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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

De saída, Mantega diz que é preciso reduzir despesas

Macroeconomia 

Às vésperas de deixar a pasta da Fazenda, ministro muda discurso e diz que 2015 será um ano de ajustes de custos

Luís Lima
Ministro da Fazenda, Guido Mantega, participa  nesta sexta-feira do Encontro de Política Fiscal 2014
Ministro da Fazenda, Guido Mantega, participa nesta sexta-feira do Encontro de Política Fiscal 2014 (Gabriel Soares/Brazil Photo Press/Folhapress)
Em meio ao que chama “novo ciclo de crescimento da economia mundial”, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a reforçar que 2014 será o último ano da política anticíclica do governo Dilma Rousseff (PT). Neste contexto, segundo Mantega, o principal desafio do próximo ministro é fazer a transição de uma estratégia de estímulos econômicos para um modelo de ajustes. Embora especialistas venham falando há algum tempo sobre a necessidade de cortar os gastos do governo, só agora, quando já teve sua demissão anunciada por Dilma, é que o ministro passou a falar em ajustes.
Em seminário em São Paulo, Mantega disse que, no ano que vem, será muito importante fazer cortes de despesas, com redução de gastos com seguro-desemprego, abono-salarial e auxilio doença – cerca de 70 bilhões de reais por ano - e pensão por morte – cerca de 90 bilhões de reais por ano. Sobre o fator previdenciário, Mantega afirmou que não há discussão sobre o tema neste momento. “Este assunto não está incluído nesse programa de redução de despesas. É uma discussão mais longa, que tem que ser feita com os segmentos interessados”, disse. 
Outra medida que fará parte do ajuste fiscal no ano que vem é a redução de estímulos dados a financiamentos (crédito).
O tema do seminário era política fiscal, uma das áreas mais deterioradas do governo e alvo de muitas críticas. Em setembro, o governo central  (Banco Central, Tesouro Nacional e Previdência Social) registrou um déficit primário de 20,39 bilhões de reais – o pior resultado para setembro desde 1997.
A meta para este ano é de 80,8 bilhões de reais (1,9% do Produto Interno Bruto – PIB), praticamente impossível de ser atingida, tanto que analistas projetam até um resultado negativo. Mesmo assim, Mantega insistiu no habitual otimismo e disse que o país registrará saldo positivo este ano - "feito que muitos países não conseguem". Para 2015, a meta continua sendo de 2% a 2,5% do PIB, mas uma revisão pode ser feita em dezembro, quando o orçamento da União é votado. “Ainda não fizemos essa revisão. Temos que avaliar à luz do cenário mais atual”, declarou. 
Em relação à política monetária, Mantega disse que é importante manter o controle sobre a inflação, embora o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostre a incapacidade do governo em controlá-la ao divulgar nesta sexta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, continua acima do teto da meta no acumulado de doze meses, com alta de 6,59%.
Segundo Mantega, sem seca e com preços de commodities favoráveis, o país terá mais flexibilidade no ano que vem. “Assim, liberaremos mais crédito, de modo que possamos ter uma reconstituição do mercado consumidor e um certo nível de atividade do país”, disse. 
Gasolina — Sobre o reajuste da gasolina, anunciado na quinta pela Petrobras, Mantega calcula um acréscimo de 0,1 ponto porcentual no IPCA no ano. Nesta quinta-feira, a Petrobras anunciou que reajustará o preço de venda da gasolina em 3% e o do diesel em 5% nas refinarias, a partir da zero hora desta sexta-feira. O aumento, esperado pelo mercado, é considerado pequeno frente às necessidades da estatal e às perdas acumuladas no ano. Questionado se o reajuste é suficiente, Mantega se limitou a dizer que “não discute o preço da gasolina nem a situação da Petrobras”. 
Novo ministro – Mantega também se recusou a comentar as especulações em torno de seu futuro sucessor, que deve ser anunciado por Dilma após a cúpula do G20, que acontece na Austrália, nos dias 15 e 16 de novembro. Entre os possíveis candidatos estão o ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, e o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

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