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domingo, 21 de junho de 2015

Odebrecht e Andrade Gutierrez lideravam cartel, diz procurador


Segundo MP, o nível de sofisticação do esquema criminoso operado nessas empresas é muito maior do que as demais integrantes do cartel

Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador do MPF, o delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Igor Romário de Paula e o superintendente Regional, Rosalvo Ferreira Franco durante entrevista coletiva na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR), nesta sexta-feira (19)
Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador do MPF, o delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Igor Romário de Paula e o superintendente Regional, Rosalvo Ferreira Franco durante entrevista coletiva na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR), nesta sexta-feira (19)(Vagner Rosario/Folhapress)
A força-tarefa da Operação Lava Jato detectou indícios de que as empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez estão envolvidas em crimes de formação de cartel e fraude em licitações não apenas em contratos com a Petrobras. A informação foi dada nesta sexta-feira pelo procurador da República no Paraná Carlos Fernando dos Santos. As empresas são alvo da 14ª fase Lava Jato, deflagrada nesta manhã - e que levou para a cadeia os presidentes das duas empreiteiras. Segundo a promotoria, as duas gigantes da construção, sobretudo a Odebrecht, exerciam papel de liderança no chamado clube do bilhão.
Nas palavras do delegado Igor Romário de Souza, os presidentes das duas empresas "tinham dominio de tudo". "Há indícios de que os presidentes não só tinham domínio de tudo o que acontecia como tiveram contato ou participaram de negociações que levaram a formação de cartel e à destinação de recursos pra pagamento de corrupção."
Segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos, os executivos dessas empreiteiras foram presos apenas agora, e não na sétima fase da operação, que mirou o clube do bilhão formado por algumas das maiores construtoras do país, porque o nível de sofisticação do esquema criminoso operado nessas empresas é muito maior do que os demais, o que exigiu investigações mais profundas. Boa parte dos pagamentos era feita no exterior, em países como Suíça, Mônaco e Panamá. "Nos casos anteriores, o relacionamento das empreiteiras se dava com o doleiro Alberto Youssef. Era um esquema relativamente mais simples e mais fácil de ser comprovado. O esquema de lavagem agora se dá por meio de depósitos no exterior", afirmou Santos. O nome com que foi batizada essa fase da Lava Jato Erga Omnes (do latim, Vale para Todos) foi escolhido para, de acordo com o procurador, "trazer um recado claro de que a lei vale efetivamente para todos, não importa o tamanho da empresa ou seu destaque na sociedade".
Foram cumpridos nesta manhã nove mandados de prisão, sendo cinco preventivas (Rogério Santos de Araújo, Márcio Faria da Silva, Marcelo Odebrecht, Otávio Marques de Azevedo e João Bernardi Filho) e quatro temporárias (Alexandrino de Sales Ramos de Alencar, Antônio Pedro Campelo de Souza, Flávio Lúcio Magalhães e Cristina Maria da Silva Jorge). Os executivos Elton Negrão de Azevedo Júnior e Paulo Roberto Dalmazzo não foram encontrados, mas as defesas informaram que eles vão se apresentar à PF nesta tarde. Cesar Ramos Rocha ainda não foi localizado pela polícia, mas não é considerado foragido por enquanto.

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