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domingo, 12 de outubro de 2014

Delator do petrolão foi encarregado de arrecadar dinheiro para campanha do petista Lindbergh Farias, diz jornal

Lava Jato


Candidato derrotado ao governo do Rio nega acusação

CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014
CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014 (Ueslei Marcelino/Reuters)
Reportagem publicada na edição deste sábado no jornal Folha de S. Paulo afirma que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa foi encarregado de pedir a empreiteiras doações para a candidatura derrotada do senador Lindbergh Farias (PT) ao governo do Rio. No depoimento que Costa deu à Justiça federal no Paraná, liberado na quinta-feira, o delator do petrolão apontou empresas, partidos e operadores do esquema de desvio de recursos na Petrobras. Ele disse também que havia sido incumbido de levantar recursos para a campanha de um candidato do Rio, mas não revelou qual.
A assessoria de Lindbergh confirmou que Costa participou de três reuniões da campanha do candidato ao governo do Rio. O objetivo seria tratar da elaboração do programa de governo na área de óleo e gás. À Folha, a assessoria negou que Costa tenha se envolvido na campanha. "Não se pode confundir isso com as atividades ilícitas do ex-diretor posteriormente reveladas pela chamada Operação Lava Jato."
Durante depoimento à Justiça, Costa deu explicações sobre uma planilha apreendida pela Polícia Federal em que aparecia uma lista de empreiteiras que, por meio dele, ajudariam nas eleições. O ex-diretor diz que a planilha se referia, especificamente, a empresas que poderiam fazer doações para a campanha de um candidato ao governo do Rio de Janeiro nas eleições deste ano.
“Teve um candidato ao governo do Rio de Janeiro que me procurou, eu já tinha saído da Petrobras. Foi no início de 2014 e o objetivo era que eu preparasse pra ele um programa de governo na área de energia e infraestrutura de um modo geral. Participei de umas três reuniões com esse candidato e foi listada uma série de empresas que poderiam contribuir com a campanha que ele estava concorrendo. Ele me contratou para fazer o programa de energia e infraestrutura de modo geral. Listou uma série de empresas. Algumas que eu tinha contato e outras, não. Hope RH não conheço. Mendes Júnior conheço, UTC conheço, Constran nunca tive contato, Engevix conheço, IESA conheço e Toyo Setal conheço. Foi solicitado que houvesse a possibilidade de essas empresas participarem da campanha (...) Era uma candidatura para o Rio de Janeiro.”
O esquema bilionário de desvio de recursos na Petrobras foi revelado pela operação Lava Jato, da Polícia Federal, deflagrada em março. A investigação mostra que o esquema que envolve empreiteiras e políticos pode ter movimentado cerca de 10 bilhões de reais. Costa e o doleiro Alberto Youssef fizeram acordos de delação premiada pelo qual terão suas penas reduzidas, em caso de condenação, em troca de informações que levem ao esclarecimento dos crimes. Entre os acusados de participação no esquema está o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto: ele teria intermediado recursos desviados da Petrobras para o partido.

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