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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Bolsa tem maior alta em dois anos após arrancada de Aécio Neves

Mercados

Ascensão de tucano no cenário eleitoral fez Ibovespa fechar em alta de 4,72%, puxado por Petrobras, que chegou a avançar 17% durante o pregão

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, vota em Belo Horizonte, Minas Gerais
O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, vota em Belo Horizonte, Minas Gerais (Douglas Magno/AFP)
No primeiro pregão pós-primeiro turno eleitoral, o mercado manifestou seu otimismo com a ascensão do candidato do PSDB, Aécio Neves, ao segundo turno das eleições presidenciais. O reflexo foi sentido diretamente pela Bovespa, que fechou com o melhor desempenho em mais de dois anos, com alta de 4,72%, a 57.115 pontos, tendo alcançado 58.897 pontos no melhor momento do dia, com ganho de 8%. 
Segundo lugar na disputa eleitoral. Aécio leva para o segundo turno ao menos 33% das intenções de voto dos brasileiros e já se movimenta para conseguir o apoio de Marina Silva, que ficou com 21% dos votos válidos no primeiro turno.
Os destaques de valorização são altamente sensíveis à disputa eleitoral, como as estatais e as empresas do setor financeiro. No decorrer do pregão, os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras atingiram a máxima de valorização, de quase 17%, enquanto os títulos ordinários (ON, com direito a voto) da estatal alcançaram 16%. No fechamento, ambos estavam entre as maiores altas: 11,06% (PN) e 9,43% (ON). 
As ações ON do Banco do Brasil também se valorizaram mais de 18% no meio do dia, enquanto as ONs da Eletrobras subiram mais de 10%. No fim do dia, elas fecharam em 11,88% (BB), a maior alta da bolsa nesta segunda, e 8,35% (Eletrobras), respectivamente. 
O mercado reagiu negativamente, na última semana, à alavancada de Dilma nas pesquisas pré-eleitorais. A melhora do candidato tucano dá segurança ao mercado, por sua posição mais liberal e contrária ao intervencionismo petista na economia. Diante de uma eleição difícil de prever e incerta até o fim, o dólar e a bolsa devem operar com volatilidade. No primeiro turno, Dilma teve 41,6% dos votos válidos, ou quase 43,3 milhões, enquanto Aécio ficou com 33,6%, ou 34,9 milhões, acima do previsto nas pesquisas.
Aécio tem a preferência dos mercados porque o PSDB tem, historicamente, uma posição mais ortodoxa em relação às questões econômicas. Está na conta do partido, por exemplo, o resgate da estabilidade econômica por meio do tripé de controle fiscal, juros e inflação. Além disso, o candidato tucano já anunciou que o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, um dos mais admirados economistas do país, será seu ministro da Fazenda, caso seja eleito. "A oposição mostra mais clareza para a condução da economia, tendo já escolhido até o ministro da Fazenda. É possível que, agora, o governo atual tenha de dar mais indicação do que deve fazer nesta área", disse o economista-chefe do Banco J. Safra, Carlos Kawall, que foi secretário do Tesouro Nacional no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Dólar - O dólar fechou em queda de 1,43% nesta segunda-feira, a 2,466 reais. O número, no entanto, ficou longe da mínima da sessão (2,3782 reais) após o bom desempenho de Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno das eleições presidenciais derrubar a divisa a 2,37 reais durante a manhã. Segundo operadores, o tombo inicial da moeda norte-americana foi exagerado, gerando uma correção em seguida. A percepção é que o mercado deve continuar volátil nas próximas semanas, diante da disputa acirrada no segundo turno entre o candidato tucano e a presidente Dilma Rousseff (PT), que vem sendo fortemente criticada pelos agentes financeiros pela condução da atual política econômica.

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