quinta-feira 19 2012

Está criada a CPI do Cachoeira. Governistas e oposicionistas estão com a faca nos dentes, mas doidos para mudar de assunto!


19/04/2012
às 5:23
A CPI que, em tese, vai apurar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com os Poderes — a palavra parece sintetizar bem a questão — será criada hoje. Poderia ser só um caso de polícia, em que um homem é flagrado explorando jogos de azar. Mas é um caso, em primeiro lugar, de política. E esse é seu aspecto grave, deletério.
Vazamentos diários sobre a Operação Monte Carlo (desde que VEJA publicou, na revista que começou a chegar aos leitores no dia 4 de março, a primeira reportagem sobre as relações de Demóstenes Torres com Cachoeira) demonstram, depois de um mês e meio, que senador era, assim, uma espécie de “bode de exultação” dos petistas para tentar desmoralizar o que resta de oposição no país. A traficância, já se sabe, é bem maior do que o campo de atuação deste político de Goiás. Muita coisa ainda tem de vir a público, mas o bom senso indica que o parlamentar era pequeno demais para os anseios de Cachoeira e seus pares, como a construtora Delta. A rede é bem mais ampla.
Como Demóstenes era quem era, o caso pegou. Num primeiro momento, assistiu-se a um verdadeiro foguetório petista. Do mesmo modo, o jornalismo governista — particularmente a esgotosfera financiada com o dinheiro dos pobres — bradava que assim são todos os “falsos moralistas”, “os direitistas”, “os reacionários” etc. Até que os petistas começaram a aparecer no enredo, dividindo o protagonismo com o senador. Mais do que isso: a principal construtora do PAC, aquela cujo presidente é amigo de poderosos e diz sem pejo a seus sócios que políticos têm um preço, saltou para o olho do furacão. E, tudo indica, outros nomes virão.
No curso da manipulação dos fatos para obter dividendos políticos, liderando a banda pobre do PT — e nem poderia ser diferente —, José Dirceu arquitetou a tramoia, já desmoralizada, de que até o mensalão teria sido obra de Cachoeira, em associação com supostos golpistas interessados em derrubar o governo Lula. De que modo teria sido o bicheiro o responsável pelo dinheiro sujo que circulou no partido durante a campanha eleitoral de 2002 e depois dela, sob a coordenação de cabeças coroadas do petismo, bem, isso eles não explicavam. E nem consideravam necessário. Dirceu e Rui Falcão, presidente do partido, sob a inspiração de Lula, consideraram que era a hora de dar o golpe final nos partidos de oposição. À revelia do próprio Planalto, saíram pregando a necessidade de uma CPI NÃO PARA INVESTIGAR CRIMES, MAS PARA ESCONDÊ-LOS.  Com a coordenação política completamente desarticulada, o governo Dilma se viu engolfado por essa turma.
Muito bem! Ocorre que havia — e há — uma Delta no meio do caminho. Se há indícios sérios de que o esquema Cachoeira está infiltrado no governo de Goiás, do tucano Marconi Perillo, não são menores os sinais da presença do mesmo esquema no governo do Distrito Federal, do petista Agnelo Queiroz. No momento, diga-se, esse é apenas um dos problemas que Agnelo, que já está sendo processado pelo STJ, enfrenta. A Câmara Distrital decidiu criar uma CPI para apurar o sistema ilegal de espionagem instalado dentro do governo para investigar adversários, jornalistas, procuradores e… até aliados! Voltemos à CPI.
A oposição percebeu a armadilha e passou a pedir, ela também, de forma não menos estridente, a instalação da comissão de inquérito. Quando o governo Dilma, percebendo o potencial explosivo do assunto, tentou botar o pé no freio, já não havia mais tempo. Vive-se agora uma situação curiosa: eis uma CPI que, a esta altura, todo mundo diz querer sem, no fundo, querê-la de verdade. Tornada inevitável, os dois lados estão certos de que há munição de sobra para atingir o adversário.
É claro que a oposição leva uma brutal desvantagem, a começar dos números: o placar é de 26 a 4 para os governistas. A rigor, já observei aqui, a chamada base aliada pode convocar e preservar quem bem entender. Também terá presidência e relatoria da comissão. Caberá à imprensa livre, aquela que José Dirceu detesta, atuar para que a investigação não se transforme numa patuscada.
Dilma foi atropelada
Uma CPI com essas características não era do interesse do governo Dilma, que foi arrastado pela banda pobre do PT liderada por Dirceu, com o apoio entusiasmado de Lula.  Por amor à verdade? Não! Por amor à farsa. O objetivo era usar a gangue de Cachoeira para proteger a gangue do mensalão. Agora o Planalto estuda uma estratégia de redução de danos. Uma investigação que exponha a teia de relações que a Delta estabeleceu no governo federal e em pelo menos 23 governos estaduais pode provocar um terremoto político. Cachoeira, a gente já viu, não tem preconceitos ideológicos. A empresa que é hoje a principal tocadora de obras do PAC não alcançou essa condição porque tem inimigos no Planalto…
Os moderados do PT acreditavam ser possível fazer a investigação e punir algumas pessoas flagradas no esquema sem uma CPI, que vai, é inevitável, paralisar o Congresso. nesse ambiente, agigantam-se justamente figuras como os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR) e o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), tudo o que Deilma não queria.
E agora? Aqui e ali os governistas comentam que o foco tem de ser Carlinhos Cachoeira e alguns parlamentares que lhe prestavam serviços. E pronto! Bem, então será preciso combinar antes com o indeterminado. O clichê também vale para esta CPI: todo mundo já sabe como começou, mas ninguém sabe como vai terminar.
Tem início a CPI do Cachoeira. Governistas e oposicionistas estão com a faca nos dentes, mas doidos para mudar de assunto.
PS - Ah, sim: tanta movimentação do chefe de quadrilha (segundo a PGR) José Dirceu só serviu para a chamar a atenção para o trabalho da quadrilha! Milhares de pessoas já se manifestam pedindo que o Supremo julgue logo o caso do mensalão. Não é mesmo, ministro Ricardo Lewandowski?
Por Reinaldo Azevedo
 http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

CPI do Cachoeira sai do papel nesta quinta-feira

Congresso

Requerimento assinado pela maioria dos parlamentares será lido em Plenário. Próximo passo é a escolha dos integrantes do colegiado

Gabriel Castro
Parlamantares da oposição pleiteiam instalação da CPI do Cachoeira Parlamantares da oposição pleiteiam instalação da CPI do Cachoeira (AE)
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar a atuação do contraventor Carlinhos Cachoeira ganhará vida oficialmente nesta quinta-feira. Está prevista para as 10h30 a leitura do requerimento em sessão conjunta do Congresso. Os partidos recolheram cerca de 330 assinaturas na Câmara e 67 no Senado – bem acima do número de 171 exigindo na primeira Casa e 27 na segunda.
Depois da leitura do requerimento, abre-se o prazo para que os partidos formalizem a indicação de seus integrantes para a comissão. Alguns, como os oposicionistas, já fizeram a escolha. Outros, como PT e PMDB, ainda pretendem discutir o tema. As duas siglas, aliás, dividirão a presidência e a relatoria da comissão. Os partidos aliados terão 80% dos cargos da CPI, que será composta por 30 titulares e 30 suplentes, metade da Câmara, metade do Senado.
A oposição tentará explorar dois ramos da quadrilha de Cachoeira: os laços com o governo do Distrito Federal e os contratos da construtora Delta, que é ligada à máfia e coordena algumas das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Para os governistas, a CPI deve servir para colocar na mira o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo.
A oposição demonstra mais confiança de que a CPI será vantajosa politicamente: foi mais ágil na coleta de assinaturas e na indicação dos integrantes para o colegiado. Já para o PT e boa parte das siglas aliadas, a CPI ainda é uma incógnita. Quando o governo percebeu o potencial de estrago da investigação, era tarde demais para recuar – o acordo pela comissão envolvia líderes partidários e os presidentes das duas Casas. PMDB e PR também revelaram receio e a adesão ao requerimento de investigação foi bem mais baixa do que em outras siglas. Nas bancadas do PSDB, do DEM e do PT, o apoio à comissão foi de praticamente 100%.
A base aliada, que tem 80% do Congresso, terá o controle da investigação. Mas a oposição promete fazer barulho. E parlamentares de alguns partidos, como o PR, continuam com um pé atrás em seu apoio ao Planalto, o que pode diminuir o índice de lealdade.
Indicados os membros da CPI, surgirá a primeira queda-de-braço: a decisão sobre o foco inicial da investigação. Os múltiplos tentáculos do grupo de Cachoeira tornam difícil a organização do trabalho. Uma das saídas é a divisão da tarefa em sub-relatorias.
Composição - Alguns dos nomes confirmados para compor a CPI são os senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Jayme Campos (DEM-MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL). Na Câmara, a tarefa já foi designada aos deputados Domingos Sávio (PSDB-MG), Carlos Sampaio (PSDB-SP), Fernando Francischini (PSDB-PR), Rogério Marinho (PSDB-RN), Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Mendonça Prado (DEM-SE), Rubens Bueno (PPS-PR), Maurício Quintela Lessa (PR-AL) e Ronaldo Fonseca (PR-DF).
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/cpi-do-cachoeira-sai-do-papel-nesta-quinta-feira 

Câncer de mama é dividido em dez subtipos, diz estudo

Oncologia

Descoberta deve servir para a elaboração de tratamentos personalizados para cada tipo de câncer de mama

Mamografia: pesquisa ajudará a criar tratamentos personalizados Mamografia: pesquisa ajudará a criar tratamentos personalizados para as pacientes com câncer de mama (Thinkstock)
O câncer de mama reúne dez subtipos de tumores diferentes entre si, afirma estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature. A descoberta deve servir para a elaboração de tratamentos personalizados para cada tipo de câncer de mama, baseados em fatores como informação genética, antecedentes familiares e histórico clínico do paciente.
A pesquisa, que envolveu vinte cientistas das universidades de Cambridge (Grã-Bretanha) e Columbia Britânica (Canadá), conseguiu identificar dez subtipos de câncer de mama, assim como algumas das diferenças genéticas e moleculares entre eles. Foram analisados os DNAs de 2.000 tumores, durante cinco anos.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: The genomic and transcriptomic architecture of 2,000 breast tumours reveals novel subgroups

Onde foi divulgada: revista Nature

Quem fez: Carlos Caldas, Samuel Aparicio e equipe

Instituição: Universidade de Cambridge e Universidade da Columbia Britânica

Dados de amostragem:
2.000 amostras de tumores retirados de mulheres diagnosticadas com câncer de mama entre 10 e 5 anos atrás

Resultado: O estudo classificou o câncer de mama em pelo menos 10 subtipos diferentes. A nova classificação pode mudar o modo como os medicamentos são prescritos e futuramente deve personalizar o tratamento.
"O câncer de mama não é só uma doença, mas dez doenças distintas. São doenças realmente diferentes entre si do ponto de vista clínico e biológico, já que nelas agem diferentes genes. Essa descoberta representa uma perspectiva completamente nova do câncer", afirmou o coordenador do estudo, o médico português Carlos Caldas, da Universidade de Cambridge.
Os pesquisadores encontraram dezenas de genes relacionados ao câncer de mama que eram desconhecidos até agora, o que pode servir como novo caminho para o tratamento. "Conseguimos identificar genes que eram muito abundantes em um tipo de tumor, mas que estavam praticamente ausentes em outros tipos", disse Caldas.
Ramificações — Só em um dos dez subtipos identificados, os cientistas descobriram uma presença significativa de gene hereditário, denominado Bric1, que predispõe a mulher ao câncer de mama.

Um outro gene, desconhecido até agora, chama a atenção dos pesquisadores. "Surpreendentemente, neste caso, observamos uma atividade interessante dos linfócitos, o que sugere que o sistema imune provavelmente reconhece estes tumores e reage contra eles", detalhou o pesquisador.

"Se pudéssemos investigar por que, nesses tumores, o sistema imune é ativado, poderíamos tentar encontrar formas para estimular o sistema imunológico para combater outros tipos de câncer de mama", afirmou Caldas.

Mapa — As conclusões do estudo de Caldas equivalem a um novo mapa contra o câncer de mama tanto no âmbito clínico como no laboratorial. Os testes clínicos deverão levar em conta essas informações e cada um dos tipos descobertos.

Embora não descarte a existência de algum tipo adicional além dos dez identificados, Caldas acredita que esses são os principais e que, a partir de agora, os pesquisadores encontrarão suas ramificações.
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/cancer-de-mama-e-dividido-em-dez-subtipos-diz-estudo 

quarta-feira 18 2012

CPI do Cachoeira deve ser instalada nesta quinta-feira

Política

Número mínimo de assinaturas foi atingido na terça-feira. PMDB, que presidirá comissão, já jogou as consequências da ruidosa investigação no colo do PT

Carlinhos Cachoeira: CPI provoca arrepios no Planalto
Carlinhos Cachoeira: CPI provoca arrepios no Planalto (Celso Júnior/AE)
Começa nesta quarta-feira a conferência das assinaturas para a criação da CPI para investigar as ligações do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos. E a expectativa é de que a comissão seja instalada já nesta quinta. Na noite de terça-feira, Câmara e Senado reuniram assinaturas suficientes para instalar a investigação. A secretaria-geral da Mesa Diretora do Congresso recebeu 67 assinaturas no Senado e mais de 330 da Câmara. O mínimo necessário para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso é de 27 senadores e 171 deputados. Os números ainda pode aumentar, com novas assinaturas, ou diminuir por causa de duplicidade nos nomes.
Rede de Escândalos: A participação de Cachoeira no 1º grande escândalo da Era Lula
Na tentativa de disfarçar sua intenção de esvaziar a CPI, o PT foi um dos partidos mais empenhados na coleta de assinaturas. Já o PMDB deixou para aderir ao requerimento por último, jogando a investigação – e suas consequências, temidas pelo Planalto – no colo dos petistas. Como o partido com maior número de parlamentares, o PMDB ficará com a presidência da comissão. De acordo com a edição desta quarta do jornal O Estado de S. Paulo, a ideia da legenda é aproveitar-se da posição para coagir o Planalto. Quando o PT tiver atingido o ápice do desgaste do governo, os peemedebistas pretendem lançar-se como salvadores do Planalto.
"Essa pode ser a CPI mais sangrenta da história", afirmou ao jornal o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO). "Nós não queríamos a CPI. O PT insistiu em fazê-la. Tudo poderia ter sido resolvido pelas investigações da Polícia Federal e Ministério Público", completou. “Não botem no colo do PMDB uma responsabilidade que não é dele. O PMDB não é protagonista disso e não inventou essa CPI”, afirmou ao jornal O Globo o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).
Números - Todos os deputados de PSDB e DEM assinaram o requerimento. No PT, o índice chegou próximo a 100%. Já no PMDB, 46 de 77 deputados apoiaram o pedido, de acordo com o balanço preliminar. No PR, foram 16 assinaturas, em uma bancada de 36 parlamentares. Nas demais legendas, o apoio foi quase integral. Nem todas as bancadas do Senado divulgaram a quantidade de assinaturas obtidas. Também na Casa, PT, PSDB e DEM deram apoio integral ao pedido.
Composição - Os partidos também começaram a formalizar nesta terça suas indicações para compor a comissão. Na Câmara, o PSDB já definiu Carlos Sampaio (SP) como um de seus nomes no colegiado. Outros titulares serão Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Rubens Bueno (PPS-PR) e Maurício Quintela Lessa (PR-AL). Mendonça Prado (DEM-SE), Sarney Filho (PV-MA) e Ronaldo Fonseca (PR-DF) serão suplentes.
Já o PT ainda não bateu o martelo sobre as indicações. Mas o líder da bancada petista na Câmara, Jilmar Tatto (SP), reage à acusação de que o partido pretende esvaziar a CPI: "A oposição não tem discurso e nem projeto para o país", ataca. Segundo ele, a instalação da CPI é "uma questão de horas".
No Senado, o PSDB convidou Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), tradicional oposicionista, para ocupar uma das quatro vagas originalmente reservadas aos tucanos. Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) também participará da CPI em uma vaga pertencente aos tucanos. Falta decidir quem será titular e quem será suplente. Ambos os cargos dão direito a um assento na comissão, permitem o uso da palavra e a coordenação de relatorias. Mas o substituto só vota quando o titular está ausente.
Instalação - Depois da checagem das assinaturas, o passo seguinte será a leitura do relatório da CPI em plenário. Como a comissão será mista, com senadores e deputados, será necessário convocar uma sessão conjunta do Congresso Nacional. Com José Sarney (PMDB-AP) se recuperando de uma cirurgia cardíaca, a tarefa deve ser cumprida pela vice-presidente do Congresso, Rose de Freitas (PMDB-ES). A oposição tem pressa: "Respeitado o rito, não há porque não fazer a leitura na quinta-feira", diz Bruno Araújo (PE), líder do PSDB na Câmara.
(Com reportagem de Gabriel Castro)
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/com-pt-na-berlinda-cpi-do-cachoeira-deve-ser-intelada-na-5a

Câmara do DF terá CPI da Arapongagem

Espionagem

VEJA mostrou como Casa Militar do governador Agnelo acessou dados de opositores, jornalistas, promotores e até do vice-governador

Gabriel Castro
Agnelo Queiroz: CPI vai investigar relatos de que governo do petista patrocinava espionagem Agnelo Queiroz: CPI vai investigar relatos de que governo do petista patrocinava espionagem (Veja)
A Câmara Legislativa do Distrito Federal decidiu nesta terça-feira criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar relatos de que o governo do petista Agnelo Queiroz patrocinava a espionagem de adversários e até aliados. Todos os 24 parlamentares apoiaram a criação da CPI da Arapongagem. Nesta quarta-feira, uma comissão de deputados distritais vai se reunir para definir o texto de criação da Comissão.
VEJA mostrou que dois sargentos subordinados à Casa Militar do governo acessaram dados pessoais de mais de vinte pessoas no Infoseg, o sistema do Ministério da Justiça que guarda informações sobre cada cidadão brasileiro. Entre os monitorados, estão o deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR), o promotor Wilton Queiroz e o vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filipelli (PMDB).

Investigação - A decisão dos deputados distritais é expressiva em uma assembleia na qual apenas quatro parlamentares fazem oposição ao governador Agnelo Queiroz. "As informações preocuparam os deputados. Vamos investigar não só o monitoramento de parlamentares, mas também de jornalistas, promotores e outras autoridades", explica o deputado Chico Leite (PT). "A CPI é algo muito importante. As denúncias são pesadas", diz Celina Leão (PSD), que faz oposição ao governo distrital e pediu a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito.
Outro pedido de CPI, entretanto, continua adormecido na Casa: o que cria uma comissão para investigar as relações da máfia de Carlinhos Cachoeira com o governo do Distrito Federal. São necessárias oito assinaturas. Até agora, sete foram recolhidas. A diferença é que, no caso da arapongagem, os deputados estão pensando na auto-proteção: "Todo mundo tem medo de ter tido o sigilo invadido", diz Celina.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal tem uma longa tradição de CPIs fracassadas; nem o maior escândalo da história da política local, o Mensalão comandado por José Roberto Arruda, resultou em uma investigação concreta da assembleia local. É contra esse histórico desabonador que os parlamentares locais vão precisar lutar.
Apesar de dispor de uma base de apoio avassaladora, Agnelo Queiroz tem começado a sentir os efeitos da grave crise ética enfrentada pelo seu governo. Partidos tradicionalmente aliados, como o PDT e o PSB, têm recuado da postura de apoio ao petista. O PPS pode romper oficialmente com o governo na semana que vem.
Moção - Os deputados distritais também devem aprovar uma moção pedindo a saída do chefe da Casa Militar do governo, o coronel Rogério Leão, Chefe da Casa Militar de Agnelo. O texto foi proposto pelo deputado Paulo Roriz (DEM). O episódio relatado por VEJA confirma o que alguns parlamentares suspeitavam: o de que Leão monitorava ilegalmente autoridades locais.
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/camara-do-df-tera-cpi-da-arapongagem 

Congresso já tem assinaturas suficientes para criar CPI

Escândalo

Foram recolhidas 67 assinaturas no Senado e mais de 330 na Câmara. PMDB e PR têm baixa adesão para abrir investigação sobre Cachoeira

Gabriel Castro
Senado: foram recolhidas mais de sessenta assinaturas entre os senadores e mais de trezentas entre deputados Senado: foram recolhidas mais de sessenta assinaturas entre os senadores e mais de trezentas entre deputados (Divulgação/Agência Senado)
Câmara e Senado já reuniram assinaturas suficientes para instalar a CPI do Cachoeira. A secretaria-geral da Mesa Diretora do Congresso recebeu, na noite desta terça-feira, 67 assinaturas no Senado e mais de 330 da Câmara. O mínimo necessário para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Casa é de 27 senadores e 171 deputados. Os números aindam pode aumentar, com novas assinaturas, ou diminuir por causa de duplicidade nos nomes. Agora, Câmara e Senado vão conferir as assinaturas.
Todos os deputados de PSDB e DEM assinaram o requerimento. No PT, o índice chegou próximo a 100%. Já no PMDB, 46 de 77 deputados apoiaram o pedido, de acordo com o balanço preliminar.  No PR, foram 16 assinaturas, em uma bancada de 36 parlamentares. Nas demais legendas, o apoio foi quase integral. Nem todas as bancadas do Senado divulgaram a quantidade de assinaturas obtidas. Também na Casa, PT, PSDB e DEM deram apoio integral ao pedido.
Composição - Os partidos também começaram a formalizar nesta terça suas indicações para compor a comissão. Na Câmara, o PSDB já definiu Carlos Sampaio (SP) como um de seus nomes no colegiado. Outros titulares serão Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Rubens Bueno (PPS-PR) e Maurício Quintela Lessa (PR-AL). Mendonça Prado (DEM-SE), Sarney Filho (PV-MA) e Ronaldo Fonseca (PR-DF) serão suplentes.
Já o PT ainda não bateu o martelo sobre as indicações. Mas o líder da bancada petista na Câmara, Jilmar Tatto (SP), reage à acusação de que o partido pretende esvaziar a CPI: "A oposição não tem discurso e nem projeto para o país", ataca. Segundo ele, a instalação da CPI é "uma questão de horas".
No Senado, o PSDB convidou Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), tradicional oposicionista, para ocupar uma das quatro vagas originalmente reservadas aos tucanos. Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) também participará da CPI em uma vaga pertencente aos tucanos. Falta decidir quem será titular e quem será suplente. Ambos os cargos dão direito a um assento na comissão, permitem o uso da palavra e a coordenação de relatorias. Mas o substituto só vota quando o titular está ausente.
Caminho sem volta - A agilidade de alguns partidos em escolher os integrantes da CPI também mostra que, apesar dos receios sobre o desgaste causado pela investigação, as legendas consideram a abertura da comissão um caminho sem volta. Uma das táticas de esvaziamento da CPI costuma ser a protelação na indicação dos membros. Parece não ser o caso.
Depois da checagem das assinaturas, o passo seguinte será a leitura do relatório da CPI em plenário. Como a comissão será mista, com senadores e deputados, será necessário convocar uma sessão conjunta do Congresso Nacional. Com José Sarney (PMDB-AP) se recuperando de uma cirurgia cardíaca, a tarefa deve ser cumprida pela vice-presidente do Congresso, Rose de Freitas (PMDB-ES). A oposição tem pressa: "Respeitado o rito, não há porque não fazer a leitura na quinta-feira", diz Bruno Araújo (PE), líder do PSDB na Câmara.
A comissão, criada para investigar a atuação da quadrilha comandada pelo contraventor Carlinhos Cachoeira, será composta por 15 senadores e 15 deputados titulares, além de um número igual de suplentes. O prazo de encerramento da investigação é de até 180 dias.
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/congresso-ja-tem-assinaturas-suficientes-para-criar-cpi 

Senadores pedem acesso a gravações da Monte Carlo

Política

Por Mariângela Gallucci
Brasília - Senadores que integram o Conselho de Ética reuniram-se nesta terça com o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF). Lewandowski é o relator do inquérito que apura as suspeitas de envolvimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com o empresário do ramo de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
No encontro, ocorrido na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que é presidido por Lewandowski, os senadores pediram ao ministro que garanta a eles acesso às gravações de conversas que foram feitas durante a operação Monte Carlo. Um pedido semelhante foi rejeitado recentemente pelo ministro sob a alegação de que o material tem informações sigilosas.