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sábado, 19 de março de 2016

Cúpula do PT pressionou governo para Lula ser ministro e evitar prisão. Ouça gravação


Áudio traz conversa entre o então ministro-chefe da Casa Civil Jaques Wagner e o presidente nacional do PT, Rui Falcão

A presidente Dilma Rousseff olha para o novo chefe da Casa Civil, Jaques Wagner durante cerimônia de posse dos novos ministros no Palácio do Planalto, em Brasília (DF) - 05/10/2015
A presidente Dilma Rousseff olha para o novo chefe da Casa Civil, Jaques Wagner durante cerimônia de posse dos novos ministros no Palácio do Planalto, em Brasília (DF) - 05/10/2015(Evaristo Sa/AFP)
Um dos grampos feitos com autorização do juiz Sergio Moro durante as investigações da Operação Lava Jato mostra que o Partido dos Trabalhadores pressionou o governo para nomear Lula como ministro e, com isso, evitar uma possível prisão do ex-presidente. Uma conversa entre o então ministro-chefe da Casa Civil Jaques Wagner e o presidente nacional do PT, Rui Falcão, revela a preocupação dos dois petistas com o pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público de São Paulo por suspeitas de que Lula cometeu os crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica ao esconder ser proprietário de um tríplex no Guarujá (SP), reformado por empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato.
O pedido de prisão havia sido remetido à juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira, da 4ª Vara Criminal de São Paulo. Ao final, a magistrada acabou declinando da competência para julgar o caso e remeteu o processo para o juiz Sergio Moro. O diálogo desmonta a tese do Palácio do Planalto de que a nomeação de Lula teria ocorrido para que o ex-presidente pudesse articular para conseguir votos contra o pedido de impeachment de Dilma que tramita no Congresso Nacional.
Em nota, o atual ministro-chefe do Gabinete da Presidência da República, Jaques Wagner, respondeu que considera "muito estranha a divulgação" das conversas grampeadas entre ele e Falcão, e alega que os grampos são ilegais. Wagner diz ainda que houve a "tentativa de gerar interpretação desvirtuada" de suas palavras e do diálogo.
Ouça a conversa:
Rui: Oi, Jaques. O louco do Conserino [Cássio Conserino, promotor do MP-SP] aqui pediu a preventiva do Lula.
JW: É, eu vi, porra.
Rui: Sim, e vocês vão deslocar alguém pra cá, como é que é?
JW: Deslocar em que sentido?
Rui: Não, acho que tem que vir alguém pra cá, porra, pra se mexer aqui também.
JW: Mas alguém quem? Só pra eu entender. Não, que eu não tô raciocinando. Eu tô que nem você.
Rui: Não tem ministro da Justiça, não tem..
JW: Não, tem ministro da Justiça, claro. Ele tá no ministério. Ele tá no posto.
Rui: Alguma iniciativa vocês precisam tomar. Porque tá na mão de uma juíza da 4ª Vara que não sabe quando toma decisão, mas pode tomar decisão hoje. Nós...
JW: Ah, ele pediu a preventiva do cara em cima do que?
Rui: Não... não tem... em cima do tríplex, da denúncia, ele é louco. Os três promotores aqui, Jaques.
JW: Tá bom. Deixa eu fazer alguma coisa aqui.
Rui: É, porque eles podem, a juíza pode despachar agora, tá? Tem os advogados tá lá, "tamo" chamando deputado...
JW: Falou, ok.
Rui: A outra coisa é o seguinte: se nomear ele hoje, o que que acontece?
JW: Aí não sei, eu tô por fora.
Rui: Então, consulta isso também...
JW: Mas ele já decidiu?
Rui: Não, mas nós todo mundo pressionou ele aqui. Fernando Haddad, todo movimento sindical, todo mundo.
JW: Tá bom.
Rui: Tá.
JW: Eu acho que tem que ficar cercado em torno do prédio dele e sair na porrada, Rui.
Rui: Tem nada.
JW: Não, tudo bem, ué? Mas tem que cercar tudo.
Rui: Não, eu sei, mas enquanto isso..
JW: Tudo bem, deixa eu falar aqui.
Rui: Alerta a presidente. Toma a decisão de estado-maior aí, porra.
JW: Falou, ok..
Rui: E mantém a gente informado. Ele, tá?
JW: Tá bom.

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