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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Petrobras: esquema continuou operando após saída de Paulo Roberto Costa

Lava Jato

Polícia Federal comprova desvio de 37 milhões de reais nas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Dinheiro foi repassado ao doleiro Youssef

O doleiro Alberto Youssef em depoimento
O doleiro Alberto Youssef em depoimento (VEJA)
Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, deixou o cargo em 2012, mas o esquema de corrupção que ele montou continuou operando normalmente na estatal. A Polícia Federal já sabe que, de outubro de 2010 a dezembro de 2013, pelo menos 37,7 milhões de reais desviados da obra da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, foram repassados a empresas do doleiro Alberto Yousseff.  
O golpe foi aplicado da seguinte maneira: para repassar o dinheiro desviado, o consórcio responsável pela obra, liderado pela empreiteira Camargo Correa, simulou a contratação de serviços da empresa Sanko Sider. Esta, por sua vez, simulou a contração de duas empresas de Alberto Youssef.  Ninguém prestou serviço algum. O dinheiro, na prática, saiu dos cofres da Petrobras para os corruptos que se alimentavam no caixa da estatal.
Essa triangulação, feita para dificultar uma eventual investigação, para dar certo, precisava do aval da Petrobras. As normas da estatal obrigam todos os prestadores de serviço a possuírem uma certificação concedida pela própria empresa – uma forma de garantir que participem dos negócios apenas pessoas jurídicas idôneas. A  polícia descobriu que a Sanko Sider, a intermediária entre a empreiteira e o doleiro, operou durante oito anos com um certificado obtido de forma fraudulenta. 
Já se sabia que entre as fontes de corrupção da Petrobras estava a comercialização dos certificados. O que não se sabia é que mesmo depois de Paulo Roberto Costa ter deixado a estatal, em 2012, o esquema continuou operando. Os certificados precisam ser renovados todos os anos. As prestadoras de serviço são obrigadas a apresentar uma espécie de atestado de boa saúde financeira. A Sanko Sider, mesmo enfrentando graves problemas em seus balancetes, conseguiu a certificação em 2013, já sob a presidência de Graça Foster, apresentando documentos de uma outra empresa. 
A fraude na emissão dos certificados que permitiam a contratação da Sanko Sider e o mapa do dinheiro desviado das obras da Petrobras para as empresas de fachada de Youssef fazem parte de um laudo recém-concluído por peritos da Polícia Federal e anexado nesta quinta-feira a um dos processo que o ex-diretor Paulo Roberto Costa responde na Justiça Federal do Paraná.
Os investigadores vão partir agora para a etapa mais importante da operação: descobrir o destino final do dinheiro. As pistas apontam para políticos e partidos aliados do governo, como o PT, o PMDB e o PP. Nesta quinta-feira, o doleiro Alberto Youssef assinou um acordo de delação premiada com a Justiça. Suas revelações são capitais nesta fase do processo. Youssef  sabe o nome dos corruptos, os valores recebidos por cada um, o local onde o dinheiro foi entregue, a exata localização das contas abertas no exterior. E ele já se comprometeu a colaborar.

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