TudoSobreTudo

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Como é que pode? (Paquistão)

Veja.Com

Vítima do terror no Paquistão
Vítima do terror no Paquistão
Eu conheço variações da história clássica sobre arrogância ocidental (muitas vezes traduzida com a ideia de que os ocidentais dão menos valor às vidas dos outros) estampada em uma manchete do vetusto The Times, de Londres: “Ônibus cai em desfiladeiro, um britânico ferido e 30 paquistaneses mortos”.
Vale esta referência diante dos fatos horrorosos desta terça-feira no Paquistão, na sequência do desfecho do atentado de segunda-feira em Sydney, na Austrália (três mortos, entre eles o sequestrador). Em uma escola de Peshawar, mais de 135 pessoas morreram, em sua maioria crianças, em um ataque do Talibã.
Não vou aqui discutir política interna ou jogos geopolíticos naquela região ingrata do mundo. Este ato de barbárie obviamente é destaque na imprensa global, mas não é uma sensação midiática, como o caso do atentado em Sydney, uma das mais espetaculares metrópoles do mundo. Mídia sempre é seletiva. Basta mencionar que no caso de Sydney o destaque na imprensa brasileira foi o fato de haver uma brasileira entre os reféns.
Não preciso de aulas de jornalismo ou de ética jornalística para debater o assunto. Claro que um atentado no coração de uma cidade como Sydney em geral será um “espetáculo midiático” mais intenso do que um ocorrido em Peshawar. Não se trata de arrogância ocidental ou pouco valor às vidas dos outros. São regras elementares de como funciona a imprensa (comercial). Dito isto, o que aconteceu nesta terça-feira foi demais até para o Paquistão.
Não elaborei nesta rápida pensata a política interna ou os jogos geopolíticos no Paquistão, mas como foi demais até para aquela terra ingrata existe uma tênue possiblidade de que haja uma mudança no jogo duplo do venal aparato de segurança do país, que combate e acoberta o Talibã.
PS- Dentro do assunto sobre critérios informativos, uma informação pertinente. Adivinhe qual foi o top trending topic no Google em 2014? Foi o suicidio do ator Robin Williams, seguido pela Copa do Mundo, Ebola e os dois desastres com aviões da Malaysia Airlines (Pacífico e Ucrânia).
***
Colher de chá para Alexandre FG (dia 16, 12:21)

Nenhum comentário:

Postar um comentário