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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Moro manda prender quem barrar buscas na Odebrecht


Advogados da empreiteira impediram que PF copiasse e-mails de diretor investigado durante a 16ª fase da Lava Jato, nesta terça-feira, no Rio de Janeiro

Fabio Gandolfo, diretor da Odebrecht Infraestrutura, investigado na 16ª fase da Lava Jato
Fabio Gandolfo, diretor da Odebrecht Infraestrutura, investigado na 16ª fase da Lava Jato(Reprodução/VEJA)
O juiz Sergio Moro determinou que a Polícia Federal prenda os funcionários e advogados da Odebrecht que se opuserem à busca realizada pelos agentes nesta terça-feira na sede da empresa na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro. A empreiteira também é alvo de uma ordem judicial de busca e apreensão na 16ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada para levantar provas e apurar a suspeita de crimes em contratos com a estatal Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras.
Moro determinou que a PF cumpra o mandado "se necessário mediante a utilização de força e prisão daqueles que se opuserem" pelo crime de impedir investigação contra organização criminosa, cuja pena varia de três a oito anos de prisão.
Na manhã desta terça, o delegado da PF Igor Romário de Paula comunicou ao juiz que advogados da empreiteira "se recusaram" a ceder as senhas de acesso aos servidores para extração de dados e arquivos da conta de e-mail do diretor superintendente da Odebrecht Infraestrutura, Fábio Gandolfo, um dos investigados nesta fase. A PF suspeita que a postura da Obebrecht seja "uma mera estratégia de retardar a investigação policial".
"A alegação dos defensores baseia-se no fato de que o servidor de e-mails da empresa estaria estabelecido no exterior e não abrangido pela ordem judicial", escreveu o delegado.
O obstáculo criado pelo departamento jurídico da Odebrecht irritou o juiz Sergio Moro. Ele também considerou que a Odebrecht pode tentar destruir provas no arquivadas no e-mail de Gandolfo e por isso não liberou acesso imediato aos agentes da PF.
"Ora, não cabe aos empregados da Odebrecht, quer advogados ou não, se oporem ao cumprimento do mandado de busca. O crime investigado ocorreu no Brasil, o executivo investigado realizou comunicações no Brasil, não tendo qualquer relevância o suposto óbice apontado", anotou Moro. "Como o comportamento adotado indica possibilidade de destruição de provas, como também indicam anotações anteriores do presidente da holding [Marcelo Odebrecht], ao recomendar 'higienização de apetrechos', amplio a busca para deferir o pedido para a extração dos backups, cópias de segurança e logs de acesso da conta investigada das últimas 48 horas."

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