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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Lixo produzido em dois anos por jovem americana cabe dentro de 1 pote

Lauren não compra nada com embalagens e produz o próprio detergente. O pouco lixo que produz, como restinhos de comida, guarda no congelador.


Cada brasileiro produz em média 379 quilos de lixo por ano. Multiplicando pela população do país, são mais de 76 milhões de toneladas. Isso não faz bem para o nosso planeta. Como reduzir esse número? Essa é a pergunta. Renata Ceribelli encontrou uma menina, em Nova York, que há dois anos mudou radicalmente de hábitos com um único objetivo: chegar ao lixo zero.
Lauren tem apenas 23 anos e uma disciplina imensa para viver de um jeito radical. Formada em Estudos Ambientais pela Universidade de Nova York, ela decidiu, dois anos atrás, viver sem produzir nenhum tipo de lixo. Mas como ela consegue?

Para entender um pouco como é essa vida de produzir lixo zero,  a repórter Renata Ceribelli pediu para acompanhar a rotina dela, e elas foram às compras.

“Aqui eu tenho a bolsa que eu sempre trago quando venho ao mercado. Eu encho ela com os meus vegetais.  Dentro dela trago saquinhos onde eu posso colocar os vegetais”, conta Lauren.

A sacola é feita com linho, algodão ou material orgânico, nunca de plástico.

“Se eu quiser beber água, evito comprar garrafa plástica. Eu trago esta caneca de vidro sempre comigo. Agora tem café, mas às vezes eu coloco água, chá, qualquer coisa”, diz Lauren.

Lauren conta que não compra nada com embalagens. Por isso, prefere ir a feiras ao ar livre, geralmente orgânicas. Mas mesmo nas grandes lojas, ela sempre compra alimentos como arroz, feijão, tudo a granel. “As embalagens são feitas usando muita energia, muita água. É um desperdício. Por exemplo, doces, eu mesma faço. É mais saudável e divertido ”.

Pão: só o que está fora da embalagem de plástico. Suco: na caneca de vidro. Peixe, frango, carne: Lauren não come nada disso. É vegetariana. “Por uma questão de sustentabilidade. Porque produtores de carne usam muita água, muita terra, e também porque é a vida de um animal”, diz.

Quando vai à feira, Lauren pede para guardar os produtos comprados dentro da sua sacola. E isso está ficando cada vez mais comum. “Cada vez mais os jovens estão pensando nisso, que temos que eliminar caixas, sacolas. Estão prestando mais atenção ao desperdício”, afirma o feirante.

Mas o que ela considera lixo? “Para mim lixo é tudo que vai para um aterro e fica lá para sempre. Então, quando você coloca o seu lixo na lixeira, ele vai para o caminhão, que vai para um aterro gigante e fica lá para sempre.  Eu não gosto de sentir que eu estou mandando as coisas para um lugar e que vão ficar no planeta para sempre. Eu prefiro usar coisas que quebrem esse processo”, explica.

Será que é mesmo possível viver assim? Na cozinha do apartamento de Lauren, os potes são todos de vidro. O detergente, ela mesma produz. O shampoo e o creme hidratante também, todos os produtos de beleza e limpeza. Tudo isso para não poluir o planeta. Até o papel higiênico é de papel reciclável.

Agora é preciso tempo e dedicação para ter esse estilo de vida, certo? “Quando você vai a uma loja, isso toma quanto tempo? 45 minutos? Uma hora? Digamos que você queira comprar um shampoo, você precisa de 30 minutos, ao menos? Eu faço pasta de dente, desodorante e hidratante em cinco minutos”, conta Lauren.

A pasta de dente são duas colheres de sopa de óleo de coco, uma colher de chá de bicarbonato de sódio e 20 gotinhas de essência de menta. Mistura tudo e pronto.

Lauren compartilha a experiência de viver sem produzir lixo e também suas receitas em seu blog na internet. Mas se alguém quisesse seguir seu exemplo? Qual seria o primeiro passo para mudar o estilo de vida?

“Eu diria que a primeira coisa que você deve fazer é olhar para a sua lixeira. Observe o que você vai jogar fora. No meu caso, tinha muito desperdício de comida e de embalagens”, conta.

O que ela produz de lixo fica no freezer, em uma sacola de papel reciclado. Ela não desperdiça nada. Tem todos os restinhos de comida: casca de ovo, restinho de fruta. “Quando junto uma quantidade razoável, levo isso para um grande contêiner cheio de outros lixos orgânicos e isso tudo fica empilhado no solo, com aquecimento, minhocas e se transforma em adubo”, explica.

Mas o que fazer, por exemplo, com uma roupa rasgada, que não dá para doar? Mais uma vez, Lauren surpreende. “Se eu tiver uma calça jeans que tem um furo enorme e que eu não possa mais usar, eu vou levá-la até a feira, onde eles têm uma sessão de reciclagem têxtil e eles vão transformar isso em um novo tecido”, conta.

Todo o resto ela guarda dentro de um potinho. Etiquetas de roupa, pulseirinha de entrada de shows, canudinhos dos drinks que ela bebe, lacinhos que vêm nos presentes. E todo o lixo que Lauren produziu nos últimos dois anos cabe dentro de um pote pequeno. Aliás, lixo não, porque ela não vai jogar fora. Vai guardá-lo na esperança de surgir uma tecnologia capaz de reciclá-lo.

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