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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Delatora de Bethlem tinha salário de R$ 10,5 mil no governo

Rio de Janeiro

Daniel Haidar, do Rio de Janeiro
Vanessa Felippe Bethlem
Vanessa Felippe Bethlem (Reprodução/VEJA)
Vanessa Felippe Bethlem, ex-mulher do deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB) e delatora do esquema operado pelo ex-secretário municipal na prefeitura do Rio de Janeiro, também tinha suas boquinhas na administração pública. Ela foi vice-presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) entre fevereiro de 2007 e junho de 2012. A autarquia é responsável pela administração de jogos de azar no Estado. Pelo cargo comissionado, obtido por nomeação do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), Vanessa recebia um salário de 10.570,94 reais.
Bethlem foi subsecetário de governo do Rio entre 2007 e 2008, responsável no Palácio Guanabara por operações de "choque de ordem". Mais do que um caso de nepotismo, a nomeação de Vanessa para a Loterj foi também alvo de investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro - a suspeita era de que ela fosse uma funcionária-fantasma. Denúncia anônima enviada à Promotoria dizia que Vanessa sequer aparecia na repartição. Para rebater a acusação, o governo enviou folhas de ponto, datadas a partir de outubro de 2009, que mostravam comparecimento ao trabalho. Em relação ao período de junho de 2007 a setembro de 2009, porém, não houve comprovação da frequência. A Loterj alegou que a documentação desses meses desapareceu em uma obra de reforma do prédio da autarquia. Foi o suficiente para que a Promotoria determinasse o arquivamento da investigação.
O cargo comissionado não foi a única transferência de recursos estaduais para o bolso de Vanessa. Como revelou a coluna Radar On-line, ela era sócia, com o filho Jorge Felippe Bethlem, da revista B4, uma inexpressiva publicação que estampava anúncios da prefeitura do Rio. O governo do Estado repassou 36.750 reais para a empresa de Vanessa pelo pagamento de anúncios. Áudios obtidos por VEJA mostraram que Bethlem prometeu a ela que promoveria um encontro com Wilson Carlos, braço-direito de Sérgio Cabral, para providenciar o patrocínio. Meses depois o dinheiro foi liberado. 

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