maior valor dentre os quatro. Na sequência está a senadora Gleisi Hoffmann, que gastou praticamente 30 reais por voto recebido. Lindbergh Farias ocupa a terceira posição, com o custo de 24 reais por voto. Já Padilha "gastou" 11,50 reais para cada um dos 3.888.584 votos que recebeu em São Paulo.
Mais da metade do dinheiro arrecadado pelos candidatos foi gasta com empresas de publicidade e gráficas para criação e impressão de material de campanha. Padilha pagou ainda 1,6 milhão de reais com assessoria de imprensa. Lindbergh desembolsou 720.000 reais com consultoria. Gleisi gastou 120.000 reais com uma empresa de contabilidade. Agnelo torrou mais de 3 milhões de reais só com produtoras de vídeos.
E não foram apenas os petistas derrotados que saíram da campanha endividados: o governador eleito na Bahia, Rui Costa (PT), saiu da corrida eleitoral com uma dívida de cerca de 13 milhões de reais. Já na campanha mineira, o cenário foi diferente para o PT: o partido investiu pesado na campanha de Fernando Pimentel ao governo. O petista arrebanhou uma das maiores arrecadações nas disputas estaduais (53,4 milhões de reais) - e derrotou o tucano Pimenta da Veiga no primeiro turno. O candidato do PSDB amargou ainda uma dívida de 2,7 milhões de reais.
Alexandre Padilha
Lançado na disputa ao governo de São Paulo como o terceiro poste do ex-presidente Lula, Alexandre Padilha amargou a terceira colocação nas eleições, recebendo 3.888.584 votos em um Estado com 32 milhões de eleitores.  Além da derrota, Padilha gastou mais do que arrecadou e saiu da campanha com uma dívida de 24,6 milhões de reais. Entre os principais doadores, estão a indústria farmacêutica, a de bebidas alcoólicas e empreiteiras.
Despesa: R$ 40,2 milhões
Arrecadação: R$ 15,5 milhões

Lindberg Farias

Em uma disputa na qual a presidente Dilma Rousseff apoiou os quatro principais candidatos ao governo do Rio de Janeiro, o senador petista Lindberg Farias saiu em desvantagem na largada e ficou escanteado durante toda a corrida eleitoral. Acabou em quarto lugar, com 10% dos votos válidos, e uma dívida de quase 12 milhões de reais. O candidato Anthony Garotinho (PR), que ficou na frente de Lindberg em terceiro lugar, teve parte de suas dívidas quitadas pela campanha de Dilma.
Despesa: R$ 19,3 milhões
Arrecadação: R$ 7,3 milhões

Gleisi Hoffmann

Da Casa Civil para o fracasso na disputa pelo Estado do Paraná, Gleisi Hoffmann obteve 14,87% dos votos válidos. O número não foi suficiente nem para forçar um segundo turno entre Beto Richa (PSDB) e Roberto Requião (PMDB) — o tucano venceu a corrida no primeiro turno.
Despesa: R$ 26,9 milhões
Arrecadação: R$ 21 milhões 

Agnelo Queiroz

Com um mandato mal-avaliado, o atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, não conseguiu a reeleição e ainda perdeu a segunda colocação para um candidato lançado no meio da corrida eleitoral — Jofran Frejat (PR) assumiu em setembro a cabeça da chapa, antes pertencente  ao ficha-suja José Roberto Arruda, que na época liderava as pesquisas eleitorais. Com o 'custo' médio de 60 reais por eleitor, Agnelo Queiroz recebeu apenas 307.500 votos. 
Despesa: R$ 18,4 milhões
Arrecadação: R$ 16,6 milhões

Armando Monteiro

Apoiado por Lula, o senador Armando Monteiro (PTB) viu sua candidatura deslanchar no começo da disputa ao governo de Pernambuco. Mas o trágico acidente aéreo, que ceifou a vida do presidenciável Eduardo Campos (PSB), alterou completamente o cenário eleitoral do Estado. O candidato do ex-governador pernambucano, Paulo Câmara (PSB), alçou ao posto de favorito, e ganhou a eleição logo no primeiro turno. Monteiro saiu da campanha derrotado, com 30% dos votos válidos, e uma dívida de 4,7 milhões de reais.
Despesa: R$ 24,5 milhões
Arrecadação: R$ 19,7 milhões

Pimenta da Veiga

Na mais dura derrota sofrida pelo PSDB nas eleições deste ano, o candidato tucano Pimenta da Veiga recebeu 41,89% dos votos válidos e, com o fraco desempenho do terceiro colocado Tarcisio Delgado (PSB), que alcançou 3,9% dos votos, não conseguiu levar a disputa pelo governo de Minas para o segundo turno. A candidatura de Pimenta da Veiga havia sido indicada pelo presidenciável Aécio Neves, que foi um dos mais bem avaliados governadores do Estado. Além de perder as eleições, Pimenta saiu da campanha com uma dívida de 2,7 milhões de reais.
Despesa: R$ 43,1 milhões
Arrecadação: R$ 40,4  milhões

Nenhum comentário:

Postar um comentário