sexta-feira 07 2013

Procurador-geral de SP pede retirada do mandato de Afif

Por FAUSTO MACEDO E FERNANDO GALLO, estadao.com.br
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, manifestou-se, na quinta-feira, 6, pela...

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, manifestou-se, na quinta-feira, 6, pela "inadmissibilidade" da acumulação de cargos de Guilherme Afif Domingos (PSD), vice-governador do Estado e ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa do governo federal. Em parecer de sete páginas, o chefe do Ministério Público Estadual mandou expedir ofício para a Assembleia Legislativa com expressa recomendação para "promoção das medidas necessárias à perda do mandato do vice-governador". Elias Rosa determinou que Afif e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) fossem notificados do fato.
O Ministério Público se pronunciou formalmente sobre o caso após ser provocado por representação do deputado estadual Carlos Gianazzi (PSOL). Elias Rosa afirmou que a acumulação de postos públicos é permitida excepcionalmente e somente quando há permissão expressa instituída na Constituição Federal.
"A acumulação, remunerada ou não, de cargos, funções e empregos públicos é admitida excepcionalmente no direito brasileiro, sendo a sede de sua permissão exclusivamente a Constituição federal", assinalou o procurador-geral. Elias Rosa advertiu que "para além das expressas autorizações constitucionais não há espaço para cúmulo de funções públicas".
A Procuradoria é o segundo órgão a se manifestar contra a dupla função de Afif. Anteontem, a maioria da Comissão Geral de Ética apontou a "impossibilidade" e a "inconveniência" da acumulação de cargos "tanto do ponto de vista jurídico quanto do ponto de vista ético".
A comissão também vai encaminhar parecer à Assembleia, que discute a perda do mandato de Afif na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) - terça-feira, o relator da proposta, deputado Cauê Macris (PSDB), entregará parecer favorável à admissibilidade do projeto pela comissão. A seu favor, Afif tem um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) segundo o qual a dupla função é permitida.
A Constituição estadual veda expressamente o acúmulo de funções por parte do governador, mas não diz nenhuma palavra sobre o cargo de vice. O procurador-geral afirma que "o vice-governador exerce cargo típico no comando do Poder Executivo com funções próprias e exclusivas de substituto, sucessor ou auxiliar", e sustenta que "essa última função (a de auxiliar) não pode ser obliterada (eliminada), sob pena de desrespeito ao princípio federativo".
"A Constituição Federal estabelece que o vice-presidente da República, além de outras atribuições que lhe forem conferidas por lei complementar, auxiliará o presidente, sempre que por ele convocado para missões especiais. Trata-se de regra de aplicação simétrica na organização estadual, distrital e municipal, cuja eficácia fica comprometida com o cúmulo de funções em diversas esferas federativas, motivo pelo qual lhe é defeso (proibida) essa acumulação", ressalta Elias Rosa.
Remissão
Para o procurador-geral, poderão argumentar que não perde o mandato parlamentar que, licenciado, é investido em cargo de provimento em comissão no Poder Executivo. "Mas, isso não autoriza concluir a licitude do exercício cumulativo de mandato eletivo de vice-governador e de ministro ou secretário de Estado na administração pública federal, porque sendo a proibição da acumulação a regra a exceção depende de expressa previsão constitucional", adverte Elias Rosa. "O vice-governador, assim como o vice-presidente e o vice-prefeito, exerce cargo típico no comando do Executivo com funções próprias e exclusivas de substituto, sucessor ou auxiliar."
Elias Rosa observa que a Constituição Estadual, reproduzindo o parágrafo 1.º do artigo 28 da Carta Federal, prevê no artigo 42 a perda do mandato do governador em virtude da assunção de outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta, ressalvando a posse em decorrência da aprovação em concurso público.
"Essa disposição é aplicável ao vice-governador?", indaga o procurador. "A remissão nela contida ao artigo 38 da Constituição Federal não é improfícua. Essa regra baliza a acumulação de cargo de servidor público com o exercício de mandato eletivo. Ela torna incompatível a acumulação do cargo público com mandato eletivo federal, estadual ou distrital e, no âmbito municipal, impõe o afastamento se investido no mandato de prefeito."
A Comissão de Ética do Estado vai decidir no dia 20 sobre a proposta do conselheiro Geraldo Brito Filomeno de que o parecer seja encaminhado ao MP, para que este avalie possível improbidade do vice-governador. Filomeno, que foi procurador-geral de Justiça no governo Mário Covas, argumentará que a Lei de Improbidade também cuida de outros atos que atentam contra os princípios da administração pública.
Sem comentários
Procurado, na quinta-feira, 6, pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o Afif afirmou, por meio de sua assessoria, que não comentaria a manifestação do Ministério Público. O vice-governador vem reiteradamente recorrendo ao parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) favorável à acumulação de cargos para justificar a sua permanência como vice-governador.

'Fábrica' de vinho de 6.100 anos é descoberta na Armênia

Arqueologia

Caverna abrigava sementes de uva, ramos de videira, uma prensa rudimentar, uma cuba em argila, uma taça e uma caneca

vinho tinto
(Martin Bernetti / AFP)
Uma espécie de fábrica de vinho de 6.100 anos, a mais antiga conhecida, foi encontrada numa caverna na Armênia. A descoberta foi feita no mesmo sítio que guarda o mais velho calçado conhecido no mundo. O achado foi divulgado no periódico Journal of Archaeological Science.

Entre os objetos descobertos, estavam sementes de uva, restos de grãos prensados, ramos de videira atrofiados, uma prensa rudimentar, uma cuba em argila aparentemente usada para a fermentação, cacos de cerâmica impregnados de vinho, uma taça e uma caneca para bebê-lo.

"Pela primeira vez, temos uma imagem arqueológica completa de um sistema de produção de 6.100 anos", disse Gregory Areshian, responsável pelas escavações e vice-diretor do Instituto de Arqueologia Cotsen da Universidade da Califórnia (EUA).

As cavernas ficam numa espécie de cânion situado na província armênia de Vayotz Dzor, região na fronteira com Irã e Turquia. O segundo mais antigo sistema de produção de vinhos fica em Israel e tem 3.660 anos.
(Com Agência France-Presse)

Contato com povos da Itália pode ter originado produção de vinho na França

História

Segundo estudo, recipientes etruscos contendo vinho chegavam à costa francesa desde o final do século VII a.C.

Vinho
Vinho: pesquisadores encontraram evidências de que a bebida recebia adição de ervas e poderia ser utilizada para fins medicinais (Thinkstock)
A França é o principal produtor de vinho da atualidade, além de ser o segundo maior consumidor da bebida, atrás apenas dos Estados Unidos. Pouco se sabe, porém, sobre como a cultura do vinho chegou ao país. Um estudo recente, que levou em conta análises químicas e dados arqueológicos, sugere que a vinicultura francesa pode ter sido impulsionada pelo contato com o vinho trazido da Itália (segundo maior produtor do mundo), durante o século V a. C.
A equipe de pesquisadores, liderada por Patrick McGovern, da Universidade da Pensilvânia, analisou diversos artefatos relacionados à produção, armazenamento e consumo de vinho encontrados nas ruínas da antiga cidade portuária de Lattara, no Sul da França. Dentre os objetos, estão ânforas (recipientes de barro com gargalo estreito e duas asas, que serviam para conservar o vinho) dos etruscos, povo que vivia na Península Itálica, e a mais antiga prensa de vinho conhecida da França (instrumento usado para extrair suco das uvas amassadas durante a produção do vinho).
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Beginning of viniculture in France

Onde foi divulgada: periódico PNAS

Quem fez: Patrick E. McGovern, Benjamin P. Luley, Nuria Rovira, Armen Mirzoian, Michael P. Callahan, Karen E. Smith, Gretchen R. Hall, Theodore Davidson e Joshua M. Henkin

Instituição: Universidade da Pensilvânia, EUA; Universidade Paul Valéry (Montpellier III), França; e outras instituições

Resultado: De acordo com os autores, a chegada de vinho dos povos etruscos à França desde o final do século VII a.C. possibilitou o desenvolvimento de uma produção local de vinho na região, por volta do século V a.C..
Segundo o estudo, publicado nesta segunda-feira no PNAS, periódico da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, ânforas etruscas contendo vinho já chegavam à costa francesa desde o final do século VII a.C. Os pesquisadores analisaram o ácido tartárico, substância presente no vinho feito com uvas da Eurásia (Vitis vinifera, tipo de uva mais utilizado para produção de vinho na Europa), encontrado nas ânforas que chegavam aos portos franceses, especialmente na cidade de Lattara, evidência de que o vinho era levado pelos etruscos para a França.
Além dos utensílios, o estudo leva em consideração sementes, caules e cascas de uva encontradas nas proximidades da prensa. Para os autores, a importância do vinho etrusco na região teria levado a um período em que as uvas eram importadas e o vinho, produzido localmente. Com o passar do tempo e a transferência de conhecimento dos etruscos para os celtas, nativos daquela região da França, eles teriam começado a plantar as uvas para produzir o vinho.
Os pesquisadores encontraram ainda evidências de que ervas (como alecrim, tomilho e manjericão) e resinas de pinheiro eram adicionadas ao vinho, revelando um caráter medicinal da bebida.
"De acordo com as evidências apresentadas aqui [no estudo] nós podemos afirmar que a produção local de vinho ocorria na França mediterrânea durante o século V a. C., e que as bases para esse desenvolvimento crucial foram precedidas pelo comércio de ânforas de vinho etruscas, povo que já tinha a produção de vinho bem consolidada", escrevem os autores.
A evidência física mais antiga da produção de vinho foi encontrada em Hajji Firuz Tepe, uma aldeia neolítica nas montanhas de Zagros, no Irã, e data de 5.400 a.C.. De acordo com Tom Standage, jornalista e escritor britânico, autor do livro História do Mundo em 6 copos (Zahar, 2005, 239 páginas), o vinho teria surgido de tentativas de armazenar uvas ou suco de uvas por longos períodos em recipientes de cerâmica.
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/contato-com-povos-da-italia-pode-ter-originado-producao-de-vinho-na-franca

quinta-feira 06 2013

"Amigos das redes sociais, lutem contra a PEC 37 ou nunca mais poderão conter a roubalheira", afirma Jabor


Arnaldo Jabor. Imagem: Fotógrafo Desconhecido
Em emissão da Rádio CBN, Arnaldo Jabor classificou a PEC 37, a qual será votada em 26 de junho, como "um dos piores perigos para a democracia no Brasil", que impediria a investigação e a punição de "toda essa epopeia de vagabundagem e roubalheira que infesta o Congresso do país". Foi alarmista: "Se aprovada, o pior pode acontecer, estamos na rota do fracasso histórico".

Citou ainda o objetivo de impedir o Ministério Público de responsabilizar agentes do Estado por negligência e incompetência, além de impedir o congelamento dos bens dos malfeitores. "Há uma união nacional de canalhas em torno dessa emenda", enfatizou. "Querem criar o paraíso da roubalheira, os canalhas poderão roubar e proibir investigações, seria o paraíso da roubalheira".

"É essencial que o pessoal das redes sociais, de movimentos fichas limpas e contra a corrupção se mobilizem desde já, se não passa. Eu de minha parte, vou falar desde já até o dia 26. Certamente a votação será secreta, para manter os criminosos no escurinho, mas vou nomear cada um dos arquitetos dessa lei. O movimento tem de começar já, por favor, amigos ouvintes das redes sociais, isso é mais importante que xingar o Feliciano ou se espantar com a imagem assustadora de Renan Calheiros na Presidência da República. É agora ou nunca".

Qual é a sua opinião sobre este caso?

Rádio CBN: http://cbn.globoradio.globo.com/
Lígia Ferreira é analista de sócio-mecanismos.

PEC da Impunidade (PEC 37) será votada neste mês



Manifestantes contra a PEC 37. Imagem: Blog do Ludwig
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara dos Deputados, anunciou, nesta terça-feira (28/05), que será colocada em votação, no final deste mês, a PEC 37 - ou "PEC da Impunidade", como ficou conhecida em setores contrários à sua aprovação (inclusive promotores e procuradores da República) e movimentos sociais contra a corrupção.


Em debate sobre a redação da PEC, representantes do Ministério Público e delegados federais discutem mudanças, mas sem terem efetivado quaisquer acordos. Apesar de este grupo ter solicitado ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, mais 30 dias para que possam avençar um texto que seja aprovado por ambas as partes.

Cardoso encaminhou o pedido a Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara, que respondeu:“O tempo que eles precisam eles vão ter. A minha palavra está mantida, vamos votar a PEC na última semana de junho”.

A proposta prevê uma alteração no texto da Constituição Federal que, na prática, proibirá promotores e procuradores de conduzir investigações na esfera criminal, inclusive de suspeitos de corrupção.

Lígia Ferreira é analista de sócio-mecanismos.

"Os cariocas não têm interesse em combater o crime. Mas e a Copa?", questiona jornalista inglês atacado no Rio


O jornalista inglês Adrian Durham, do jornal Daily Mail, foi abordado por um ladrão armado com uma faca, em Copacabana, menos de 24 horas depois de desembarcar no Brasil. O jornalista assistiu ao amistoso entre Brasil e Inglaterra, afirmou ter gostado muito do Maracanã e até convenceu-se de que as histórias que tinha ouvido sobre os problemas com a reforma eram apenas boatos. 


Na volta ao hotel - que fica próximo ao Maracanã - ele e sua namorada foram abordados por diversos pedintes e mendigos, mas não estavam se importando, pois vieram ao Brasil sabendo o que os esperava. No entanto, um dos pedintes anunciou o assalto com uma faca na mão, tocando o jornalista com a faca para que este percebesse que ele estava falando sério. 

O jornalista teve a presença de espírito de dirigir-se à rua para atravessá-la, esperando ficar em uma posição mais visível. Com isso, o ladrão se irritou e o empurrou, derrubando-o no chão, e foi embora sem levar nada. 

Durham, então, perguntou no seu hotel como fazer para levar o caso à polícia, e recebeu a singela explicação de que "não vale a pena, porque isso acontece o tempo todo", e ainda teve que ouvir conselhos para não usar jóias ou relógios caros, ou seja, não provocar - porque os ataques seriam inevitáveis. Para completar a conversa, a funcionária do hotel disse que ele tinha tido sorte de não ter sido atropelado!

Para o jornalista, o problema não é a ostentação; ele acredita que o ataque poderia ter sido dirigido a qualquer um. O problema de fato, para Durham, é que os cariocas simplesmente aceitam o crime: "A iluminação urbana e a presença da polícia têm que ser dramaticamente aumentadas antes da Copa do Mundo - e das Olimpíadas. São as atitudes que precisam mudar - os cariocas, claramente, simplesmente aceitam que o crime acontece, e não têm nenhum desejo de combatê-lo. Mas, se o governo está preparado para gastar 8,5 bilhões de libras para sediar uma Copa do Mundo enquanto dois milhões de pessoas moram em mil favelas só no Rio de Janeiro, fica claro que a ética e as prioridades desse governo são questionáveis"

O jornalista conta que quando foi à Polônia, à Ucrânia e à África do Sul, na Copa do Mundo de 2010, foi avisado de que eram lugares perigosos; mas nada aconteceu nessas viagens. Só no Rio de Janeiro, a um ano da Copa, é que ele foi abordado com uma faca já no primeiro dia. 

O jornalista conseguiu terminar de contar o episódio com uma nota gentil para os brasileiros: disse que não tentaria convencer ninguém a deixar de vir ao Brasil, apenas aconselharia a ter muito cuidado. 

A divulgação dos questionamentos de Adrian suscitou polêmica nas redes sociais, sobretudo pelo aspecto pouco crítico da mídia tradicional, no que toca a esses temas.

Certamente, Durham é um viajante experiente e foi capaz de lidar bem com a situação. Mas outros turistas podem não ter a mesma sorte - ou o mesmo jogo de cintura. Talvez seja um bom momento para refletir sobre os conselhos dados pelo jornalista.

Acesse o artigo pelo site: www.dailymail.co.uk 

Luciana Castro.

Charles Aznavour She Legendada